Muitas coisas fogem ao nosso entendimento e conhecimento, embora isso pareça ser muito claro quando se lê, se torna uma inverdade na prática. As pessoas dizem que sabem que não são donas da verdade mas agem como se elas fossem. Ao mesmo tempo que muitas vezes dizem respeitar as opiniões alheias, duvidam, discordam, questionam, debatem! Suas experiências mais do que verdade ou mentira podem dizem muito sobre você, suas experiências não contam somente o que você viveu, muito mais do que isso, elas podem contar o que você absorveu. Não conseguiria contar com certeza e riqueza de detalhes qualquer experiência que tenha vivido, mas contaria com detalhes as suas sensações, lembranças e isso nos remeteria a entender o que você absorveu delas. Fui entendendo que a verdade não é algo palpavel ou concreto, que a verdade é algo que se acredita ou não. Claro que a verdade é algo unico e contrário a mentira, mas, para quem? Algo que se acredita, se torna verdade pra você e isso tão somente já basta para que você a viva! Verdade é acreditar, mas do que qualquer tradução de um dicionário.

Depois daquela experiência extraordinária que tive, algumas coisas passaram a acontecer comigo, algumas percepções começaram a fazer parte da minha vida. Então eu começava a ver além. Para ser mais do que sincera, para te falar a verdade, a minha verdade, foi como se tudo começasse a fazer algum ou todo sentido. Percebi que muitas coisas aconteceram na minha vida, coisas que poderiam ter me levado a um caminho totalmente distorcido, sem volta. Mas eu estava ali. Me fez refletir que mesmo que eu não soubesse, alguém, olhava e cuidava de mim.

Era certo que eu não era um anjo, isso não! Um anjo não poderia ser tão humano, mas era certo que Deus não me ouviu quando eu briguei com Ele e tão pouco atendeu os meus pedidos, pois eu ainda estava ali. Eu recebia ainda a oportunidade de senti-Lo em mim, no meu coração, de percebe-Lo.

Muitas manifestações da Sua presença me foram aparecendo, foram me dizendo: Ei! Estou aqui! E, Eu sou Eu!!!

Certa noite enquanto dormia, algo extraordinário me aconteceu. Antes de me deitar conversava com Deus e pedia à Ele à cura para sensações que tinha, a cura para alguns medos que ao longo dos anos foram tomando conta de mim, medos que se tornaram verdadeiros traumas, medos que me impediam de ser "normal". Precisava me libertar deles e quem me ajudaria? Então foi à Ele que recorri. Nessa fase, eu ainda descobria o que era se relacionar com Deus, eu ainda descobria como, eu ainda descobria o que poderia e o que não poderia dizer e de que forma fazê-lo.

Enfim, contei à Ele! Contei tudo à Ele! Naquele momento "nada" aconteceu! Me deitei e dormi. Ainda hoje posso me lembrar, foi extraordinário, uma luz azul entrava no quarto onde eu estava, um azul muito forte e intenso que chegava de maneira muito sutil e delicada aos meus olhos. Aquela luz me remetia a um caminho e me mostrava aonde eu já estava. Abri os olhos, ainda dormindo. Um lugar expetacular, um jardim infinito muito bem cuidado com pequenas flores amarelas na altura da minha cintura. Um vento suave passava no meu rosto, fraco o bastante para eu o sentisse, parecia uma simples brisa mas tinha força para fazer o meu cabelo voar. O Céu era branco, ou será que somente a luz que vinha dele é eu enchergava. Talvez não fosse o céu, mas a luz que descia do céu sobre mim. Não precisava dizer nada, eu sentia, eu percebia onde eu estava. Estava na presença de Deus! Sim, era a presença de Deus. Sozinha, sem ninguém por perto ou mais nada além daquele jardim, da brisa, da luz, da presença. Ali eu me sentia completa, me sentia feliz! Mas o que me dizia aquele sonho, aquele lugar? Eu sabia! Eu tinha a certeza do que Ele me dizia! Não precisava ouvir à Sua voz, as imagens me falavam claramente ao coração.

Fui novamente enchergando a luz azul do meu quarto escuro, me lembro dela até hoje. Já a procurei várias vezes e em algumas outras tentei reproduzi-la, mas nunca mais à encontrei.

Nessa época sim, já voltara a escrever. Escrevia quase como antes, me esvaziava de mim e colocava nas folhas de um caderno todos os meus sentimentos como se fosse um diário, só que não escrevia mais poemas, versos, poesias, textos. Sentia-me muito bem quando escrevia e percebia que minhas páginas me aliviavam, minhas palavras escritas tinham muito mais pesos do que aquelas palavras que eu simplesmente dizia.

Certo dia lendo minhas páginas, minhas histórias, percebi que eu as escrevia à alguém. Minhas paginas, meus textos eram cartas, mais do que desabafos, eram conversas e tinham destino. Eram cartas para Deus!