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12 Capítulo 12 - Esther: Recordações de Dois Séculos Atrás
—I-
15 de março de 1872
A fábrica de sabão de Pete está cada vez mais forte. Não se fala mais de outra coisa a não ser sobre a Ilha Graciosa e seu novo proprietário. Partirei em breve para Inglaterra, a ansiedade é algo que estreme meus dedos.
Fazem alguns dias que eu conheci Lua, um dos homens mais incríveis que passara por minha vida. Ele parece ser de outro século, tão gentil e tão cavalheiro...
-II-
Março de 1872
— Sei que vou lamentar por isso. _ disse Maressa com as malas já em mãos. — Mas eu não posso continuar aqui. Não sou mais a mesma, minha queria irmã. Por uma desafortunada brincadeira do destino, acabei me tornando algo do qual eu não posso fugir, e não quero continuar aqui para machucar não apenas vocês, mas também a mim. Quando tudo acabar,e por minha desgraça, eu ainda estiver pé!
Os longos cabelos negros de Maressa caiam sobre seus ombros. Ela usava um longo vestido avermelhado. Estava descalça. Carregava uma mala apenas com alguns de seus piores vestidos. Quando ela começou a andar em direção a porta, me joguei no chão e abracei suas pernas.
— Não vá minha irmã! Eu lhe imploro! _ gritei.
Maressa continuou forçando-se a andar, me ignorando. Lágrimas caiam de seus olhos. Quando ela finalmente conseguiu se soltar.
Continuei deitada no chão em prantos, meu maior medo era nunca mais vê-la. Sabia que não precisava me preocupar com sua segurança, pois era uma mulher forte e sabia bem o que estava fazendo, mas ainda sim me causava angustia.
-III-
A noite caiu, permaneci da mesma maneira que estava quando Maressa se foi. Ainda não podia acreditar que minha irmã tinha ido embora, estava desolada, amedrontada. A obsessão de Lua por mim apenas crescia, e agora eu estava em suas mãos.
Me levantei, com minha camisola arrastando pelo chão. Corri até o lado de fora da mansão. Continuei a correr sem saber para onde iria, sem rumo algum. O vento açoitava meus cabelos em meu rosto. Corria pelos becos e me debatia contra paredes. Um único pensamento atormentava minha mente, e era simplesmente, ir o mais longe possível de Lua.
Em meio essa corrida eu bate de frente a um corpo, o qual não identifiquei com meus olhos sendo cegados por meus cabelos. A figura alta se focou quando olhei para cima, era Lua.
Seu olhar penetrava furiosamente meus olhos, certamente estava furioso, já que soubera o que havia acontecido. Ele usava um terno totalmente preto, e andava junto com sua bengala. Me segurou pelo braço e me jogou contra parede. Sobre mim, me cobriu de pontapés e socos.
Lua descontou toda sua raiva em mim, não era capaz de andar, muito menos gritar. Minhas duas pernas estavam quebradas. Meus braços, eu já não mais sentia. Uma forte dor em minha cabeça, parecia martelar cada vez mais forte.
Caída no frio e escuro beco, pude vê a sombra de Lua saindo calmamente dali, sem nada dizer. Lágrimas silenciosas molhavam meu rosto e foi nesse momento que rezei ao Senhor para que levasse minha alma. Fechei meus olhos e desejei morrer.
— Minha pequena, o que faz aqui sozinha? _ senti toques suaves de dedos deslizarem sobre meu rosto. — Venha, vou cuidar de você.
Os dedos que acariciavam meus rosto, passavam-se agora pelos meus olhos, fechando minhas pálpebras.
-IIII-
— Continue deitada, você não está em condições para fazer muito esforço ainda. _ reconheci aquela voz, a mesma pertencera ao dono dos dedos que me acariciaram.
Uma imagem borrada se formou acima de mim quando abri os olhos. Era a figura de um homem, o qual não reconheci no momento. A medida que minhas vistas foram melhorando, pude ver um homem alto, olhos claros. Estava com um copo de madeira em mãos, sentado a mercê da cama.
— Quem... quem é você? _ perguntei com a voz trêmula.
— Eu sou o Ítalo, considere-me um amigo.
Tentei me sentar na cama, mas uma forte no estômago pareceu ser acionada no momento em que levantei. Meus ouvidos pareciam zumbir. Ítalo colocou uma de suas mãos sobre minhas costas me dando certo apoio e com a outra estendeu o copo.
— Beba isso, acredite, você precisa.
Apanhei o copo de suas mãos e tomei tudo que havia ali dentro. Um estranho formigamento ocorreu dos meus pés a cabeça, fiquei intrigada.
— Mas por que me deu isso? Parece...
— Sangue. É, agora você é uma infectada, precisa tomar disso para poder se manter.
— Infectada? Como assim? _ perguntei um pouco assustada.
— Precisava fazer isso, ou você morreria. Mas não se preocupe, eu vou te ensinar tudo que você precisa saber.
O copo foi colocado sobre uma pequena mesa de madeira que abrigava sobre si um bordado vermelho.
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