Casa Ao Lado

3 Começando o Jogo.


Notas iniciais
Bem pessoal, eu não estou habituada a dar títulos aos capítulos, porém vou me esforçar nessa parte. E como o combinado está aqui mais um capítulo para vocês.
Espero que gostem e nos vemos nas reviews, qualquer dúvida, sugestão, ideia, podem me dizer porque estou aberta à isso!

POV Edward.

Depois de Bella sair como uma fugitiva de minha casa eu me senti culpado pelo seu constrangimento evidente com minhas palavras. Era para ser uma brincadeira como todas as outras, tudo bem que era totalmente nova, mas eu pensava que não teria importância e que ninguém ali levaria para o lado pessoal. Isabella era minha melhor amiga, era injusto pensarem coisas improprias sobre nós.

No sábado à tarde eu havia tentado me desculpar com Isabella por não ter seguido com a nossa rotina na noite de sexta-feira, mas as coisas saíram do controle eu acabei passando a noite com Heidi. Eram raras as noites em que eu conseguia passar um tempo a sós com ela para que pudéssemos colocar o nosso ‘papo’ em dia.

Meu pai, Carlisle, que é médico, faz plantões noturnos no hospital de Port Angeles. Ele decidiu que nós nos mudaríamos para Forks quando recebeu uma proposta de emprego nesse mesmo hospital, e como ele já estava à algum tempo tentando achar um lugar calmo e afastado da cidade grande – Los Angeles – ele acabou aceitando e unindo o útil ao agradável, Esme, claro, aceitou sua posição. Como seus plantões eram noturnos ele quase nunca estava em casa nesse período e eu não me sentia confortável em deixar Esme e Alice sozinhas no meio da noite. Meu irmão Emmett, um ano mais velho que eu, era aluado o suficiente para sair com garotas justamente nesse tempo, sendo assim eu assumi esse posto na ausência de Carlisle.

Eram quase onze horas da noite quando Carlisle se despediu de nós para ir à caminho do hospital. Mais alguns minutos, Charlie chegaria da delegacia e o inferno na vida de Isabella Swan começaria novamente. Não que somente ele fosse o problema, era a combinação Charlie e Renée que colocava aquela casa de cabeça para baixo. Quando havia a ausência de um deles era como se Bella não existisse naquela casa, o que a deixava tão machucada que eu era capaz de sentir a sua dor.

Tratei de tomar um banho rápido – não só pela pressa, mas o tempo estava realmente muito frio e a chuva corria sem piedade através do vidro de minha janela. Após vestir um moletom cinza qualquer, peguei dentro do meu closet o colchão extra que eu vinha usando para dormir no chão e o posicionei em seu lugar de sempre, ao lado da minha cama. Depois de mais alguns ajustes como lençóis, travesseiros e cobertores, busquei por meu celular e mandei uma mensagem para Isabella.

Tá tudo pronto, vem.

Edward.

Mas a chuva ao lado de fora não sessava. E isso me preocupou, porque eu não iria arriscar que Isabella caísse da escada de cara no chão, o que era bem típico dela. Se aquela garota era estabanada por natureza, imagine só quando a mesma contribuía para ela ser estabanada em dobro. Com certeza eu não poderia arriscar.

Está chovendo muito e eu já estou deitada. Talvez outro dia. Obrigada mesmo assim.

Bella.

Estranhei a sua resposta, era claro que ela ainda estava chateada com o meu comentário inútil algumas horas atrás ou somente estivesse com vontade de me bater pelo ocorrido. Já irritado por ser um idiota, deitei na minha cama que Isabella poderia dormir aquela noite e tentei pegar no sono. Reparei que o lençol, os travesseiros e até mesmo o cobertor tinha um típico cheiro de morangos que eu conhecia muito bem. Repentinamente respirei fortemente ali, saboreando o cheiro que eu adorava completamente em segredo.

Era estranho que depois de uma semana eu estivesse dormindo em minha cama novamente, pois eu já havia me acostumado a dormir no chão frio e duro, que apesar do colchão aparentemente macio, não adiantava muita coisa.

Foi quando eu estava quase pegando no sono que eu recebi uma mensagem.

Me desculpe. Eu ainda posso ir?

Bella.

Já havia se passado quase uma hora desde que ela havia recusado vir para cá. Sorri como o idiota que eu era; claro que Isabella teria que tentar dar uma de durona e depois entender que ela não conseguiria encarar a situação por muito tempo, ela teria que estar aqui para que eu pudesse protegê-la.

Não dá pra ser durona por muito tempo, né? Você mais parece uma gatinha raivosa, não faz medo pra ninguém.

Edward.

A resposta foi imediata. Curta e grossa.

Não estou tentando fazer medo para ninguém.

Bella.

Ai.

OK senhora seriedade. Saia pela porta dos fundos, não quero que você caia da escada com essa chuva forte e quebre os ossos. Estou a caminho.

Edward.

Desci as escadas silenciosamente, todos já estavam dormindo – exceto Emmett que havia ido para um pub – e antes de sair também pela porta da cozinha peguei um guarda-chuva, não que eu me importasse com a chuva, era somente por ela. Como Isabella morava na casa ao lado bastou alguns passos sob a chuva forte para que eu parasse ao lado da porta de sua cozinha. Os gritos pareciam dessa vez vir do segundo andar da casa, por isso ela não estava suportando a discussão bem ao pé de seus ouvidos.

Um minuto mais tarde a pentelha abriu a porta enfiando-se embaixo do meu guarda-chuva e agarrando-se a mim como um bicho preguiça se agarra a sua mãe. Fiquei sem reação por um segundo, logo depois tomando minha postura e a conduzindo até a porta dos fundos da minha casa. Não chegamos tão molhados quanto eu imaginava porque Bella estava completamente agarrada a mim.

Deixei o guarda-chuva jogado do lado de fora enquanto entreabria a porta para Isabella entrar. Ela apoiou-se na bancada da cozinha passando a mão entre os cabelos os jogando para trás, foi quando eu percebi o estado em que ela estava. Isabella usava um moletom, talvez três vezes o tamanho dela. Seus olhos estavam inchados e vermelhos, destacando de forma triste os grandes orbes chocolates que ali estavam, e era evidente perceber que ela prendia o soluço entalado em sua garganta. Senti uma pontada forte no peito, percebendo que eu preferiria sofrer em seu lugar a vê-la naquele estado deplorável em que se encontrava.

Ela nunca havia escalado a minha janela daquele jeito, o soluço preso na garganta, os olhos tão inchados e vermelhos, o nervosismo aparente de mexer no cabelo sem parar e o modo que ela havia me abraçado assim que me viu. Havia algo a mais, e eu queria saber.

Aproximei-me lentamente de Isabella e quanto mais eu me aproximava mais era difícil para ela controlar o choro, era tão evidente que eu me peguei tremendo em ansiedade.

– Bella...

Foi eu simplesmente pronunciar seu nome que ela desabou completamente em minha frente, deixando as lágrimas levarem consigo as barreiras invisíveis que ela havia construído.

– Eles... Eles...

–Shhh... – Eu sussurrei e a puxei para meus braços tentando acalma-la.

Isabella veio sem hesitar enterrando de uma vez a cabeça em meu peito e eu a apertei mais forte junto a mim. Eu não estava apenas curioso com o que havia acontecido, eu estava preocupado porque eu realmente me importava com ela.

Depois que Isabella conseguiu se acalmar, nós subimos silenciosamente até meu quarto sem fazer nem um barulho sequer. Ela caminhou até minha cama como de costume a afundou o rosto no travesseiro, inalando fortemente ali.

– Desculpa. – Isabella disse simplesmente.

– Eu só desculpo se você me contar o que aconteceu.

Houve um silêncio e eu vi os orbes chocolates observarem o teto e mais lágrimas ameaçarem cair dali.

– Eu já te disse que não gosto de ver você chorando, não é? – Perguntei.

– Sim...

– Vai me contar ou não?

Bella fechou os olhos balançando a cabeça negativamente e eu decidi não forçar a barra, mas fui surpreendido por sua voz cortando o silêncio.

– No meio da discussão minha mãe disse que se arrependia de ter um vinculo... Uma coisa... Que os ligassem, e antes que eu deduzisse que esse vínculo era eu ela confirmou. Ela disse que se arrepende de ter me colocado no mundo porque eu vinha de meu pai. E ele falou “finalmente uma coisa que nós concordamos”, porque eu sai de dentro dela.

Esperei Isabella completar com mais palavras, porém nada mais foi dito. Passei e repassei o que eu escutei em minha mente tentando a todo o custo encontrar um modo em que eu tivesse entendido de maneira errada, mas não. Os próprios pais dela haviam a negado.

Por um momento tentei imaginar minha vida sem ela, e surpreendentemente eu não consegui. Talvez se eu nunca a tivesse conhecido minha vida poderia estar como estava hoje, eu poderia estar feliz e continuar vivendo. Mas eu conhecia Isabella, ela já havia entrado na minha vida e era minha melhor amiga. Se ela desaparecesse aqui e agora, eu simplesmente não conseguiria seguir em paz sem ela. Porque Isabella fazia parte de mim. E era tarde demais para imaginar a minha vida sem ela.

Engoli em seco.

– Eles não... Deveriam... Eles não queriam dizer isso, Bella. – Eu disse com a voz falha, tomando consciência dos meus pensamentos.

– Eles não deveriam, mas queriam dizer isso sim. – Sua voz soou conformada.

– Eles disseram sem pensar.

– A gente fala o que pensa sem pensar. Se pensássemos, não falaríamos.

Ficamos em silêncio por um bom tempo. Eu precisava desse silêncio e Bella também. Não era justo com ela ser negada desse jeito pelas pessoas mais importantes de sua vida, a quem ela com certeza daria sua vida para proteger, a quem ela amava com tanta intensidade.

Isabella soltou uma respiração longa e pesada enquanto eu me deitava em meu lugar de costume. Meus dentes ameaçaram bater, mas eu ignorei como pude a sensação. O frio naquela cidade estava aumentando cada vez mais e se continuasse assim, mais alguns dias e eu teria que arranjar outra cama confortável e quente para colocar naquele quarto.

Já acomodado olhei para Bella que mantinha apenas os olhos para fora da coberta. Ela estava incrivelmente fofa, por assim dizer, e a tristeza de antes não parecia estar a perturbando como estava. Ela murmurou alguma coisa que eu não entendi, o cobertor impedindo que sua voz chegasse até meus ouvidos.

– Eu disse que você é um ótimo amigo. – Repetiu um pouco mais alto e mesmo assim levei algum tempo para processar suas palavras enroladas.

Tudo o que eu fiz foi sorrir feliz pela informação, ciente de que eu estava cumprindo o meu papel de amigo. Mas não era como se eu me sentisse obrigado a tal ato, eu sentia uma estranha necessidade de cuidar dela desde sempre.

Eu não vou mentir, quando eu bati os olhos em Bella pela primeira vez meus pensamentos foram tomados por segundas intensões e eu tracei vários planos e estratégias para ao menos ter uma noite com ela. Isabella era linda, cabelos cumpridos e ondulados na cor mogno até o meio de suas costas, olhos que mais pareciam chocolates derretidos, lábios naturalmente vermelhos e totalmente convidativos, pele alva e macia como a de um bebê, curvas suaves e estatura na medida em que eu julgava ser perfeita para mim. Ela realmente era perfeita, sem dúvida alguma. Porém, antes que eu pudesse colocar meus planos em prática Alice tornou-se amiga dela. De início eu achei ótimo, pensei que isso facilitaria meu trabalho, porém não, o complicou ainda mais. A garota tímida que ela se mostrou não deixou que eu chegasse perto “demais”, e antes de qualquer coisa nos tornamos amigos. Isso foi o suficiente para eu perceber que preferiria a amizade da pessoa incrível que aquela garota era do que a perder por causa de um fim de namoro ou simplesmente uma pegada fácil. Preferi cultivar sua amizade ao invés de investir em algo mais arriscado e perde-la para sempre. Logo de cara eu tive medo de perdê-la e isso me apavorou. Eu poderia me contentar com a sua amizade e se eu não conseguisse eu aprenderia. Ela era diferente de todas.


Primeiro eu escutei uma voz distante, era mais como um sonho até o momento em que tentou arrombar minha porta. Sentei-me no colchão desnorteado até perceber a luz cinzenta entrando pelas frestas da janela, indicando que já era manhã. Desviei meu olhar para a cama logo ao meu lado e vi uma Bella completamente adormecida. Seu semblante era cansado, mas ela não parecia estar triste ou algo do tipo, era como se estar ali a fizesse mais feliz, nem que fosse por uma noite.

– Edward Cullen, abra esta porta agora! – Emmett gritou do corredor.

– O que você quer? Pare de gritar, tem gente dormindo aqui! – Retruquei.

– Tem gente dormindo aí? Heidi está aí? Céus, você nunca trouxe nenhuma namorada para dormir em casa. Preciso registrar esse momento.

– Não, Emmett! Eu quis dizer que tinha gente dormindo aqui, mas você fez questão de acordar. Cale essa boca ou fale baixo.

“A gente fala o que pensa sem pensar. Se pensássemos, não falaríamos”.

– Ah sim. Dona Esme está tentando acabar com a minha sanidade, ela quer fazer a compra do mês. Anda logo que ela está esperando para nos arrastar até o mercado e o pai está impaciente com nossa demora, e ele nunca fica impaciente! Cuidado, rapaz!

– Já estou indo, agora vaza. – Respondi de mal humor.

Busquei por meu celular perdido no meio dos cobertores até ver que ele indicava dez horas da manhã. Droga, dormi demais. Normalmente Bella estava em casa novamente por volta das sete, o horário que acordávamos para ir para o colégio. Como ela sairia daqui sem ser notada? Droga mais uma vez.

Não que eu não quisesse que ninguém percebesse a presença dela aqui, mas era realmente estranho a sua melhor amiga dormir no seu quarto todas as noites sem que algum idiota pensasse que rolasse algo. Ela entendia e pensava da mesma maneira que eu; por isso entramos nesse acordo. As noites dela aqui era um segredo só nosso e ninguém mais precisava saber.

Escovei os dentes e esvaziei minha bexiga antes mesmo que Isabella acordasse, coloquei uma roupa quente o suficiente para encarar o frio lá fora e fui acordar a Bella adormecida.

– Ei, Bella? – Falei debilmente mexendo em seu ombro.

Não ouve nenhum retorno, apenas um resmungo sem nexo da parte dela.

– Bella? Dormimos muito, você precisa ir. Eu vou ao mercado com meus pais, fazer compras, essas coisas.

– Hm? – Ela virou para o lado resmungando novamente e enterrando a cara no travesseiro inalando ali.

– OK, você não gostaria de acordar com cocegas não é, magrela? – Nota mental: Bella odiava quando eu a chamava de magrela.

– Você sabe que eu faço xixi com cocegas, Edward. – Ela balbuciou com a voz alerta.

– Todo mundo já acordou...

– Como? E como eu vou sair agora? – Bella sentou-se na cama me olhando alarmada.

– Relaxa, espera a gente sair de casa e eu deixo a minha chave com você e tá tudo resolvido, mais tarde eu pego ela de volta.

– Ah, sim... Claro. Muita inteligência da minha parte não ter pensado nisso antes. – Reclamou.

– Também acho, além de magrela pensa como uma loura.

Isabella rolou os olhos e me socou com força no braço.

– Você bate como uma mocinha. – Mentira, doeu.

– Eu sou uma moça, mas bato como um macho.

Ri da sua expressão levemente irritada.

– Tá rindo sozinho Edward? – Alice gritou do corredor. – Eu estou te esperando há horas! Eu fui a primeira a estar de pé.

– Como se eu não soubesse que você seria a primeira a acordar.

Alice bufou do outro lado e ouvi seus passos de distanciarem em direção às escadas.

Um segundo mais tarde o celular de Bella começou a tocar e ela atendeu imediatamente.

– Oi, Alice...

“Não, eu não vou poder ir com vocês...”.

“Estou com dor de cabeça, fica para a próxima.”

“Não vou sair com dores, Alice”.

“Não, dessa vez você não vai me convencer... Sim... Tchau”.

– Eu não menti, ok? Realmente estou com dor de cabeça. – Bella se apressou em dizer.

– Quer um analgésico? – Perguntei.

– Você nunca teve aulas de biologia? Não podemos nos automedicar. – Reprovou-me.

– É só uma dor de cabeça, não tem problemas. – Dei de ombros.

– Claro que tem, não estou pronta para morrer.

– Você às vezes chega a ser dramática tanto quanto Alice.

– Nunca. – Desafiou-me.

– E muito certinha também.

– Talvez.

Isabella me olhou sustentando um olhar desafiador e eu retribuí.

– Edward! – Esme gritou.

Rolei os olhos, despedi-me de Isabella e desci de encontro a minha família.


–


Assim que saímos não demorou muito para que Isabella me mandasse uma mensagem dizendo que já estava em sua casa. Minha tarde foi resumida em rodar Forks e depois Port Angeles, e como sempre, não foram apenas mantimentos que compramos, Alice nos obrigava a parar em todas as lojas que estavam a sua vista.

– Como está Bella, Edward? – Carlisle perguntou.

– Ah pai, ela está bem na medida do possível.

– Quase todas as noites eu posso ouvir os gritos dos pais dela, isso é tão injusto. Ela é uma garota tão boa, não merecia passar por essas coisas. Charlie e Renée deveriam dar valor à filha que eles têm. – Esme disse pensativa.

E nem esse valor eles dão, se arrependem de tê-la colocado no mundo, pensei.

– Mãe, nós deveríamos adotar ela. – Emmett disse enquanto mexia no celular.

– Não seja idiota, é claro que os pais dela não deixariam. – Disse Alice. – Apesar de não ser uma má ideia.

– Se Bella fosse minha filha eu não a deixaria ir morar com outras pessoas. – Carlisle disse – Ela é uma ótima garota.

– Estou com ciúmes. – Soltou Alice.

Pude ouvir o riso de meus pais à frente do carro.

– Alice, não seja idiota, é claro que apesar de você ser o ser mais irritante do planeta Terra a mamãe e o papai não deixariam você ir morar com outra família também. – Disse Emmett.

– Obrigada! – Ela disse abrindo seu melhor sorriso.

– Pense só neles sendo processados por tentativa de homicídio através de uma filha, seria trágico. Eles não iriam querer passar por isso. – Completou Emmett.

– Mãe! – Alice quase gritou.

– Emmett! – Esme o repreendeu – Peça desculpas à sua irmã agora!

– Desculpa anã de jardim. – Eu quase o podia ver revirar os olhos.

– Quando chegarmos em casa você vai ter que beijar meus pés. – Alice como sempre dramática ao extremo.

– Talvez eu sequestre Bella assim que possível. – Esme pontuou casualmente e eu ri.

Era meio impossível ninguém gostar de Isabella.

Quando chegamos eu e Emmett fizemos cerca de cinco viagens juntos para colocar as compras para dentro, já que Carlisle foi dormir para mais uma rodada aquela noite. Hoje era domingo e como de costume eu iria ter um encontro com Heidi, então como o céu ameaçava desabar a qualquer momento me apressei em sair de casa e voltar até a hora em que todos estivessem prontos para dormir.


POV Bella.

Assim que eu vi pela fresta da janela o carro de Carlisle desaparecer ao fim da rua tratei de arrumar o quarto de Edward como eu fazia todas as manhãs. Edward não ficava reclamando da minha organização e até tentava me ajudar mesmo não tendo sucesso nesse tipo de tarefa.

Depois de guardar o colchão em seu closet e dobrar os lençóis e cobertores, parti para fazer a sua cama – que agora eu dormia quase todas as noites. Antes de sair do quarto eu dei uma ultima fungada em seu travesseiro, ali estava concentrado todo o cheiro de Edward, e esse era um habito completamente estranho que eu estava desenvolvendo. Sempre que eu chegava, acordava e saia daquele quarto tinha de inalar ali; e eu me achava uma completa louca e psicopata por isso.

Infelizmente eu havia de voltar para o meu ‘lar doce lar’, e assim que terminei meus afazeres eu fui para casa sem um pingo de vontade de fazê-lo. Entrei pela porta da cozinha e para minha surpresa meu pai estava à beira da pia lavando alguma fruta. Senti um frio correr por toda a extensão de minha espinha, já me preparando psicologicamente para a enxurrada de perguntas que ele faria para mim e todas as mentiras que eu poderia contar. "Dormi na casa do cachorro", nós não tínhamos um cachorro. "Eu acordei cedo e passei a manhã toda no jardim", ele não acreditaria. Como Edward uma vez havia falado, eu era uma péssima mentirosa.

Mas Charlie nem se deu ao trabalho de me dar bom dia. Ele ouviu o som da porta se abrindo, olhou para a minha mão que abrigava as chaves de Edward e voltou sua atenção para a fruta em suas próprias mãos. Eu nunca havia me sentindo tão pequena e insignificante em toda a minha vida. Meu pai sabia que eu passei a noite fora, mas não fez questão de querer saber onde eu havia me enfiado. Era estranho, porque ao mesmo tempo em que eu não queria responder esse tipo de pergunta eu queria que ele se importasse comigo, e definitivamente ele não se importava; não mais.

Domingo era o dia em que meu pai estava de folga e consequentemente minha mãe ia para Port Angeles encontrar com suas amigas, quando ela não voltava no final da tarde ela só estaria de volta ao fim da noite. Charlie e Renée faziam de tudo para não se encontrarem, porém durante a semana isso era inevitável.

À tarde eu ocupei todo o meu tempo relendo “O morro dos ventos uivantes”, essa era a única terapia que me tirava do presente e me colocava dentro de um universo paralelo que eu nunca teria acesso a não ser dessa forma.

No fim da tarde eu ouvi o som do motor do carro de Carlisle e os fiquei observando silenciosamente da janela. Esme instruía os meninos com as sacolas e Alice parecia fazer o mesmo, depois de algumas viagens deles com as sacolas vi Edward entrar na garagem e sair com seu volvo. Eu não sabia para onde ele estava indo, mas torci para que ele estivesse de volta ainda essa noite.

Minutos mais tarde o céu escureceu dando lugar a uma Lua cheia que ameaçava sumir por causa da neblina intensa na cidade. Eu estava morrendo de fome e antes de descer à cozinha em busca de algo para comer, soltei meu cabelo que estava preso em um coque no intuito de proteger meu pescoço do frio.

E eis um fato curioso: Meus pais estavam tão perturbados que ao abrir a geladeira só havia algumas frutas e comida congelada de todos os tipos. Nem alimentação saudável nós teríamos mais nesta casa. A descrença de minha parte foi tão grande que deixei sair um muxoxo de meus lábios.

Enquanto eu colocava um macarrão congelado no micro-ondas eu vi meu pai assistindo a um jogo de futebol. Não fiz questão de me juntar a ele como antigamente, já que agora ele parecia não querer mais minha companhia para nada em sua vida.

Uma vez que meu macarrão estava pronto, sentei-me na cadeira e coloquei meu prato sobre a mesa, despejando ele ali dentro e comendo como uma devoradora de ursos, eu não tinha percebido que estava com tanta fome até aquele momento.

“Por que não demorou mais? Estou farto de ver seu rosto todos os dias.” Era Charlie.

“Essa casa também é minha, eu tenho o direito de morar aqui assim como você.”

“Eu não vou sair daqui, esta casa era minha antes de ser sua também!”

“Pois eu desejo que um meteoro atinja esse lugar e mate todos nós, assim eu não preciso mais viver nesse inferno”.

“Você só vive porque quer, sua opção é sair daqui!” Charlie completou.

Antes que o desejo de vomitar me tomasse eu larguei metade do meu macarrão e rumei para o meu quarto. Essa era uma casa de loucos e se eu não quisesse ficar como eles eu teria que sair de lá urgentemente, mas eu não podia. Um deles teria que sair, para o bem dos três.


Eram quase onze horas. Não havia mais gritos essa noite e fiquei curiosa para saber o motivo. Eu estava tão habituada a esse ambiente de guerra que estranhei o fato do silêncio perambular pela casa justamente na hora que os gritos tomavam força total.

Meu celular vibrou.

“Bella, você não quer vir dormir aqui? Se não puder eu vou aí ficar com você.”

Alice.

A mensagem não era de quem eu esperava, mas mesmo assim estava valendo. Eu não vi o carro de Edward chegar, a luz de seu quarto não estava acesa e juntando os acontecimentos ele não estaria e volta essa noite, era simples entender.

Ao passar pelo meu quarto eu pude ver Renée dormindo no quarto ao lado, o único de hospedes que nós tínhamos. Ela havia tomado essa postura há meses atrás, não seria difícil concluir que meus pais já não dividiam a mesma cama.

Encontrei meu pai na sala, ele não assistia televisão e a luz estava apagada. Charlie parecia um fantasma de algum filme de terror, olheiras e completamente imóvel.

– Pai... Eu vim pedir sua permissão para dormir na casa de Alice. – Sussurrei.

Houve uma grande pausa, o silêncio ainda estranho se mostrava presente.

– Não.

– Mas pai...

– Eu disse não! – Ele gritou levantando-se furiosamente do sofá.

Engoli o nó que se formou em minha garganta e lutei contra as lágrimas que ameaçavam me tomar.

– Aquela casa tem duas mulheres loucas e três homens que podem querer se aproveitar de você a qualquer hora da noite. Você não tem medo disso Isabella?

Paralisei por um momento. Eu precisava processar as palavras da maneira que elas estavam sendo expostas para mim. Primeiro: duas mulheres loucas; em hipóteses alguma Alice e Esme seriam loucas, eles eram pessoas felizes, de bem com a vida e que contagiavam todas as pessoas que a cercavam com uma facilidade absurda. Isso era qualidade, não era loucura.

Segundo: Os três homens eram Carlisle, Edward e Emmett. Como ele ousava dizer que eles iriam se aproveitar de mim no meio da noite, como ele poderia insinuar que caras como meus melhores amigos e um homem tão bom que havia construído uma família maravilhosa fariam uma coisa tão suja e nojenta comigo? Como ele poderia julgar alguém que ele ao menos conhecia? Ele nunca trocou mais do que palavras educadas com qualquer um deles!

– Você... Não sabe do que está falando. – Minha voz saiu firme cortando o nó em minha garganta.

– Eu sei muito mais do que você pensa, garota.

– Não, você não sabe.

Fiquei imóvel até Charlie passar por mim e ameaçar subir as escadas. Ele recuou um instante para dizer algo mais.

– Se eu souber que você está passando as noites naquela casa eu coloco a polícia atrás daquela família por sequestro. Eu não tenho tempo e muito menos cabeça para ficar seguindo seus passos. Eu não vou ao seu quarto à noite checar se você está lá ou não, eu não vou colocar trancas nas portas e não vou cercar a casa com cerca elétrica. Eu não vou te encher de perguntas. Então se fizer algo faça muito bem feito e torça para que eu não descubra, ao contrário, está avisada.

A raiva que me atingiu era tão grande que eu pude sentir o sangue quente correndo pelas minhas veias. Todos aqui estavam loucos o suficiente para dizer absurdos aos quatro cantos e eu não poderia me deixar tomar por eles. Eu havia de me manter sã.

Eu queria muito ir Alice, mas meu pai não me deixou.

Bella.

Subi para o meu quarto e recebi duas mensagens de uma vez.

“Eu sinto muito, mas não desrespeite seu pai, ele está com a cabeça a mil e qualquer coisa que você desobedecer pode ser pior para você.”

Alice.

“Bella, eu não vou voltar para casa essa noite. Emmett está lá. Mas você tem a minha chave ou se preferir use a escada, meu quarto é todo seu. Boa noite e, por favor, espero te encontrar lá pela manhã.”

Edward.


Eu não iria ficar no meu quarto essa noite, isso era certo. No momento eu não senti medo do que meu pai ameaçou fazer comigo, eu só teria que fazer tudo bem feito para que ele não soubesse onde eu estava, nem perguntas ele me faria. Seria exatamente isso que eu iria fazer; se eu não tinha amor em casa, paz, felicidade, eu teria que sair a procura disso escondida... Na casa ao lado.

Sendo assim, considerei a hipótese de ir para Alice ou ficar a sós no quarto de Edward, enquanto com certeza ele estaria com sua namorada por aí. Isso me magoou, mas empurrei o sentimento para o meu baú interno de esquecimentos, aliás, ele era apenas meu amigo e eu não tinha nenhum poder sequer sobre ele. E novamente isso me magoou, o que diabos estava acontecendo?

Repensei no que eu estava sentindo. Eu não entendia se eu estava magoada por precisar de Edward comigo e ele não estar lá, ou estivesse apenas chateada por ter de ficar sozinha aquela noite. Todavia, isso não era o caso, porque eu tinha a escolha de ficar com Alice também. Ao cogitar essa possibilidade eu ainda sentia a sensação perturbadora de abandono em meu peito mesmo podendo estar com ela, o que me levou a conclusão de que eu precisava de Edward comigo, e somente ele poderia tirar aquela sensação de mim. Era uma espécie de necessidade e novamente me perguntei o que estaria acontecendo comigo. Não era certo eu me sentir assim na ausência dele.

Com medo de que ainda restasse alguém acordado nos Cullen, eu preferi escapar pela janela de meu quarto, já que a escada ainda permanecia lá. Não demorou muito tempo até que eu caísse para dentro do quarto de Edward e de imediato fosse cheirar o seu travesseiro que continha o cheiro único e exclusivamente dele.

“Já estou aqui, nos vemos de manhã. Boa noite.”

Bella.

E assim, esperei ansiosamente para que o dia de amanhã chegasse. Unicamente e exclusivamente para poder ver ele.

Notas finais
O que acharam?? Já deu pra perceber que o Edward tem um abismo pela Bella, mas ele prefere cultivar a amizade do que correr o risco de perder ela!
No próximo capítulo Edward e Bella começam a se aproximar ainda mais, estou ansiosa para que vocês leiam o capítulo, então me deixem bem feliz! HAHA! Boa noite e até o próximo! ♥