Casa De Ferro

6 Canto das crianças


Notas iniciais
Espero que gostem =D

Liza se sentou em uma cadeirinha que tinha do lado da cadeira de balanço, ficou olhando para Jack por um bom tempo.

Ele não podia acreditar que estava sendo enganado o tempo todo, ele não conseguia entender como foi tão estúpido ao ponto de acreditar nela, sua irmã a considerava sua melhor amiga, tudo na cabeça dele estava girando, ele não conseguia entender direito nada do que estava acontecendo, então seus pensamentos foram interrompidos pela velha:

-Muito linda minha neta, não acha? — perguntou sabendo que não ia ter resposta. — Ela foi a melhor coisa que a mãe dela me deixou antes de morrer.

-Vovó, ele já entrou no quarto. – falou a menina com voz de preocupada.

-Não acredito que tenha descoberto nada queridinha. Quando você entrou lá, caro menino viu algo?

Jack pensou bem antes de responder, preferiu não falar nada para elas, pois tudo poderia ir contra eles, então ele apenas fez que não com a cabeça. Ele realmente não sabia o que fazer, queria sair dali o mais rápido possível, mas algo o dizia que sua irmã também estava lá e precisava de ajuda. Ele começou a lembrar do quarto, as coisas que tinham acontecido lá, isso não poderia ser um sinal para o que fazer, ainda mais que a frase não tinha sentido.

“Nada pode ser feito quando se está com fome.”

Ele pensou na cozinha, mas não conseguiu lembrar-se de nada que se pode ajudá-lo, então novamente seus pensamentos foram interrompidos, mas dessa vez não pela velha ou por Liza, mas por um bater de portas muito grande que se ouviu em algum andar de baixo na casa, o barulho fazia um eco que o dava arrepios.

Ele se levantou rápido e Liza também, a velha parecia não se importar, virou-se para neta e fez sinal para que ela se acalme, então Liza voltou a se sentar:

-Vá atrás do som menino, preciso que se livre dele pra mim, talvez quem sabe assim você recebe o que quer! — falou enquanto fazia movimentos com a mão para que ele fosse.

O menino olhou por um tempo para ver se ela falava sério e depois começou a andar para trás, não precisou abrir a porta, pois ela se abriu sozinha, ele passou e assim que saiu por completo a porta se bateu atrás dele, ele suspirou forte e seguiu em frente.

Ele seguiu para as escadas devagar pensando no que faria agora, precisava encontrar sua irmã, que ele nem tinha certeza que estava na casa, “e se ela estivesse no quarto da velha e não pude ver?”, perguntava-se ele com medo do pior.

Ao descer as escadas decidiu explorar um pouco mais a casa, pensou que sua irmã poderia estar em algum lugar onde ele ainda não tivesse passado.

Depois de seguir o corredor das três portas, verificou se as duas que não abriram antes continuavam fechadas, e estavam e a outra ainda abria, ele entrou de novo, mas dessa vez não passou da porta, olhou bem lá dentro, mas não teve coragem de entrar com medo que acontecesse de novo o que tinha acontecido antes.

Ele então fechou a porta e continuou andando pelo corredor, seguiu até chegar de novo na porta do salão de jantar, só que dessa vez ele não entrou lá, prosseguiu pelo corredor estreito até chegar à outra extremidade, lá ele encontrou duas portas, abriu a que estava mais perto.

Era uma porta grande e pesada, ao abrir deparou-se com um lugar realmente enorme, não esperava que aquela casa pudesse ter uma biblioteca tão grande e tão bonita.

Ela era enfeitada por uma decoração dourada nas paredes, parecida com a da sala de jantar, tinha mesas no meio e algumas poltronas nos cantos, e as estantes de livros ficavam por toda a volta, elas era altas, deveriam ter uns 500 livros cada.

Jack seguiu a biblioteca sempre com o lampião na frente para iluminar, em cada mesa tinha duas velas quais ele acendeu deixando o lugar tão iluminado que não precisaria nem do lampião, porém ele preferiu não apagá-lo.

Lá dentro era tão frio que ele pode ver uma fumaça branca sair de sua boca. Seguiu entre as estantes que faziam voltas pelo lugar, já tinha atravessado a metade da sala quando se encantou por um espelho enorme que o refletia, o espelho era todo decorado com flores nas pontas e sua forma deixava qualquer um mais bonito.

Jack não entendeu muito que um espelho estava fazendo na biblioteca, mas também não teve muito tempo pra pensar, agora outra coisa o chamava atenção, uma frase escrita na parte em cima do espelho, na frase se encontrava as palavras “A maioria das pessoas morrem quando acham que ficou tudo bem”.

As palavras ecoaram dentro da cabeça de Jack, ele olhou para os lados e se sentiu sendo olhado e foi então que se deu conta que ele realmente estava achando que estava ficando tudo bem.

Saiu correndo em direção à porta que parecia não chegar, ouviu um sussurro vindo de trás das estantes, começou a correr cada vez mais rápido e foi então que avistou a porta, antes de alcançá-la viu que as velas que tinha acendido na mesa estavam se apagando, uma de cada vez. Chegou à porta e tentou abri-la, mas ela estava trancada.

Voltou-se para olhar a biblioteca, que ia ficando cada vez mais escura, ouviu risadas baixinhas e sussurros se aproximando, agora só faltavam três velas a serem apagada. Ele correu para a janela que ficava perto da porta e viu que também estava cheia de madeira e de pregos.

Duas velas, ele começou a entender o que as vozes estavam falando, era como uma música, só que não entendia todas as palavras.

Uma vela, o lugar estava quase todo escuro, a música cantada pelas vozes estava chegando muito perto dele.

Todas as velas foram apagadas, só sobrou à luz do seu lampião, ele começou a se abaixar, se se encostou à parede e ficou cantando uma melodia que sua irmã cantava pra ele quando eram um pouco mais novos. Ele se encolheu todo esperando o pior, lembrou-se da frase que tinha lido no espelho. “A maioria das pessoas morrem quando acham que ficou tudo bem”, morrem, a palavra se revirava na sua cabeça, ele ia morrer, pelo menos se o espelho estivesse certo.

Então ele sentiu um sopro forte misturado com uma risadinha que apagou seu lampião, a biblioteca ficou um breu, uma escuridão total, não conseguia se ver nada, o silêncio tomou conta do lugar, até ele parou de cantar sua melodia, ouvia uma vez ou outra uns risinhos, ele começou a reconhecer os risos como risos de criança.

Então a música recomeçou e agora ele compreendia o que ela dizia:

“Conte de um a dez de olhos fechados.

As crianças só querem brincar.

Elas gostam de pregar peças.

Mas só querem te ajudar.

Um, dois, o tempo vai passar.

Um, dois, é só contar.

Um, dois, pode começar.

E no final tudo vai acabar.”

As vozes repetiam a música várias e várias vezes.

Jack então fechou os olhos e começou a contar:

-Um... -ouviu as risadinhas diminuírem e a música desacelerar. — Dois, três... — as risadas continuavam, porém as crianças já tinham parado de cantar. — Quatro, cinco, seis... — ele sentiu a presença de duas coisas, provavelmente duas crianças se sentarem ao seu lado. — Sete, oito, nove... — sentiu que seu lampião qual ele segurara com força tinha sido acendido — Dez!

-Pode abrir os olhos agora. — disse a vozinha fina de uma menininha.

Jack abriu os olhos lentamente e viu duas crianças sentadas do lado dele. Provavelmente tinham a mesma idade, sorriram pra ele:

-Quem são vocês? — perguntou ele.

-Ainda não sabe? — falou o menininho com uma voz muito engraçada enquanto ria junto com a menina. — Achei que fosse mais esperto.

-Ainda mais com a pista que deixamos pra você em forma de sonho. — falou a menina.

Então Jack reconheceu as crianças, eram as mesmas que viu no sonho, no sonho eram três crianças, ali só tinha duas:

-Cadê a outra menina, uma um pouco menor que vocês? – perguntou ele.

-Ela não mora aqui, ela não morreu aqui igual à gente — falou a menina.

Jack ficou paralisado.

Notas finais
Tentarei postar mais capítulos hoje =) Reviews