Notas iniciais
Às vezes eu preciso recolher-me.
A ansiedade vem junto com a tristeza da perda;
Posso até tentar esconder, mas o coração não obedece.
Fico sem falar, sem pensar, sem sentir. Dói controlar o pensamento, dói abafar o sentimento, é doloroso e pobre, triste e sem sentido.
Amar era infinitamente mais fácil,
curtir o sentimento era maravilhosamente rico.
Nunca se quer escutar a lição de vida, amadurecer parece algo muito sombrio e superar aquilo que se foi por definitivo é assustador.
Me recolho e fico quase sem sonhar;
Quem já não me escuta pensa que emudeci para sempre
Até mesmo penso que nunca mais serei capaz de nada
Ser alegre
Ser feliz
De amar
Há sempre um medo enorme
Vou ou não vou?
Se sabe ou não se sabe
Sempre há medo de descobrir
Lembro de amar
Lembro de já ter ficado triste
Tanto quanto fiquei feliz
Lembro das mãos que sempre se achavam
Dos sorrisos e beijos
Sempre apaixonados
Nadando contra a maré, indo contra o fluxo
Quero tanto
Tanto desejar
Tanto sonhar
Ainda falta descobrir a serenidade
dominar toda essa ansiedade
Não tenho medo, apenas espero
Ainda me falta pacificar
Sem que eu tenha que me explicar
Mesmo muda
Ainda sinto que me falta aprender
Literalmente quase tudo
Mas quem me amou
E quem há de me amar
Há também de entender minha ambiguidade
E mutação
Irei apagar
os fantasmas do passado
Vou abrir meu coração
Que está assim tão fechado
Mesmo que sem ti
Lutar para ser feliz
Somente junto de mim
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