Cartas para Heartifilia

2 1- Cacos de Vidro


Notas iniciais
Olá pessoal, tudo certo? AnaLu às suas ordens! O capítulo de hoje ficou mais curto, eu sei, mas tudo tem um propósito: Eu estou indo viajar e além de querer deixar vocês no suspense, quero desenrolar esse início de história no próximo capítulo. Me aguardem muahahahah. Nos vemos lá em baixo

Sting estava cheio de culpa. Ele nunca havia amado alguém antes, Lucy foi a única que realmente foi dona de seu coração. Ele cometeu um erro, foi um idiota superficial e abriu mão de sua felicidade por uma coisa que provavelmente duraria apenas algumas noites.

–E-eu... Sinto muito Sting, não era pra ser desse jeito. –Foi a última coisa que Yukino disse a ele antes de seguir seu próprio caminho, como se nada de importante tivesse acontecido. Ela era uma ótima atriz, por que pareceu realmente se importar com ele quando estavam na cama. Aquilo não era uma mulher, devia ser um demônio. O loiro tinha certeza de que ela estava planejando isso há muito tempo.

Tudo parecia cinza e triste naquela tarde, e Sting caminhou cabisbaixo até o ponto de ônibus, pronto para visitar seu irmão e contar-lhe as não tão boas novidades. Rogue era a única pessoa a quem Sting confiava seus verdadeiros sentimentos além de Lucy, não confiava em ninguém como nele.

Esperando que o transporte chegasse, Sting começou a prestar atenção em uma garota de cabelos ruivos que parecia ansiosa demais. Ela não parecia ser estranha, o modo como ela roía as unhas e olhava de um lado para o outro era familiar demais.

–Por favor, sabe que horas são?- A ruiva perguntou, sem se dirigir a ninguém em particular.

– Duas e meia. –O loiro respondeu ainda intrigado com a identidade da mulher. Depois de olhar cuidadosamente seu rosto, Sting se espantou. –Erza?!

–Sting, o que faz aqui?

Erza era uma amiga bem próxima de Lucy, e costumava passar o Natal com os dois. Pelo que ele sabia, ninguém tinha ciência exatamente de onde ela havia vindo nem mesmo sua história, o que se ouvia sobre ela eram rumores que ele preferia não se lembrar. A ruiva aparecia de vez em quando em Magnólia, mas quando aparecia, não era por acaso.

–E-Eu é que pergunto. Quanto tempo faz desde que te vimos pela última vez?- Sting não podia evitar se sentir um tanto quanto ameaçado pela mulher, que apesar da beleza, passava um que de perigo.

–Isso não interessa. Por que está andando assim com essa cara, como um cachorro que caiu da mudança?

–Foi mais ou menos isso mesmo... Só que no caso, a mudança preferiu que eu caísse.

–Você sabe que não gosto de charadas. Anda, oque aconteceu? –Era meio impossível esconder as coisas de Erza Scarlet, parecia que ela era capaz de ler seus pensamentos ou algo do tipo. Pelo que o loiro sabia sobre ela, além de tomar cuidado, é que ela era uma pessoa muito confiável.

–Sabe, eu e a Lucy meio que... Terminamos? Bom, eu nem sei direito como explicar, só sei que fui um merda. Ela me pegou com outra mulher.

–O que você tem na cabeça, oxigenado? -Ah, esse apelido. Sting perdeu a conta de quantas vezes teve que explicar para a ruiva que seu cabelo era natural. – Você foi burro o suficiente para trair uma mulher como a Lucy?

–Acho que eu agora eu percebo o quanto idiota eu fui...

–Espero que entenda mesmo, porque você vai se arrepender do que fez. – O ônibus de Erza chegou, e ela acenou – Você é um babaca, Sting.

Disso, ninguém precisaria lembra-lo por um bom tempo.

...

Levy era uma daquelas amigas que te impede de ficar numa bad. Mesmo que Lucy fosse uma pessoa que não se deixava abater pelo término de um relacionamento, aquela situação havia realmente acabado com ela. A loira tentou fazer a pequena entender que estava tudo bem, que logo ficaria bem, mas a azulada não comprou as desculpas da amiga.

–Escuta, você pode até não acreditar em mim, mas eu estou bem. Não preciso de ninguém para bancar minha babá.

Lucy parecia mais irritada do que triste, e a menor decidiu não persistir naquilo. O que Lucy queria mesmo era ficar sozinha e colocar as coisas no lugar. Levy largou o café e a caixa de bombons que havia trazido para a amiga em cima da mesa de centro.

–Eu sei que você quer ficar sozinha, mas não esquece que qualquer coisa pode contar comigo. Ah, e não trate seus amigos como o Sting te tratou. –Deu um tapinha de leve no braço da amiga e saiu, rumando para a biblioteca.

Quando Lucy estava brava, podia ser bem ridícula com os amigos, tratando-os mal. Qualquer atitude dessa era perdoada quando seu bom humor habitual era retomado. Os verdadeiros amigos da loira sabiam compreende-la nesses momentos e a melhor ajuda que podiam oferecer era à distância.

Os passos da pequena eram firmes e o cheiro que grama recém-cortada no ar refrescavam seus pensamentos. Por mais que se importasse com a amiga, não iria deixar que os problemas dela interferissem em sua vida pessoal. Durante muito tempo, Levy viveu para os outros e não deixaria que isso acontecesse outra fez. Sabia muito bem quem era e adorava que havia se tornado.

Pequenas poças de água divertiam Levy no caminho, que como uma criança, gostava de se desafiar a pular várias sem molhar os tênis. Uma rajada de vento forte levou a faixa que mantinha os cabelos da pequena no lugar.

–Bosta, era a minha favorita. –A pequena praguejou, seguindo a faixa com os olhos.

Uma figura alta e assustadoramente alta apareceu na esquina, e deparou-se com a azulada olhando para sua direção. Deparou-se com a faixa em seus pés, molhada e suja, mas pegou-a mesmo assim.

Apressou o passo para alcançar Levy antes que essa atravessasse a faixa de pedestres. Quando se aproximou da pequena, cutucou seu ombro.

–Ei, isso aqui é seu? – O homem era alto e moreno, com cabelos longos e rebeldes, chio de piercings e olhos avermelhados. Para conseguir olhar nos olhos da figura, Levy jogou o pescoço para trás.

–S-sim, obrigada. –Para uma pessoa do tamanho dela, o homem era no mínimo intimidador. Era forte o suficiente para esmaga-la com um soco. –Ei, esse livro... É Sherlock Holmes? – Levy perguntou, passando os dedos finos pela capa do livro que o moreno carregava.

–É sim.

–Eu adoro esse livro! Pensei que era a única por aqui que ainda lia esse tipo de coisa.

–Na verdade, estava indo para a biblioteca devolver. A propósito, meu nome é Gajeel. –Por mais que fosse uma pessoa muito fechada e não muito dada a fazer novos amigos, o mais alto foi com a cara de Levy e resolver ser simpático.

–Ah, o meu é Levy. E-eu também estou indo para a biblioteca.

–Para falar sério, eu sou meio novo na cidade e ia te perguntar o caminho para lá. Jurei que o ônibus me deixaria na porta.

–Posso te levar até lá, se preferir. Afinal, não é sempre que encontramos alguém que gosta de Sherlock Holmes.

...

Lucy não podia ficar se remoendo daquela forma, não podia tratar Sting como se fosse grande coisa. É bem verdade que o que teve com ele foi diferente, mas ele fez acabar por sua conta em risco. Não deixaria que um término a fizesse ficar dentro de casa mofando como um eremita, ela ia tomar uma providência, seguir sua vida. Com certeza, ele não seria a última pessoa que iria se interessar por ela.

Decidiu ir até sua confecção de roupas, que de uns tempos para cá, começou a fazer sucesso. Sua última coleção de inverno foi revendida para várias lojas de roupas da cidade, fazendo com que a loira se tornasse conhecida nesse ramo.

Tocou de roupa, colocando um vestido escuro de mangas compridas, que era bonito e confortável ao mesmo tempo. Deu um trato em seu rosto, lavando-o cuidadosamente até que o inchaço devido ao choro diminuísse e passou uma camada simples de maquiagem.

Entrou no carro e deu a partida, olhando no retrovisor enquanto engatava a ré para sair de sua garagem. Ligou o som e começou a dirigir em direção ao ateliê, que ficava um pouco distante demais para ir a pé. Quando se deu conta, as músicas que estava ouvindo vinham de um cd que Sting havia gravado em seu aniversário de 20 anos, “As músicas favoritas da Blondie.”. Ela se lembrava daquele dia como se tivesse sido ontem, mesmo não fazendo tanto tempo assim.

A loira havia chegado em casa cansada demais depois de um dia cheio no trabalho, e se deparou com a casa toda apagada e a porta da frente destrancada. Logo imaginou que tivesse sido assaltada, mas assim que entrou em casa viu todos os seus amigos saindo de trás dos móveis e gritando “Surpresa!”. Foi uma das melhores noites de sua vida, e ficou melhor ainda com esse presente.

Lucy tinha que ser sincera consigo mesma, foi muito bom enquanto durou. Sting era daqueles namorados brincalhões, quase como um melhor amigo. Ela não conseguia se lembrar de um dia que não tenha dado risada com suas palhaçadas, das histórias que ele contava.

Sem que percebesse, uma lágrima escorreu pela sua bochecha. Secou-a antes que outras aparecessem e desligou o rádio, tentando impedir que as memórias voltassem.

O sentimento de nostalgia era mais forte do que ela. Por mais que se esforçasse, ia demorar a esquecer do bem que o loiro a fez. Lucy estava passando por um momento difícil quando conheceu Sting, o pai da loira havia acabado de falecer. Ele chegou de mansinho e logo tomou conta de sua vida, e disso para um namoro não demorou muito. Dois anos passaram voando para os dois, que nunca tinham brigado antes.

Pelo jeito, não era para ser.

A loira estacionou o carro em frente ao ateliê e desceu apressada assim que viu o estado em que se encontrava a vitrine e reconheceu a figura que estava de pé ao lado dos cacos de vidro.

–Erza! Você sabe o que aconteceu?- Lucy perguntou, aflita. Não sabia quem seria capaz de fazer uma coisas dessas.

–Não, eu vim a passei com Jellal e senti uma coisa tão ruim. Decidi ver se estava tudo bem com você. Ah, eu encontrei o Sting vindo para cá, sinto muito.

Agora tudo parecia se encaixar. Somente duas pessoas pareciam ter algum motivo para fazer isso com sua loja: Sting e Yukino.

–Deve ter sido ele, Erza. E eu não vou deixar barato. Primeiro, ele me trai e agora destrói a minha loja?

–Lucy, nós não sabemos quem foi. Esfrie a cabeça e não tire conclusões precipitadas. Nada foi roubada nem destruído lá dentro.

A única coisa em que a loira conseguia pensar era o motivo pelo qual sua vida estava virando do avesso.

...

Notas finais
Bom, foi isso. Quero agradecer aos comentários no último capítulo, vocês são umas lindas. Tenho uma pergunta para vocês: Meu forte é narração em terceira pessoa( Acho que deu pra perceber) mas às vezes eu acho que o capítulo fica um pouco sem graça, já que eu tenho medo de adicionar diálogos demais. Vocês querem que eu adicione mais diálogos e humor à história? Beijos e até a próxima. Ah, não vá sair sen comentar, hein?