Cartas para Heartifilia

4 3. Relações Opostas


Notas iniciais
Olá pessoal, tudo certo? AnaLu ás suas ordens! Bom, o capítulo de hoje é mais curto porque antecede um filler da história da Erza e da Levy, que serão muito importantes para o decorrer desse primeiro "arco".

Lucy decidiu que não valia a pena ficar triste com o que aconteceu com o ateliê. Levantou a cabeça e respirou o ar puro de fim de tarde, com os olhos castanhos ardidos depois de tanto chorar. A loira passou horas conversando com Erza e nem percebeu o tempo passar, e lá estavam elas sob os últimos raios de sol. Lucy repousou a cabeça no ombro da ruiva, que não se mexeu, e virou levemente a cabeça para olhar a amiga. Era quase impossível não se sentir inferior quando se estava do lado de Erza Scarlet, a garota que ninguém nunca havia chorar. Lucy se repreendeu internamente por ser tão fraca na maior parte do tempo.

—No que está pensando? – Erza perguntou, colocando sua cabeça sobre a da loira.

—Não sei, só que gosto de ficar em silêncio. –Erza arqueou as sobrancelhas. – Ei, não me olhe desse jeito.

—Você nunca foi de ficar quieta, Lucy. Eu te conheço. –A ruiva sorriu e deu uma cotovelada na amiga.

—Senti sua falta, sabia? – Lucy soltou e sentiu a outra rir. A risada de Erza era tão familiar e ao mesmo tempo muito distante, e a loira se lembrou de que ela não costumava rir muito. A loira deu uma risadinha tímida. –Deveria ficar lá em casa.

—Eu sei. –Erza ficou séria de repente, como era comum de acontecer.

Se uma coisa Lucy aprendeu durante todos os anos que conviveu com a dos cabelos escarlates, é que não deveria se meter em nada que não tivesse a ver com ela, nem perguntar coisas pessoais à Erza. Muitos anos de amizades se passaram e a loira continuava sem saber de onde Erza tinha vindo ou como havia sido sua infância e nem mesmo a ouvira falar de sua família, se é que tinha uma. A única coisa que sabia é que a garota era chamada de Titânia, já que raramente mostrava emoções para estranhos e sempre foi muito forte, e que havia apenas uma pessoa com a qual ela realmente se importava, mas que esse alguém havia ido embora.

A loira se levantou, estendendo as mãos para a amiga e a puxando para cima.

—Vem, vamos pra casa.

Ambas entraram no carro e Erza fez questão de ligar o rádio. A ruiva ficava ansiosa quando ficava em um ambiente sem som, mesmo que houvesse pessoas conversando.

—Ei Lucy, ficamos tanto tempo falando de tanta coisa que eu nem te perguntei o que era realmente importante. Você está mesmo bem com toda essa história do Sting? Eu ainda não consigo acreditar que ele foi tão idiota a ponto de fazer isso.

Lucy respirou fundo e expirou, fazendo o máximo para ficar calma com o assunto.

—Sabe, nem eu sei. Não consigo sentir nada a não ser raiva quando penso nele, mas parece que uma parte de mim foi embora também. Droga, eu o amava desde o colegial.

—Não precisa me lembrar disso. – Lucy riu quando se lembrou de tudo o que fez para conquistar o loiro. Realmente, ela era uma jovem impulsiva. –Lembra da vez da foto de biquíni? “Ah, Sting-senpai, eu acho que coloquei no seu armário sem querer.” — Erza levou o dedo indicador à boca, exatamente como Lucy havia feito daquela vez. – “Mas se quiser, pode ficar”.

Lucy mostrou a língua.

—Eram bons tempos. Tínhamos tão pouco com o que nos preocupar e passávamos boa parte do tempo reclamando. Sinto falta.

—Sabe que a nostalgia não nos leva a lugar algum, Lucy. Se ficarmos presos ao passado, é como se abríssemos mão do futuro.

E assim era passar o tempo com a ruiva. Em um momento, ela era bem humorada e vivia fazendo piadas e depois se tornava uma conselheira de primeira, além de ter sempre aquele ar de superioridade, como os pais têm.

Lucy estacionou e ficou um tempo olhando através dos vidros dianteiros antes de tirar as chaves do contato e sair do carro com as chaves da porta da frente em mãos.

—Lu, estava esperando correspondência? –Erza perguntou, abaixando-se e pegando um envelope que estava metade para dentro da casa e metade para for.

Era outra carta, e Lucy já não sabia o que esperar delas.

...

Quando saiu da biblioteca, Levy estava com um sorriso todo bobo. O tempo passou tão rápido que ela nem tinha visto escurecer enquanto conversava com o até então estranho. Escorregou a mão até o bolso da frente da calça jeans e tirou de lá um papel com o número do cara que havia conhecido.

Era tão estranho para uma pessoa como ela. A azulada se lembrava perfeitamente de como era tímida no colégio e podia contar nos dedos de uma mão as vezes que havia saído com garotos. Em quase todas às vezes não dava em nada e eles nunca mais a procuravam. Só um garoto mexeu com Levy e ele não merecia ser lembrado, pelo menos ela pensava que era melhor assim. As cartas que ele havia escrito ainda estavam guardadas, mas ela nunca mais as leu e se controlava para não procura-las.

A azulada começou a pensar se deveria mandar uma mensagem para seu novo “amigo”. Será que não pareceria um pouco atirada, um pouco desesperada demais?

“Que se dane.”

Levy estava cansada de pensar nas consequências. Ela perdeu anos de sua vida tentando ser a pessoa perfeita, aquela que não cometia nenhum erro, que se esqueceu de aproveitar as possibilidades e de agir como uma adolescente. Agora, ela odiava lembrar, era a miniatura de uma adulta responsável e muito sensata, apesar de não aparentar sua idade.

A azulada agora pagava as próprias contas, tinha um emprego e não tinha nada a temer. As garotas chatas do colégio não estavam mais lá para encher seu saco nem para julgá-la, seus pais não podiam mais dizer o que ela deveria ou não fazer. As portas da vida adulta estavam destrancadas, ela só precisava arrumar coragem para abri-las.

“Ei, Gajeel! Só quero que saiba que me diverti bastante com você e que gostaria de sair com você de novo!”

Assim parecia estar bom.

“Muito infantil...”

“Espero que tenha se divertido tanto quanto eu! Posso te ver de novo?”

“Meh... Droga Levy, deveria ter flertado mais no colégio. Ei, por que estou me importando tanto?”

Levy fundiu as duas mensagens e enviou. Assim que guardou o telefone na bolsa, trombou com alguém na rua.

—Desculpe. –O estranho segurou os ombros da pequena sem olhar para ela – Deveria prestar mais atenção. –Ele parou, e ainda segurando-a, espantou-se. – Levy?!

Ela conhecia aquela voz, mas não tinha certeza. Olhou para cima relutante e deu um pulo para trás quando reconheceu a figura.

—Rogue? Não sabia que ainda morava em Magnólia.

Levy realmente não queria tê-lo encontrado, tudo estava muito bem sem ele. Ela não precisava ser lembrar do quanto foi burra e de como ele teve coragem de abandoná-la daquele jeito e agora chegar assim, todo lindinho, esbarrando nela na rua e afins.

— Acabou que meus planos não saíram como eu imaginei. –Ele jogou os cabelos pretos para trás e suspirou. Como ela odiava quando ele fazia aquilo! Rogue não havia mudado quase nada, na verdade, parecia ainda mais bonito do que ela se lembrava.

“O que é isso, Levy? Ele não é bonito nada” Lembra, ele te largou! L-A-R-G-O-U.”

—Bom, se não se importa, eu tenho que ir. –Ela disse, mas ele segurou seu braço.

—Ei, espera aí. Faz tanto tempo que não nos vemos. Eu estou indo para o café, não quer ir comigo?

“Como ele ousa?!”

—É, bastante temo mesmo. Pena que não foi tempo o suficiente para você me esquecer, como parecia ter feito anos atrás.

Levy começou a andar, sem olhar para trás, mas com um tremendo aperto no peito e tendo a certeza de que os olhos de Rogue ainda estavam fixados nela. Logo os passos apressados da azulada transformaram- se numa corrida onde cada pedaço do seu corpo doía e seus pulmões ardiam e clamavam por ar. Ao chegar no quarteirão onde seu pequeno apartamento ficava, a garota sentiu as lágrimas surgirem e se juntarem com seu suor, criando um gosto salgado o entrar em contato com seus lábios secos devido ao vento forte.

Levy não abriu a porta quando chegou à frente de casa, apenas deixou-se escorregar com as costas apoiada na parede branca e gelada. A pequena abraçou o corpo e deixou que pequenos flashbacks tomassem conta de sua mente e seu choro transformasse em soluços de ódio. Ela nunca iria se perdoar, nunca iria perdoá-lo.

Notas finais
Bom, espero que se preparem para o próximo capítulo, poque estou planejando coisas muito boas. Talvez eu demore um pouco mais, já que estou trabalhando numa outra fanfic, que será postada no Social Spirit. Um beijo e até!