Cartas para Regina

3 Minha poderosa Rainha!


Minha poderosa Rainha Regina,

Ensinaram-me que o objetivo do amor é atingir o ápice como um sentimento. É o que ele quer.

Ensinaram-me que para amar é preciso diluir-se nesse amor. É preciso tornar-se íntimo com o tal sentimento, assim como o riacho é íntimo da noite, quanto canta sua melodia para ela.

Ensinaram-me que amar é desejar conhecer a dor de sentir a ternura profunda, sangrar de boa vontade e com alegria, assim como acordar pela manhã com o coração flutuante.

Ensinaram-me que amar é agradecer todas as manhãs por mais um novo dia de amor.

Ensinaram-me que amar é desejar descansar ao meio dia e refletir sobre o clímax do sentimento.

Ensinaram-me que amar é adormecer com o coração repleto de frases para serem ditas ao ser amado.

Ensinaram-me que amar é perdoar os erros setenta e sete vezes sete vezes, mas nem por isso permitir que o erro seja cometido novamente. Ensinaram-me a ensinar.

Ensinaram-me que amar é ler a linguagem do corpo alheio, respeitando as regras da leitura compartilhada.

Ensinaram-me que amar é rir com o riso da pessoa amada, a chorar com o choro, a levantar dos tombos e a não permanecer caído com eles.

Ensinaram-me que amar é repreender, é apontar as falhas e exaltar as virtudes. É reconhecer a superioridade, mas não incentivá-la ou exaltá-la. Reverenciar a igualdade.

Ensinaram-me que amar é cuidar e deixar ser cuidado, é proteger e deixar ser protegido, é cheirar e deixar ser cheirado, é amparar e deixar ser amparado, mas ao início do dia...é beijar e deixar ser beijado.

Ensinaram-me que o amor é simples, mas de tudo o que me ensinaram, somente aprendi que depois de tudo acabar no universo, restará somente o amor.

Vasco

Notas finais
* parafraseado do poema Os desejos do amor, de Gibran Khalil Gibran, o poeta do amor.