Não me lembro ao certo quando foi, mas tenho certeza de que aconteceu e já estava destinado à acontecer. Pela memória eram apenas treze ou onze, não sei ao certo, mas acredito que sim. Sim, treze anos de idade era o que eu tinha. Uma vontade incontrolável de escrever nasceu em mim. Minhas primeiras páginas eram poemas, versos, cartas. Por algum tempo escrevia, colocava meus pensamentos, meus sentimentos no papel e ali me esvaziava.

Nessa mesma época me sentia sensível o bastante para acreditar que era capaz de ouvir a natureza e porque não conversar com ela. Isso mesmo! Tinha a sensação que podia conversar com a chuva, com o vento, com as plantas. Algumas vezes estava tão sensível que ouvia uma voz dentro de mim que me dizia coisas que de certa forma aconteciam. Sim aconteciam! Lembro-me perfeitamente de um dia em que acordei e havia sonhado algo, pra mim estava meio confuso, mas muito forte me veio a vontade de escrever é como se eu tivesse que registrar para que ninguém duvidasse, para que eu não duvidasse! E foi que eu fiz, infelizmente não eram boas noticias que via, mas as registrei e o inesperado, esperado, aconteceu. Pensei: " Eu vi", " Eu senti". Naquela época não sabia o que era "Eu".

Dentro de mim, sentia que tinha uma sensibilidade mais aflorada, algo que não passava tão despercebido.

Em um determinado momento, tive uma perda irreparável, perdi um membro muito querido da família. Meus pensamentos se confundiam e com eles se confundiam também minhas palavras, meus poemas, meus sentimentos. Mas espera, eu também havia sentido que isso aconteceria, foi em um sonho também e eu falei. Eu comentei com alguém, mas as palavras embora tenham peso e algum valor são esquecidas e ninguém nesse momento se preocupa com o que você disse ou sentiu. E é verdade! De que vale se vi ou senti algo antes mesmo que viesse a acontecer se não poderia impedir ou mudar? Mas algumas coisas acontecem dentro de você para que você as perceba, para que você as sinta e para que você faça algo com elas em você mesmo!

Existiram momentos em que acreditei que via muito mais do que realmente via. Tudo começou a ficar distante e quem eu achava que eu era foi se perdendo em mim, dentro de mim.