Acredite, você não era a pessoa mais indicada para me julgar. Mas julgava. Me olhava com uma repulsa que eu não entendia. Não fazia ideia o porquê eu era tão impura aos seus olhos sempre que estava na sua cama. Pois você mesmo sabia que você foi meu primeiro e era o único... Sempre foi o único...

Eu queria confronta-lo. Queria questionar seus olhares... Morder até arrancar algum gemido de dor dos seus lábios mudos para servir de explicação para qualquer coisa. Eu apenas queria algo de você além de apenas oferecer.

Achei que aquela noite seria uma boa oportunidade. Seus olhos não estavam tão severos, suas mãos não estavam tão pesadas, seu corpo não estava tão machucado...

Talvez finalmente eu estivesse lhe causando algum sentimento a mais... O sentimento que vivia em mim, por você.

Mas não... Era apenas os ferimentos de sua alma que haviam se acumulado em anos de guerra. Aquela guerra idiota que tirara você do mundo social... De mim...

-Severo... — Sussurrei para tentar iniciar alguma conversa, mas foi inútil. Logos suas mãos não tão pesadas saíram dos carinhos de meu rosto, para puxarem meu cabelo com força fazendo me aproximar mais de você e sentindo sua boca tomar a minha.

Já se fazia duas semanas que não nos víamos. Por mais dolorido que fosse, eu estava com saudades dos seus beijos.

Por tanto tempos eles me bastaram... Mas naquela noite não. Eu precisava de algo a mais... Precisava de algo que me fizesse sobreviver aos dias sem você. Precisava de algo em que me agarrar para não desfalecer como sempre fazia.

O empurrei com toda minha força para longe, mas seu corpo se moveu poucos centímetros para longe de mim. Isso, apenas, porque ficou surpreso.

Senti você se aproximar ignorando meu empurrão, indiferente. Mas não podia deixar passar. Lutei com tudo que eu tinha, me debatendo, mas era tão inútil. Senti suas mãos prendendo meus braços acima de minha cabeça como se eu não estivesse fazendo esforço algum.

Sem perceber as lágrimas rolavam enquanto eu me debatia.

-Não quero... Eu não posso... Severo pare.. — Eu gritava loucamente enfurecida tentando me soltar.

-Hermione! — Ele disse alto o suficiente para eu escutar em meio aos meus gritos. Fora a primeira vez que ele se dirigia a palavra à mim em um longo tempo.

Fiquei imóvel. Não sei se estava esperando o que viria a seguir ou eu só não tinha reação alguma.

Seus olhos estavam duros, mas havia algo a mais ali... O algo a mais que eu tanto procurava. Sinceramente, não saberia dizer se ele estava forçando aquele brilho apenas paramais uma noite ou se era real... De qualquer forma, isso significava que ele não era tão indiferente à mim como parecia.

Aquilo bastava.

Suas mãos foram me soltando lentamente, deslizando pelos meus braços, passando por cima de meus seios cobertos pela camiseta, minha cintura...

Eu ainda estava imóvel na cama, sem coragem de me mexer e descobrir que aquilo era um sonho.

Seus olhos ainda estavam nos meus. Com aquele brilho... Um brilho no fundo de pedras negras e profundas, lindo!

Uma de suas mãos afagaram levemente minha bochecha. Chegava a ser quase dócil da parte dele...

Senti seu halito de café e cigarro com um misto de hortelã em meu rosto enquanto ele se aproximava. Seus lábios tocaram suavemente os meus, ásperos como sempre, mas gentis como a muito tempo não eram.

Sorri em meio ao beijo.

Envolvi minhas mãos em seus cabelos longos de mais àquela altura do momento.

O beijo era macio, aconchegante, amoroso, gostoso... Enquanto sentia suas mãospercorreram meu corpo, avidas, mas calmas...

Me afastei um pouco, descendo meus lábios pelo seu pescoço... Até sua orelha.

-Eu amo você. — Sussurrei.

Se eu não tivesse com as mãos em sua nuca, não teria percebido o arrepio que ele sentiu. Sorri voltando a beija-lo.

xxx-xxx

Não houve mais noite como aquela. Mas de uma estranha forme, aquela havia me bastado. Você chegava e eu não pedia mais demostrações de amor como antes. Seus olhos continuavam duros, mas a repulsa não estava mais ali.

Era o suficiente para eu sorrir de vez enquanto em meio ao caos.

Levávamos aquele estranho relacionamento a 2 anos. Por mais que tivéssemos em meio a uma guerra e mesmo que não estivéssemos nossas posições na sociedade e a diferença de idade fossem grandes... Esses fatos não me impediam de sonhar um futuro com você.

Era quase involuntário. Nos imaginarmos em uma casa trouxa, com filhos normais... Você trabalhando, eu também... Cuidando de nossas vidas... Juntos... Era animador e aliviava um pouco a tensão que eu vivia sempre que você saia em combate.

E foi em uma dessas tardes levianas em que eu estava sentada em nossa cama com um livro em mãos mais imaginando como você estaria do que prestando atenção que eu recebi uma visita inesperada.

Eles entraram destruindo tudo.

Haviam descoberto a sede da ordem. E nos levaram. Ainda bem que estávamos apenas Gina e eu.

Lutamos com todo fervor, mas eram muitos. 7 contra duas. Claro que eles esperavam encontrar mais pessoas importantes do que duas mulheres apenas. Mesmo assim tiveram que lutar para conseguirem algo dessas duas mulheres.

Não fazia ideia para onde tenham levado Gina, mas quando cobriram meus olhos e entrei em um trem depois de uma longa viajem de carro, imaginei estar indo para Hogwarts e para qual não foi minha surpresa quando me encontrei na sala do diretor.

Acordei desnorteada, Dumbledore me olhava com piedade de seu quadro quando ouvi uma voz conhecida não muito distante, me virei assustada e então pude vê-los.

Valdermort, Belatrix e você.

-... Não é ele seu casinho, Severo. — Sibilou Belatrix com um sorrisinho sádico. — E você contou à ela que ela não passa de uma amente. Pois sua verdadeira mulher sou eu... — Sua risada cortou a sala, escandalosa e assustadora. Assim como dilaceraram meu peito.

-Mate-a. — Disse Voltermort em um sussurro.

Severo me encarou nos olhos. O brilho estava lá outra vez. Eu sabia que o que Belatrix tinha falado era verdade, mas também sabia que o brilho em seus olhos eram verdadeiros.

Seus lábios se moveram tão rápidos e com movimentos tão mínimos que não saberia dizer se era aquilo que entendi.

Mas sorri, acreditando que você me amava enquanto um jato verde deparava de sua varinha.

Notas finais
Ok, preciso realmente saber se gostaram... Nem sei de onde veio essa inspiração depois de tanto tempo sem escrever... Vamos ver o que acham... Beijão!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!