Cartas dos Davies

3 Terceira Carta- Simon


Notas iniciais
Oi fornamda xerosona

10/07/1914

De: Simon Davies

Para: Sara Grace Davies

Amada Sara,

Sua carta me fez muito mais bem que o melhor remédio da Terra. Um dos meus subordinados me olhou com assombro ao ver-me rindo de suas palavras, provavelmente por eu nunca ter rido num lugar como este. Seu gênio difícil e determinado me diverte mais que qualquer outra coisa. Sou um homem muito sortudo por tê-la ao meu lado. Ou a alguns quilômetros de distância, neste caso.

Correspondi-me com minha mãe, mas não obtive retorno. Como ela está? Continua tão ranzinza e tagarela quanto antes? Espero que sim.

Aqui as coisas estão fétidas e sujas. Todas as vezes que olho minha mãos, vejo o sangue de homens que matei. A Tríplice Entente tem nos mandado mais e mais soldados, mas é graças aos Estados Unidos que podemos contar com aviões e canhões de extrema periculosidade. Nunca pensei que a arte de voar seria manchada por tantas mortes.

As marcas desta guerra estão impressas em mim, Sara. Cicatrizes horríveis serpenteiam meu corpo e espero que isso não a enoje quando nos vermos, e ainda que este seja um dos meus menores problemas, não consigo ignorá-lo. Ainda quero que seus olhos brilhem ao me ver. Ainda quero que diga as suas amigas que és casada com um homem bom e benigno. Ainda quero que me ame. Espero que você possa amar um homem cheio de cicatrizes no corpo e na alma. Realmente espero, Sara, porque não sou mais o mesmo.

Ah, e não me provoque mais sobre robes e coisas do gênero. Meu corpo já ferve por ansiar o seu, meu amor, e não tens ideia a falta que me faz todas as noites.

Com amor, Simon.