Nem sempre suas orações são respondidas, nem sempre você percebe ou quer perceber que esta falando com Deus e Ele esta te ouvindo. Não tenho nenhuma intenção de mostrar doutrinas, verdades ou regras. A intenção das minhas cartas eram sempre únicas; conversar com Deus.

É verdade que levou algum tempo para que eu pudesse perceber que não fazia somente um diário onde colocava meus sentimentos, sonhos, desejos e vontades. Certa vez participei de uma palestra que dizia que quando escrevemos reforçamos ao cerebro uma vez mais aquilo que desejamos, pensamos ou precisamos absorver. É o mesmo que acontece quando escrevemos, colocamos no papel nossos planos ou objetivos para o ano novo por exemplo. Já experimentou fazer isso? Parece algo muito simples mas quando escrevemos parece que assumimos um compromisso maior.

Claro que existem cartas que enviei, escrevi para Deus e não obtive resposta. Isso me faz pensar que talvez não tenha chego ainda o momento ou que o meu pedido não é o que Ele tem preparado pra mim.

Não estou dizendo que as orações, que minhas cartas, podem ser comparadas aos fast-foods por exemplo, mas creio que as orações são poderosas e reforçam e estimulam a nossa busca pelo conhecimento do relacionamento com Deus.

Minhas cartas relatam praticamente toda a minha história de oração e relacionamento com Deus.

Eu tinha uma cadelinha, muito linda, Sofhie de La Lumiere. Estava comigo já a mais de 10 anos. No final da sua vida, Sophie já não estava bem. Seu problema parecia neurológico, a levamos à diversas clinicas e Hospitais, gastamos muito mais do que poderiamos pois nessa época meu marido não estava empregado. Minhas cartas diziam, "Senhor, não leve a Sophie! Não estou preparada para perde-la, me permita antes ter um filho para que talvez assim sua partida me seja menos dolorida, me permita fazer por ela tudo que for possivel, me dê mais uma chance de ama-la com todo o meu coração. Sophie, foi piorando com o tempo. Eu tinha que alimenta-la com uma seringa, pois já não tinha forças para mastigar. Ela dormia no meu quarto ao lado da minha cama, usava supositórios e vários medicamentos. Dois meses depois descobri que estava grávida! Eu tinha muita fé, esperança que Sophie ficaria bem e que seria uma ótima compania para meu bebê, assim como me alegrou por tantos anos. Após cinco meses da descoberta da minha gravidez, no dia das mães mais precisamente, Sophie partiu e nos deixou. Ainda hoje dói lembrar que não esta mais conosco.

E minha carta? Para onde foi? Então me lembrei que sua partida era necessária, mas que tive a graça de Deus e pude cuidar dela, ama-la e ter a oportunidade de ter um tempo onde ela pudesse ainda experimentar meu amor verdadeiro. Eu engravidei e ela logo partiu, assim como eu pensava que diminuiria meu sofrimento, não podemos saber o que aconteceria com o que não vivemos mas mesmo grávida a dor da perda foi inevitável e me deixou alguns dias triste e desolada. Ela estará para sempre em nossos corações e para sempre eu saberei que muitas coisas que pedimos podem ser oportunidades para realizarmos o que precisamos e desejamos. A oportunidade de exercer o amor, a paciência, a fé, o carinho, o perdão.

Nem tudo que pedimos, oramos, desejamos acontece como gostariamos, mas acontecem como deveriam acontecer. A graça de Deus nos dá oportunidade para sermos melhores!