Notas iniciais
Mais um pouco de Lucio e Emily.

Capítulo 5

“Wow! Como conseguiu essa casa? Roubou?”

Tínhamos parado em frente a casa mais linda que eu já vi. Tinha dois andares e era branca. Cara, acasa era branca! Com enormes janelas de vidro e os fracos raios de sol pareciam entrar sem dificuldade. Ao lado da incrível casa, tinha uma garagem para dois carros.

A casa ficava do outro lado do estado, mais específico, em Clyde. Nos poucos momentos em que meus olhos se abriram, eu percebi que a casa ficava no alto da colina e por trás dela, a uns dez metros de distância, estava o final da colina com um tipo de mar, batendo nas pedras.

Eu daria a vida para morar em um lugar daqueles. Era tão lindo e calmo, diferente do dono.

“Seu pai me paga bem, Emi.”, Lucio disse enquanto abria a porta.

Kris havia dito a mesma coisa quando eu o questionei sobre o seu bar “Inferno de Gelo”. Eu ainda tinha o cartão, mas nunca pensava em ligar por trabalho. Por prazer, talvez. Mas ele sempre me deixava na mão quando se tratava de trabalho.

No primeiro andar ficava a cozinha e a sala. Subimos para o segundo andar e paramos no meu quarto dos sonhos. As paredes eram pretas e brancas, tinha uma enorme cama de casal em frente a uma janela que dava para o final da colina. Tinha uma porta que dava para o banheiro e o restante de um quarto normal.

“Bem, esse é o seu quarto, Emi.”, Lucio disse sorrindo e entrando no quarto. “Meu e seu.”, ele jogou a sua e a minha mala no chão enquanto se jogava na cama.

“Nem pensar. Pode tirando o seu cavalinho da chuva. Não vou ficar no mesmo quarto que você nem se fosse a minha única escolha.”

“Pare de ser teimosa, Polly.”, Barbie me empurrou enquanto Gabriel ria. “Vou estar aqui do lado. É só gritar.”

Eu tropecei para dentro do quarto e ouvi vagamente a porta sendo fechada. Porque eu estava nos braços de Lucio. Se não fosse por ele, eu estaria beijando o chão. Me afastei o mais rápido possível , corando, mas mesmo longe, ainda conseguia sentir o calor de seu corpo no meu.

Nunca tinha visto meus sentido tão aguçados como estavam com Lucio. Me sentei na cama, ignorando Lucio rindo ainda parado no mesmo lugar em que eu o havia deixado, e puxei minha mala para perto com o propósito de desarrumá-la. Isso e esquecer da presença de Lucio.

“Vou dormir no chão, não se preocupe.”, ele me assegurou.

“Não estou preocupada.”, eu afirmei sem tirar os olhos da minha mala e conferindo se ele havia posto tudo o que eu precisava.

Calças, camisas, roupas íntimas (Nesse momento eu corei). Sapatos, saias ...

Saias?

Segurei a saia preta pregueada e curta demais para o meu gosto. Quando eu, em sã consciência, usaria aquilo?

A resposta era fácil.

Nunca.

“O que significa isso?”, eu perguntei levantando meu olhar para Lucio e lhe jogando a saia. “Queime. Não tenho tempo para usar isso.”, levantei com umas roupas dobradas e andei até a cômoda abrindo a primeira gaveta.

As roupas quase caíram da minha mão. Na primeira gaveta estavam as roupas íntimas de Lucio. E , wow, vou lhes contar. Eram muito, muito sexy. Mas, é claro, que eu fechei a gaveta no segundo em que vi o que se encontrava dentro. Lucio ficou rindo tanto que eu o imaginei rolando no chão.

“Eu esqueci de te avisar.”, ele me informou ainda rindo. “Algumas gavetas estão ocupadas. Use as duas últimas e se, por acaso, não couber tudo, podemos dividir a primeira.”

Eu juro que se ele estivesse perto o chutaria exatamente naquele lugar. E com força. Mas, como esse não era o caso apenas abri a penúltima gaveta e coloquei minhas ali. Quando me virei para pegar mais roupas, dei, literalmente, de cara com Lucio.

Ele colocou os braços dos dois lados do meu corpo , sem me tocar, mas me fechando em um pequeno espaço entre o seu corpo e a cômoda. Lucio estava com um sorriso estranho no rosto, parecia um sorriso meio safado, meio malicioso. Me analisou dos pés a cabela , ainda sorrindo e disse:

“Eu acho que você ficaria linda de saia.”, e seu sorriso se tornou totalmente malicioso. “Na verdade , você poderia soltar um pouco o seu cabelo e usar roupas ousadas.”

Era impressão minha ou Lucio estava criticando meu modo de vestir? Já estava difícil respirar com tamanha proximidade e esse desgraçado ainda reclama das minhas roupas?

“Não tenho tempo para ser ousadas e muito menos alguém para ser ousada.”, eu disse olhando diretamente nos olhos negros de Lucio.

“Mentira.” ele exclamou revirando os olhos . “Quando você estava com Colin, nunca vestiu grandes coisas.”

Só de citar o nome de Colin e nosso antigo relacionamento, eu fiquei tensa. De certo modo, Lucio estava certo. Nunca usei nada muito impressionante quando saía com Colin. E ele parecia não ligar. Apenas para o que havia dentro de mim.

Sangue de demônio.

E agora, parando para pensar, tinha que admitir, infelizmente que Lucio tinha razão. Mas era óbvio que eu não iria dizer aquilo em voz alta.

“Bem, o que eu uso, usava ou deixo de usar não é da sua conta. Você é meu guardião e não meu estilista.”, eu disse e ao mesmo tempo vi a expressão de Lucio mudar de maliciosa para divertida.

“Vocês, garotas, se estressam a toa.”, ele sorriu. “Foi apenas uma opinião pessoal.”

Eu queria gritar com ele, bater nele, mas acabaria por acordar a Barbie e seu anjo. E, além disso, não faria nenhum arranhão se quer em Lucio. Aquilo era o que eu queria fazer, mas o que eu fiz foi dizer:

“Machista.”

“Hipócrita.”, retruquiu Lucio rindo.

“Demônio.”, foi a única coisa que veio a minha mente.

“Você não é nenhum anjinho, meu amor.”

Ele sempre tinha uma resposta para tudo?

“Eu te odeio”, eu estava verdadeiramente sem ideias.

“O amor e o ódio são duas faces da mesma moeda, Emi.”, ele começou a se aproximar de novo com um sorriso malicioso de volta, mas eu fui mais rápida e esperta e saí por debaixo do braço dele.

Como uma conversa sobre moda havia se tornado um assédio? Meu Jesus, quantas perguntas. Se eu tivesse, pelo menos, resposta para parte delas, ficaria satisfeita. Até que o outro assunto mais importante aparecesse.

Ainda rindo, Lucio abriu a terceira gaveta e me jogou uma toalha. Me atrapalhei um pouco para pegar a toalha, mas não a deixei cair no chão. Seria um ultraje. Ele havia me jogado a toalha ainda de costas para mim.

Voltei a sentar na cama e peguei meu segundo pijama. Na verdade, eu já estava usando um, mas seria uma , não boa, mas ótima ideia trocar de roupa.

“Pode deixar que eu termino de guardar as roupas.”, Lucio me assegurou pegando mais algumas das minhas roupas e guardando na gaveta.

Atravessei o quarto e assim que entrei no banheiro me permiti voltar a respirar. O banheiro era bastante enfeitado. Me questionei por um momento se deveria ou não deixar as luzes acesas. Porque, bem, eram quase seis da manhã e mesmo sendo uma madrugada elada, ainda continha um pouco de luz.

Ignorei todo o questionamento e acendi a porcaria da luz. O azulejo era branco, tornando o banheiro mais iluminando, e tinha uns desenhos de algum tipo de anjo com asas negras.

Coloquei minhas roupas em cima da pia e observei o desenho do azulejo. Os olhos âmbar, a pele morena e o corpo bem assertuado oculto apenas por uma calça. As asas abertas demonstravam o seu magnífico ser e ao mesmo tempo, seu poder de prender a atenção de todos. Vi também como seus cabelos escuros caíam em ondas pelo ombros, o tornando ainda mais belo.

Depois de um bom tempo tentando descobrir que figura era aquela, a respostas finalmente estourou em minha mente.

Lúcifer.

Não me perguntem como eu sabia. Eu também não sabia como sabia. Mas vendo o anjo caído, o mais belo e o melhor guerreiro que ficou ao lado de Deus e que caiu por amá-lo demais.

Mais um motivo para eu não ir a igreja. Nunca se sabe quando pode cair. Ainda mais agora que descobrir minha verdadeira espécie. Meia -demônio. Onde estava a cabeça da minha mãe quando resolveu se envolver com o seu guardião, ainda mais um demônio.

Passei um dedo sob a imagem, sentindo cada traço destacado pelo relevo e me forcei a tirar os olhos dos seus encantos. Finalmente tirei a roupa e tomei banho.

Quando saí do box, meu corpo estava cem por cento relaxado e pronto para cair na cama. Estava tão silêncio no quarto que eu imaginei que Lucio já estivesse dormindo. Mas assim que saí do banheiro e o encontrei olhando através da porta de vidro, vi que estava redondamente enganada. Ele, não só estava acordado, mas como estava, vamos dizer, pensativo.

Cheguei perto dele e coloquei a mão sobre seu ombro. Ele tirou uma das mãos do vidro e colocou por cima da minha. Só pelo reflexo vi seu sorriso cansado.

“Está sendo muito horrível descobrir quem você realmente é e em que mundo vive?”, ele perguntou me olhando através do reflexo.

Não sabia o porquê de estar ali. Nem porque estava tentando confortá-lo, mas eu estava. Era bom ser boa, apenas dessa vez.

“Não”, eu sorri. “Eu estou adorando. O mundo antigo é muito sem graça.”

Lucio virou-se e me encarou dos pés a cabeça. Seria melhor dizer que estava me estudando. Estudando minhas palavras, mas se eu estivesse mentindo morderia o lábio. E se a Barbie que ficou comigo apenas duas semanas sabia disso, então Lucio, obviamente saberia.

Depois de um longo tempo me estudando, Lucio colocou a mão livre meu rosto e sorriu novamente cansado, mas um pouco divertido.

“Eu pensei que diria outra coisa, mas aí não seria a minha querida... pupila.”

E para terminar, ele se inclinou na minha direção e me beijou na testa. No segundo seguinte, eu estava sozinha, olhando meu reflexo no vidro. Mas, o engraçado era que eu não conseguia me reconhecer.

Notas finais
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