Notas iniciais
"A condição dos homens seria lastimável se tivessem de ser domados pelo medo do castigo ou pela esperança de uma recompensa depois da morte." - Albert Einstein

18 de fevereiro de 1993

Querida Jeanine,

estou com câncer e se não for tratado tenho apenas mais 1 ano de vida, sinto muito por isso. Estou chateada com meu destino, pois você não retorna minhas cartas e minha saúde está péssima.

Ontem foi o melhor dia de minha vida e quando eu morrer, sei que cumpri ela. Gabriel passou a tarde inteira comigo.

– Eli, eu te amo e por te amar tanto, nunca irei deixá-la. – diz Gabriel.

– Não consigo estar contente sabendo que irei morrer. – digo.

– Você não irá morrer. – diz Gabriel que começa a acariciar meu rosto.

– Eu te amo.

Ele levantou meu rosto e beijou-me.

– Eli, você aceita casar-se comigo? – diz ele.

– Claro, porém preciso sobreviver até completar 18 anos.

Ele deitou-se ao meu lado e dormimos juntos e quando acordei, ele estava acariciando meus cabelos castanhos.

– Eli...

– O que houve?

Ele estendeu sua mão e mostrou-me, ela estava cheia de fios do meu cabelo. Eu que me considerava tão forte, chorei tanto que Gabriel teve de chamar meu pai.

– Filha, você está bem? – perguntou meu pai.

– Não. Eu não estou bem, pois minha mãe não se importa comigo, estou com uma doença grave, meu cabelo está caindo, Jeanine não responde minhas cartas, eu vou morrer e perder vocês dois. – respondo.

Nós três começamos a chorar e nos abraçamos, depois de um tempo meu choro silenciou e dormi, mas não completamente.

– Gabriel, nós precisamos conversar. – diz meu pai.

– Sim, senhor. – diz Gabriel.

– Minha filha não precisa de piedade e muito menos de alguém que possa fazê-la sofrer.

– Eu não estou aqui por piedade nenhuma, estou aqui porque a amo. Desde o primeiro momento que a vi, eu fiquei completamente apaixonado por ela e desde então tento conquistá-la.

– Espero mesmo, pois se ela tiver mais alguma decepção, poderá não agüentar esse câncer. Não quero perder minha filha.

Eu fiquei tão contente, ele sempre me amou e eu não percebi isto, como eu fui idiota.

Quando Gabriel foi embora, alguém bateu em minha porta.

– Pode entrar. – digo.

– Eli. – fala Scarlet que começa a chorar e senta-se ao meu lado. – Você está tão pálida, não quer tomar alguma coisa?

– Obrigada Scarlet, não quero. – respondo.

– Jonas mandou-lhe muitos beijos, mas não pode vir porque teve de viajar com nossos pais.

– Tudo bem.

– Eli, eu pesquisei e você pode sobreviver até 80 anos.

Comecei a chorar e ela desculpou-se, disse que não era de sua intenção fazer-me chorar.

– Você deve se tratar na Suíça, lá possui os melhores tratamentos para câncer.

– Scarlet, eu não quero falar sobre isso.

– Tudo bem.

Ficamos conversando e ela contou-me como todos do colégio estão chocados com a minha doença, mas imagino que ninguém está como eu estou.

Hoje não posso dizer-lhe que foi um dia ótimo, pois não foi. Eu gostaria de escrever para você contando coisas boas sobre mim, mas, infelizmente, não posso. Se eu pudesse escolher meu destino, certamente não seria este.

Eu ainda estava dormindo, pois acordei no momento em que a porta rangeu.

– Filha, que saudade. – fala minha mãe.

– Saia da minha vida. – digo isto, pois é a única coisa que consigo dizer.

– Filha não me trate assim.

– Sim, eu trato-lhe como eu bem quiser. Não foi você que foi abandonada por sua mãe e não pode cantar-lhe músicas no dia das mães.

– Eu sinto muito.

– Não, você não sente e nunca sentirá. Não sei nem o por que de você estar aqui.

– Filha, você tem que me entender.

– Não. – grito tão alto que meu pai entra em meu quarto.

– Filha não trate sua mãe assim. – fala meu pai.

– Eu quero ficar sozinha. – finalizo a conversa.

Meus pais ficaram conversando o dia inteiro sobre meu estado emocional e físico e eu fiquei trancada no quarto chorando.

Jeanine, eu estou muito chateada com você e resolvi que irei mandar-lhe cartas, pois apesar de você não precisar mais de mim, eu preciso de você.

Com carinho,

Elizabeth