"Cartas para você..."

8 Uma realidade ilusória


Querido amigo,

Hoje eu acordei e coloquei minha roupa preta usual, olhei no relógio e vi que já estava passando da meia noite, então sai para um bar ali perto do prédio onde eu estava. A noite estava fria e eu estava com muita fome, escolhi minha vitima quando fui comprar uma bebida e ele, um rapaz muito charmoso, se ofereceu para pagar... Aceitei com um sorriso caloroso e engatamos em uma conversa animada sobre nossas vidas enquanto bebíamos e eu já notava que ele ia ficando embriagado. Terminamos o nosso drink depois de incontáveis rodadas e decidimos respirar um pouco de ar puro fora daquele bar lotado, batemos mais um pouco de papo e fui ficando impaciente, me aproximei dele e me dirigi ao seu pescoço como se fosse beija-lo, mas o mordi quando meus olhos se escureciam e minhas presas apareceriam, suguei seu sangue ao som do seu grito de dor e pavor, parei de beber seu sangue, o olhei nos olhos e o induzi a não gritar mais, pois não queria atrair atenção indesejada, me voltei ao seu pescoço e o degolei em pouco tempo. Solto seu corpo sem vida e sem sangue, quando alguma coisa atinge meu coração, tento ao menos identificar o que é e de onde veio, mas a dor é grande e vou apagando aos poucos... Volto a mim um tanto confusa, mas observando os móveis antigos e objetos que caracterizavam o lugar onde eu estava que eu julgava ser um teatro, então escuto um barulho e um cheiro de gasolina e só então percebo que estou presa em cordas banhadas em verbena... O cheiro se torna mais forte e novamente escuto um barulho com minha audição aguçada, o identifico como um fósforo sendo riscado e não sei o que me atinge primeiro, o cheiro, o calor, ou o barulho do fogo consumindo a sala e chegando até mim, tento me afastar, mas o fogo me alcança e grito de dor, choro enquanto as chamas cobrem meu corpo e finalmente eu morro.

Então meu despertador toca e é hora de acordar para minha rotina entediante de estudos e trabalho... Carinhosamente de sua amiga,

A sonhadora.