Cartas para Tu
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Ressaltando, EU escrevi essa história através de minha própria criatividade e sentimentos.
Eu tinha 16 anos e nunca havia sequer visto o amor mais de perto. Meus pais viviam brigando e quase não prestavam atenção em mim. Na escola eu era o que costumam chamar de nerd reclusa, sinceramente eu não falava a não ser se fosse obrigada.
Eu vivia enfiada em meu quarto com meus amados livros.
Mas um dia tudo isso mudou.
Eu Estava lavando louça como sempre, até que vi um pedaço de papel cair bem em frente a janela da cozinha. Achei estranho, mas como estava em plena Nova York não podia esperar muita colaboração na limpeza de casa. Acabei de limpar a cozinha e como sempre fui para meu quarto. Por algum motivo eu não estava muito a fim de ler aquele dia, já havia lido todos os meus livros, realmente eu não tinha nada para fazer. Então comecei a fazer a minha outra coisa favorita, olhar para o céu. Ele estava tão poluído que a maioria das nuvens provavelmente era de poluição e não de chuva como eu queria. Não sei como, mas me lembrei daquele papel que havia caído na área. Infelizmente quando cheguei ele já não estava mais lá, devia ter sido levado pelo vento novamente. Resolvi ir até a sacada para olhar o céu novamente, e vi um caminhão de mudanças chegando, uma nova família estava chegando, mas como eu morava no 8°andar do prédio seis de um condomínio de 16 prédios aquilo não era muita novidade para mim. Fiquei ali um tempo observando a descarga da mudança daquela família para o prédio vizinho. Quando vi já era quase hora de minha mãe chegar do trabalho e eu nem havia começado a preparar o jantar.
No dia seguinte, infelizmente eu tive que ir para a escola, mas naquele dia havia uma pequena mudança, um garoto de uns 17 anos havia chegado à minha sala, seu nome era Charlie ele era do tipo magricela sexy, tinha cabelos castanhos e lindos olhos verdes azulados. Ele me cumprimentou o que para mim foi bem estranho já que eu era a única garota do colégio que não estava fazendo tudo para ele.
Em casa foi a mesma rotina de sempre, exceto pelo fato de uma carta entrar pela janela do meu quarto e cair bem no meio do livro que eu estava lendo. É claro que eu a abri e lá estava exatamente assim:
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Querida Tu
Parece que foi ontem que estávamos brincando naquela praça e nos vimos pela primeira vez. Nós éramos tão pequenos, você parecia um pequeno anjo com seus cachos loiros caindo sobre o rosto, as mãos sujas de terra, me olhava curiosa até que resolveu ir até mim e arrumar meus óculos. Desde então viramos melhores amigos. Eu me metendo em confusão, você me socorrendo. Porque você teve que ir tão depressa? A barra pesou, parece que dessa vez não vou suportar porque não tenho você para me sustentar.
Por favor, volte! Preciso de você.
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Fiquei pensando naquela carta o resto do dia. Uma amizade estava ali, um amor de amigos, um amor sincero e inocente que eu nunca sentira.
Passara uma semana desde que aquela carta veio parar no meu quarto. Parecia até que ela me trousse sorte, pois, no outro dia que chegara Charlie começou a falar comigo, tudo bem que ele era minha dupla em Biologia, mas ele era legal comigo, não me caçoava, ele me fazia sorrir as vezes, mas por traz do sorriso dele eu via que algo o entristecia.
Eu estava no meu quarto novamente lendo quando uma segunda carta invadira meu quarto, ela estava meio amassada, mas deu para ler:
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Querida Tu
Confesso que dei umas risadas, mas não é igual a antes, eu sinto que parte de minha felicidade ficou com você. Não sei se consigo agir como antes. Eu te amei, eu te amo, mas nunca consegui te dizer isso, talvez por medo de perder sua amizade. Mas agora eu vejo como fui idiotia. Agora nunca saberei sua resposta. Porque você foi? Não podia ter feito isso comigo!!!
Eu te amo Tu! Te amo muito... ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Naquela noite não dormi pensando no quanto sortuda aquela tal Tu era pra ter alguém que a amasse daquele jeito, e o quão burra ela foi de deixa-lo. “Mas eu seria mais esperta” esse pensamento me confundia cada vez mais até eu me declarar apaixonada pelo “autor anônimo”.
No dia seguinte Charlie não falou comigo, acho que finalmente ele caiu na real e percebeu que eu não sou boa companhia para alguém como ele. A ultima semana foi puxada, meu pai chegou bêbado em casa bateu na minha mãe, ela denunciou, ele foi preso e ela já esta com outro homem aqui em casa. O nome dele é Marcus, ele é estranho, me olhava de um jeito assustador. Eu não havia ido pra escola aquela semana. Quando voltei foi horrível, todos cochichavam sobre o assunto ocorrido em casa, até parecia que eu era a culpada. O mais estranho foi o fato de Charlie sentar-se à mesa do refeitório comigo. Ele me dirigiu algumas palavras como: Oi, está tudo bem? E depois fez a ultima coisa que eu esperava, ele perguntou se eu gostaria de ir a sua casa para pegar a matéria que eu havia perdido.
Charlie me intrigava bastante, ele me ignorava e me dava atenção, tinha um jeito diferente e único, com certeza me deixava confusa, eu só não sabia o porque, já que eu era apaixonada por outro. Descobri que Charlie morava no prédio vizinho do meu, apenas um andar a mais. O dia foi divertido, tia Rose era a mãe mais legal que alguém podia ter, Charlie não tinha pai, ele havia morrido em um acidente de carro há 10 anos, foi meio esquisito tocar nesse assunto, mas eles encararam numa boa. Como já havia percebido ele me intrigava, de certa forma mexia comigo, me mostrava o lado bom das coisas. Naquele momento eu gostaria de não ter pegado aquela carta, de não ter me apaixonado. Quando voltei para casa parecia que eu havia acabado de sair de outro universo, um dos mais maravilhosos. Minha mãe sangrava no chão da sala com os olhos arregalados para o nada, meu padrasto olhava para ela com uma Magnum na mão. Entrei em desespero, eu chorava, me virei e comecei a correr, ele veio atrás de mim. O corredor todo estava vazio, o elevador não estava lá, fui para a porta das escadas, mas ele gritou e mandou-me parar se não me mataria. Minhas pernas tremiam, não sabia o que fazer, então em meio as minhas lagrimas vi vultos brigando entre si e por fim o ultimo tiro daquela arma. Charlie se ajoelhou ao meu lado “Calma, acabou.”
Eu desabei em choro, quando percebi o local estava repleto de pessoas e a policia se aproximava. Alguém, um ser de mau coração gritou ao fundo acusando Charlie dos assassinatos. Eu quis protestar, mas minha língua não se mexia, foi uma das sensações mais agonizantes, e ver Charlie sendo arrastado de perto de mim pelos policiais só piorou. Outros dois policiais me levantaram e me levaram para fora até uma ambulância. Do lado de fora a cena foi pior, tia Rose estava desesperada, os corpos do meu padrasto e de minha mãe eram levados em sacos pretos, havia repórteres, pessoas de muitos lugares, todos olhavam para mim com uma mistura de pena e curiosidade no olhar, não pude suportar aquilo por muito tempo.
Quando acordei estava em uma cama de hospital, algumas enfermeiras perguntaram como eu estava. Devo ter passado mais um dia e meio no hospital, assim que me recuperei tive alta, eu não sabia para onde ir, para casa tinha certeza que não voltaria, foi quando para minha surpresa tia Rose apareceu e me abraçou, ela me levou para sua casa e foi contando o que havia acontecido depois que desmaie.
Charlie havia sido preso, mas seria solto no outro dia, pois sua inocência havia sido comprovada; ela disse também que minha guarda deveria ficar com meu pai já que eu não tinha mais nenhum familiar vivo, mas como ele estava preso provavelmente eu seria emancipada. Dormi na cama de Charlie naquela noite, ou melhor, tentei dormir. Não sei se era o fato de eu estar no apartamento ao lado do assassinato de metade de minha família, mas eu não consegui pregar o olho com tantas lembranças ruins. No outro dia tia Rose e eu fomos até a delegacia buscar Charlie. Demorou um tempo até resolverem-se todos os papeis, mas finalmente ele pode sair. Quando o vi por algum motivo meu coração disparou, minhas pernas tremeram, ele veio em minha direção, algo estranho aconteceu, ele sorriu, deixou uma lagrima cair e me beijou. Aquilo foi alucinante, uma sensação um tanto inexplicável, algo perfeito.
Quando voltei do pleno êxtase tia Rose nos chamava para ir embora daquele lugar, talvez ir comer um hambúrguer. Eu acompanhei sem jeito, Charlie ficou um pouco para trás; do outro lado da rua, Tia Rose entrava no carro e eu esperava por ele ainda do lado de fora, como sempre olhou para os dois, começou a atravessar, então gritou a melhor coisa que eu podia ouvir aquela hora: “Eu te amo Heyle!!!” Meu coração disparou em emoção e felicidade; então por obra do destino que teima em ser maligno e cruel, um carro, provavelmente de alguém bêbado ou maluco, veio em alta velocidade; eu pude ver o olhar de Charlie para mim, era como um pedido de perdão. Foi tão rápido quanto um raio que parte o mundo, meu coração se rasgou em um grito, me joguei de joelhos ao seu lado chorando e implorando para estar bem, ele olhou para mim e como ultima chance ou por própria emoção da possibilidade de ver aqueles lindos olhos esverdeados, eu sussurrei: “Eu também te amo.”, ele sorriu pela ultima vez.
Um mês depois de tudo, ainda estava com um recente corte sangrando no peito, tia Rose não falava muito, acho que ela só se levantava da cama para garantir que eu também levantaria. Era dia 23 de março e tia Rose resolveu que deveria mandar as coisas dele para doação, mas a pobre não tinha coragem então meio sem jeito pediu para mim. Antes de eu ir ela segurou em minha mão e disse: “Querida, mesmo em pouco tempo você foi a melhor coisa que aconteceu na vida dele. Ele não sorria desde a morte da melhor amiga Tuany, mas quando falava de você sua boca quase se rasgava, assim como seus olhos brilhavam. Obrigada.” Não sei se aquela fala doeu tanto nela quanto em mim, mas eu a abrasei e com uma força imensa sorri. Entrei no quarto que ainda exalava um leve cheiro de perfume masculino, dobrei umas peças de roupas que estavam em cima da cama, fui para a escrivaninha ao lado da janela e joguei alguns pedaços de papeis amaçados no lixo, mas havia um bilhete que me chamou a atenção, eu comecei a ler:
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Querida Tu
Já faz um tempo desde a ultima vez que escrevi. Tu eu te amei tanto, mas andei percebendo que não adianta mais eu implorar para você voltar e me amar também. Na verdade eu confesso que estou apaixonado, ela é tão perfeita como um dia você foi para mim, ela sorri de um modo diferente, calma, serena e apaixonante. Ela se chama Heyle e eu tenho certeza que vocês se dariam bem. Eu só queria dizer que de alguma forma você me ensinou o que é amar e agora eu estou amando.
Obrigado Tu.
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Quando li aquilo não sei se senti alivio, ou arrependimento. Eu poderia ter tido outra história, nós poderíamos ter outra história, não aceitei o fato de não me deixar amar antes por dizer que estava apaixonada e depois descobrir que ambos os amores eram a mesma pessoa, minha mente parou, meu coração batia irregularmente em meu peito, minha respiração ficou fraca, pelo que me lembro a imagem do rosto de Charlie foi o ultimo pensamento são que tive.
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