Casa Grande

1 Capítulo 1


A grande casa já antiga e meio desgastada despontou entre as árvores, imponente embora velha permanecia no seu posto de maior propriedade da região. A casa grande da fazenda dos Lemos de Campos, pouco mais de um século atrás haviam desembarcado no Brasil, no grande porto de Salvador, membros da decadente aristocracia lusitana, fizeram sua fortuna no engenho de açúcar, mas agora a família enfrentava sua maior crise, Dr. Manuel patriarca da casa havia falecido.
Deixou em terra além das muitas propriedades e escravos, uma filha Lucila e uma irmã Aurélia. A última viúva como seu falecido irmão, fazia questão sempre de lembrar a sobrinha em tom alarmista a necessidade de se casar.
--Ora Lucila tu sabes que já está mais que em boa hora, não vamos deixar que o tempo leve o que tens de melhor, precisas de um homem que administre as terras de seu pai!
--Na hora certa ei de me casar minha tia, e tu bem sabes que posso muito bem administrar o que papai me deixou.
Mas ambas sabiam o motivo da pressa de Dona Aurélia, a muito corria entre as rodas da cidade que a jovem possuía lá sua simpatia pela causa dos abolicionistas, questionamento que a Tia nunca fez a sobrinha, temia a resposta quase tanto temia pelo perda vida confortável tinha.
Lucila nunca foi abertamente contra a idéia de se casar assim como nunca disse abertamente sobre os temores de sua tia, e mesmo que com relutância e pressão da tia logo se viu noiva de Dr. Alberto Tavares, membro da alta sociedade, não de família tão tradicional quanto a de Lucila, na verdade diziam as más línguas que os Tavares apenas mantinham as aparências e a muito eram uma família falida. Falida ou não o jovem acabara de voltar da Europa onde havia estudado medicina.
Lucila acreditava que a temporada na Europa havia mudado a mente de Alberto, a respeito dos escravidão, e mesmo que a contragosto isso a fez aceitar o casamento com o doutor.
Era 1788, aquilo já durava mais de dois séculos seria necessários mais quantos para que acabasse?

Desde cedo ela aprendera a guardar consigo sua indignação, assim como aprendeu também a guardar seus grande segredos.
Eram tempos difíceis nos engenhos da capitania, al, de iaguma doença desconhecida acometia os escravos que mesmo doentes continuavam obrigados a trabalhar, mas mesmo assim o rendimento já não era o mesmo.
Diferente de todas as outras coisas a doença desconhecida se mostrou democrática atingindo senzalas, casas grandes e capelas.

Das centenas de doentes não demorou muito para que dona Aurélia caísse de cama,já haviam passado alguns dias que a senhora se via enferma quando o Dr. Alberto foi chamado para acompanhar-lá dia e noite, mesmo doente Dona Aurélia nunca vira a necesside desse tipo de acompanhamento, em verdade era até possivel perceber em seus comentários certa descrença pela

''nova medicina paulista'' que era como ela chamava qualquer tipo de tratamento que não incluisse sangria como parte cura, mas no naqueles dias a senhora via como essencial a presença do jovem médico, Aurélia pretendia assim aproxima-lo de Lucila e sobretudo contar-lhe sobre seus temores a respeito das futuras pretensões de sua sobrinha.
É amendontrador pensarmos o que poderiamos fazer se tivessemos conhecimento do que nos atos poderiam acarretar no futuro, Dona Aurélia se tivesse esse poder talvez mudasse todos a história daquela família e nunca faria aquele convite a Alberto.
Nesse ponto da narrativa é necessario mudarmos nosso narrador, as descricões a seguir foram retiradas do próprio diário do Dr. Alberto quase dois séculos depois, trazendo luz aos fatos ocorridos naquela semana na Fazenda Lemos de Campos que durante muito tempo permaneceram obscuros.

''24 de julho,Domingo Fazenda dos Lemos de Campos

A noite já vai tarde, e a lua alta no céu ilumina pela janela ilumina minhas acomadações aqui, o quarto é espaçoso e com certo luxo porém tudo cheira pó e mogno mofado, provavelmente mais um dos quartos a muito desocupados desde que a família não se encontra mais tão numerosa, é impressionante o historico de tragédias e acontecimentos fatídicos que já os atingiram ao longo dos anos.
a lua cheia de certa maneira me deixa consternado, devido as historias que ouvi a respeito do acontece na mata nas noites em que o luar atravessa as copas das arvores, terei de relatar os acontecimentos até o presente momento espero que assim de alguma maneira alivie toda essa tensão, enquanto escrevo observo a tal mata, meu quarto está desposto de tal maneira a ser o unico a possuir a janela voltada para os fundos da casa e de maneira consequente ao motivo do meu tormento.
pois bem, logo ao chegar por volta do meio dia dona Aurélia ainda dormia e Lucila recebeu me

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.