Cartas para Reyna.
8 Capítulo 8
Notas iniciais
Quando o relógio marcou seis da manhã, Leo levou-me até a casa Grande.
– Então... É isso Dulzura, nos vemos depois?
– Claro.
– Você está com umas olheiras fofinhas! – diz ele, passando o polegar na região abaixo de meus olhos.
– Sério? Fofas? Eu devo estar horrível por não dormir.
– Que nada! Você está linda como sempre.
– Jura?
– Juro.
– Está falando isso por que gosta de mim!
– Não. Você brilha mais que Apolo! – diz ele, passando os braços em volta da minha cintura.
– Sei. – ri.
– Então amor, vamos fazer uma festa para comemorar minha volta triunfante!
– Vamos!
– Vou passar no chalé 11 antes de ir dormir.
– Stoll’s... – digo, revirando os olhos.
– Exatamente, Ice Queen!
– Achei que já tínhamos passado da faze de “Ice Queen”.
– Eu deixo você bolar um apelido para mim.
– Tá... Que tal Faísca? – sugiro, rindo.
– Sério? Porque será? – diz, fazendo uma cara pensativa, em seguida, fazendo sua mão irromper em fogo.
Solto uma gargalhada.
– Ta faísca, eu realmente preciso dormir.
– Quer que eu entre e te conte uma historinha?
– Sério que faria isso?
– Seríssimo!
– Ok, entra.
– Olha... – diz ele, olhando em volta, parando o olhar em meu mural, onde uma foto nossa está pregada. – Eu amo essa foto, você está linda nela.
– Obrigada. – agradeço, o abraçando por trás, enquanto admiramos a foto.
– Dulzura, vai lá se trocar e eu espero você aqui.
– Ok, fica a vontade. – digo, entrando no banheiro logo em seguida.
P.O.V
LEO
Assim que ela entrou no banheiro eu vasculho o quarto com os olhos. No mesmo mural, havia outra foto nossa, mas dessa vez, estamos olhando uns para os outros, sorrindo. Eu estava com um olhar apaixonado e um sorriso bobo, enquanto passava um dedo sobre sua bochecha. Já ela, parecia um pouco corada, segurando minha mão, com os olhos fechados e um sorriso sem mostrar os dentes. Linda como sempre.
Ela sai do banheiro com um pijama de mangas compridas, preto. Senta na cama, cobrindo-se somente até a cintura. Bate três vezes no espaço vazio ao seu lado, me chamando.
– Tá pronta pra ouvir a melhor história do mundo? – Pergunto, sentando-me ao seu lado, colocando o braço sobre seus ombros, afagando seus cabelos.
– Sim. – responde deitando sua cabeça em meu ombro.
– Era uma vez... – ela me interrompe, rindo.
– O que foi? – pergunto sorrindo confuso.
– Que clichê! Seja original.
– Ta... Ahn, ok. Havia um casal, lindo por sinal. A garota era uma líder nata, cheia de autoridade, ela comandava, defendia seus amigos e familiares com unhas e dentes. Lutava como se... Como se tivesse nascido para aquilo. Um dia, essas qualidades chamaram a atenção de um garoto, com cabelos cacheados rebeldes, olhos castanhos e orelha pontuda. Mas... Ele não se achava a altura da garota, pois ela era tão linda, tão inteligente, tão corajosa, tão... Superior. Ele não queria se magoar novamente, não queria levar outro fora. Mas já estava acostumado a gostar de garotas... Que não são pro seu bico. Um dia, ele percebeu que aquilo que ele sentia, não iria passar com o tempo, como aconteceu das outras vezes. Ele percebeu que era real, todo aquele sentimento, todo aquele desconforto quando estava perto da garota, tinha um real motivo. Ele estava completamente, perdidamente apaixonado por ela. E dessa vez era pra valer. Ele decidiu falar para ela tudo o que sentia. Quando ela disse um sonoro NÃO, ele resolveu que conquistaria o coração da garota. Quando ele finalmente conseguiu, um trágico acidente acontece. Ele acaba morrendo, porque seria doloroso demais vê-la morrer. Antes ele do que ela, pensou o garoto com aparência de elfo. Enquanto seu corpo caia em queda livre, sua mente estava no rosto duro e determinado de uma certa garota. Quando ele viu estava prestes a se chocar com o chão duro de cimento, fez uma ultima prece: “Cuidem dela”. Depois, só o que via (ou não via) era escuridão. Tudo o que sentia era um imenso vazio, rezava a todos os deuses para proteger a garota. Tudo o que queria era protegê-la, mas percebeu, tarde de mais, que sua escolha só a feriu mais ainda. Ele estava arrependido. Pediu ajuda para todos os Deuses, grandes e pequenos. Mas somente um deus respondeu suas preces. A Olimpiana mais antiga. A deusa do amor. Ela convenceu o Deus dos Mortos a dar uma segunda chance para o garoto. Grato, prometeu a deusa que não deixaria o amor da sua vida escapar. Ele não a machucaria novamente. Ele voltou para fazer a garota de seus sonhos feliz. – terminei com os olhos marejados.
– Eu amo você. – diz ela, com algumas lágrimas escapando de seus olhos negros.
– Desculpe. – murmuro. Respiro fundo e continuo. – Eu não deveria ter feito isso sem... Sem te falar, eu só... Não suportaria viver sem você.
– Tudo bem, Leo.
– Não, não está! Eu magoei você Reyna, eu prometi que não faria isso! Você chorou por mim! Sabe o quanto isso me magoa? Saber que a garota que eu amo está chorando por uma coisa que eu fiz? Eu não pensei em você, sinto muito. Eu fui egoísta, não pensei em como você se sentiria se eu partisse. Eu só... Estava com medo de perder você. – digo, chorando. Lágrimas fluíam de meus olhos como uma fonte transbordando.
– Leo! – chama ela. – Essas coisas acontecem em uma batalha! Pessoas morrem todos os dias, pessoas choram todos os dias! São coisas que a gente da um jeito com o tempo. Acalme-se, por favor, amor. Vamos aproveitar que estamos juntos e esquecer o passado. Ok?
– Ok. – respondo, limpando minhas lágrimas.
– Olha, as coisas são como são por uma razão. Afrodite deve ter planejado isso, afinal, essa situação deixou nossa relação mais forte.
– Ta bom, Dulzura. – digo, triste.
– Ta. Bom.? – pergunta, dando um beijo em cada um de meus olhos entre as palavras.
– Sim. – respondo, beijando-a.
– Olha, hoje temos o dia livre. Podemos ir ao punho de Zeus fazer um piquenique, ou ir a caverna de Rachel e assistir um filme. – sugere.
– Ou ir á praia e comer morangos com chocolate.
– Isso também. – concorda, rindo.
– Ou podemos ir á cidade e comer um hambúrguer!
– Está querendo me deixar gorda?
– Talvez...
Ela levanta da cama.
– É assim, Valdez? – pergunta, ameaçadora.
– Ahn... – digo, me levantando e caminhando em direção a porta. – Sabe... É melhor você esquecer o que eu disse...
– Não mesmo, faísca! – diz, correndo em minha direção.
Abro a porta e corro em direção á caverna de Rachel.
– RACHEEEEL, ABRE ESSA PORTA! – grito, batendo desesperadamente na porta.
– Ela não está ai, amorzinho. Hora da revanche! – diz Reyna, aproximando-se, me prensando contra a porta.
– Você é linda, Rey. – digo, colocando as mãos em sua cintura.
– Está me mim... – interrompo-a, invertendo as posições.
– SEU IDIOTA!
– Amorzinho, hora da revanche! – digo, em seguida, fazendo uma série de cócegas na lateral de seu corpo.
Ela se contorce, e em meio de uma crise de gargalhadas ela cai no chão.
– Ta... Para, Le... Leo! – diz, rindo feito uma doida.
– Ok, só porque estou com peninha de você, amor.
– Aiai, doeu minha barriga seu imbecil!
– Nada como uma dor de barriga pelas razões certas!
Ela respira fundo algumas vezes, tentando normalizar a respiração.
– Ok. Estou bem.
– Ótimo. – sorrio para ela.
– Vamos, agora eu realmente estou com sono.
– Vamos princesa.
Eu levo-a até a casa grande e me despeço com um beijo na bochecha.
Ás três da tarde, subimos até o punho de Zeus para fazer um piquenique.
– Amor? – chamo-a, receoso.
– Sim? – responde, mirando o horizonte.
– Toma. – retirando um envelope azul da cesta de piquenique e entregando a ela.
– O que é isso?
– Minha ultima carta.
– Leo...
– Leia, por favor.
– Ok. – diz, hesitante.
Ela pega a carta da minha mão, rasga o envelope e começa.
“
Ninguém já amou alguém como eu amo você
– Do cara que te ama mais do que tudo “
– Eu te amo. – diz ela, me abraçando.
– Eu te amo muito mais, amorzinho!
– Eu te amo muito, muito mais, amorzão!
E assim se passou nossa tarde, que em si, foi perfeita.
Assim como a garota que estava com a cabeça deitada em meu ombro, admirando o pôr do sol.
P.O.V
Reyna
Então, realmente rolou a festa tão bem falada do meu lindo namorado.
A festa em si foi linda, cheia de surpresas, e emoções por conta dos discursos. Mas, um fato estragou completamente a festa para todo mundo.
Flashback on
Eu estava dançando animadamente com algumas amigas quando de repente, sinto alguém segurar meu braço e me puxar para fora.
– Reyna, é verdade o que estão dizendo? – ali, está um Leo completamente irado.
– O que estão dizendo? – pergunto, confusa.
– Que você e um tal de Luccas... – sua voz quebrando. Respirou fundo e continuou. – Que você e ele ficaram?
– Leo...
– É verdade, Reyna?
– É.
– Porque não me disse, amor? – pergunta, com uma voz controlada.
– Estava com medo da sua reação.
– Estou bem com isso. Eu pedi para você seguir em frente.
– Ele apostou com Travis que ficaria comigo. – digo, depois de algum tempo.
– O que?
– Era uma mentira. Tudo. – digo, sorrindo tristemente.
– A mais eu vou...
– Você não irá fazer nada, Valdez!
– Ok. – diz, depois de respirar fundo algumas vezes.
– Ótimo. Está mais calmo?
– To sim.
– Vamos voltar então. – digo, ajeitando sua camisa.
Ele me beija.
– Ele é um otário.
– Eu sei.
– Eu te amo tanto que dói. – diz, fazendo uma cara de dor e apertando a mão contra o peito.
– É? – digo, rindo.
– Sim!
– É uma dor boa?
– É uma dor ótima!
– Isso é bom então.
– Não.
– O que? – pergunto, completamente confusa.
– Isso é ótimo.
Depois de um tempo, voltamos para a festa.
– Reyna, posso falar com você? – Luccas pergunta, apertando meu braço com violência.
– Me solta.
– Claro, só vem comigo. – diz, me puxando até a parte de trás da casa Grande, onde não havia ninguém.
– O que você quer?
– Você, Rey. – diz, se aproximando.
– Você é mesmo um otário!
– Eu? Otário?
– Sim!
– Um otário que fez você se apaixonar em duas semanas. – caçoa ele.
– Você me iludiu!
– Sim. Mas você, na verdade é bem gata. Então... – diz me olhando dos pés a cabeça.
– Como você pode fazer isso, seu idiota?
– Foi bem fácil na verdade. – ele me prensa contra a parede.
– Me solta.
– Pede direitinho.
– Ai o Mané! – chama uma voz, cutucando o ombro direito de Luccas. Ele se vira e Jason acerta um soco, o derrubando.
– Reyna, você está bem? – pergunta me abraçando, visivelmente preocupado.
– Estou.
– O que ele fez pra você?
– Nada, Jay.
– Reyna! O que houve aqui? – pergunta Leo.
– Eu vim aqui procurar a Reyna, e esse tarado estava agarrando ela! – diz Jason.
– O que? – Leo caminha até Luccas, que está deitado no chão, um filete de sangue corre pelo lado esquerdo de sua boca. Percy está do lado dele, o olhando com frieza. Leo o acerta um chute na barriga e outro nas costelas.
Jason o segura.
– Cara! Calma! Vai lá com a Reyna. Eu e o Percy iremos levá-lo para Quiron e ele decidirá o que será feito.
Leo corre até mim, me abraçando com força.
– Está tudo bem, amor. Eu estou aqui. – diz, afagando meus cabelos.
– Leo.
– Oi.
– Obrigada por estar... Aqui, comigo.
– Onde mais eu estaria?
Flashback off
Luccas ameaçou Leo e Jason por terem lhe dado uma lição. Quiron o baniu do acampamento, mas Hermes ficou furioso! E suspendeu a ordem de restrição que seu filho possuía. Ele pode transitar normalmente pelo acampamento, porém, não pode chegar perto de mim. Belona teve uma intensa discussão com Hermes, e disse que não hesitaria em matá-lo caso tocasse em mim novamente.
Jason, Percy e Leo vivem grudados em mim todo dia. Dizem que é ‘proteção’.
Quanto a mim e Leo?
A, vivemos felizes para sempre.
Que nem naqueles contos clichês.
Leo: REYNAAAAA!
Ok, ok.
Talvez nem tão feliz...
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