Cartas de amor aos mortos
1 Querido Robin
Notas iniciais
― Bom dia, pequenina. Feliz aniversário ― Zelena tinha um sorriso largo nos lábios, denunciando sua felicidade, pois era o aniversário de Robin. A menina completava seu primeiro ano hoje e logo mais à tarde teria uma festa no Grannys para comemorar a data e como a mamãe coruja ainda tinha muito que preparar para as festividades a menina ficaria com a tia. Depois de arrumar Robin, Zelena e a garotinha desceram ― Bom dia, sis ― a morena sorriu para a mais velha com uma xícara de chocolate quente nas mãos. Fora uma semana bastante fria em Storybrooke.
― Bom dia, Zel e bom dia, pequenina. ― a menina agitou-se no colo da mãe, estendendo os pequenos bracinhos para a tia. Zelena sorriu e colocou a menina no chão torcendo para que pudesse, depois de inúmeras tentativas, ver os primeiros passos da sua menina ― Venha para a titia, meu amor ― Regina agachou-se na altura da menina, abrindo os braços de maneira receptiva. Um... Dois... Três passos e menina caiu, sendo rapidamente resgatada por sua tia ― Isso, muito bem. Agora se despeça da mamãe por que hoje você é minha ― a garotinha soltou uma risada gostosa.
― Comportem-se ― Zelena beijou o topo da cabeça de sua filha e despediu-se da irmã saindo de casa. O tempo não estava nada agradável para festas, mas mesmo assim ela o faria, pois Robin era o maior presente da sua vida.
O dia passou e a festa também. Era bom ser parte daquela grande família, mas melhor do que isso era saber que sua menina não teria o mesmo destino que ela. Robin saberia o que era amor e que foi amada desde antes de vir ao mundo, que sempre será amada por ela e que fora muito amada por seu pai e com o tempo também saberia de sua estupidez em confiar no Deus do submundo. Robin adormeceu no meio de seus presentes, logo a mãe a pegou nos braços e a admirou por alguns instantes e, apesar da menina ser muito parecida com a mãe, os cabelos eram lisos e louros como os do pai. Zelena pôs-se de pé com a pequena em seus braços e a embalou por alguns minutos, seu pequeno presente era tão lindo, a ruiva depositou a criança no berço e sentou-se na poltrona que ficava ao lado. Pegou um livro, Robin Hood: o príncipe dos ladrões, para ser mais exata. ― Era uma vez... ― e assim a história seguiu, até que em certo ponto a mulher fechou o livro deixando um suspiro escapar de seus lábios. ― Havia tanta coisa que eu queria dizer para o seu pai e agora... ― uma ideia surgiu em sua mente, poderia ela escrever uma carta a um morto? Era o faria, seria sua forma de dizer o que não teve tempo e, mesmo que Hades tenha dito que Robin desapareceu, cada vez que olhava para sua menina tinha a certeza de que ele continuava vivo em seu coração. Pegou uma caneta e um papel, sentou-se a beira da escrivaninha e permitiu que seus sentimentos fluíssem para a folha.
Querido Robin, hoje foi um dia feliz, um dia em que eu gostaria de tê-lo aqui, um dia que eu gostaria de ter te visto segurar nossa filha em seus braços e dizer a ela o quanto você a ama, mas, infelizmente, fui privada de tamanha alegria. Fui privada de você, mesmo que você não pudesse ser meu, mesmo que você não fosse o meu amor verdadeiro eu gostaria que estivesse aqui por ela e por mim. Já faz quase um ano que você se foi e até agora me lamento por não tê-lo escutado. Perdoe-me, a possibilidade de um final feliz me cegou para tudo ao meu redor, principalmente para o fato de que eu já possuía meu final feliz. A nossa princesa.
Ladrão, há tantas coisas que eu gostaria de te dizer, mas não tive tempo. Faltou-me coragem, por isso escrevo. Gostaria de dizer que em algum momento de minha farsa passei a enxergar-lhe com outros olhos, olhos cuidadosos e zelosos. Eu cometi muitos erros e sei que me odiava quando morreu, mas eu te amei depois daquele beijo, depois daquela noite de amor, depois daqueles sorrisos e até mesmo das raras brigas que tivemos em nossos tempos de Nova Iorque e, por Deus, como eu lutei contra esse sentimento, como eu tentei me afastar de você, mas meu amor, foi impossível, pois contigo e o teu filho foi quando descobri o que era família, foi como descobri o que era amar de verdade. Mesmo que tenha me odiado em seu ultimo minuto de vida, eu vou te amar até o fim da minha por que sem você o meu feijãozinho verde não seria possível e sem ela eu ainda seria a mesma bruxa triste, solitária e sem família. Obrigada, por que mesmo que não soubesse quem era eu, você me amou, obrigada pela minha família e obrigada por que em minhas melhores lembranças o seu rosto é o primeiro em minha mente.
Com amor, litlle witch.
Zelena enxugou algumas lágrimas que caiam sobre o papel e o dobrou, colocou-o no primeiro envelope que encontrou e selou-o com magia ― Espero que funcione, espero que se você estiver em algum lugar... ― a frase ficou no ar, antes de sumir a bruxa beijou a filha mais uma vez e envolta por uma fumaça verde reapareceu frente ao tumulo do arqueiro. Em uma das mãos a carta e na outra uma flor vermelha de grande beleza. Zelena colocou a flor e a carta sobre a lápide e agachou-se frente a ela. ― Desculpe não ter vindo aqui no último ano, mas eu sei que a sis te visita frequentemente, eu ainda não tinha arrumado coragem ― ela sorriu lembrando-se de Nova Iorque, ele costumava dizer que ela era uma bruxinha medrosa por conta de seus pesadelos. ― Eu te amo tanto ― ela não conteve as lágrimas ― não vir aqui fazia parecer que não era real, que você estava em alguma aventura e algum dia desses, eu te veria chegar carregando o Roland nos braços e correndo pra ver nossa filha, beijar a Regina e quem sabe me abraçar, pois com esse coração tão grande já teria me perdoado ― um soluço escapou de seus lábios. Suas faces estavam molhadas, era como se a dor fosse tamanha que lhe trasbordava pelos olhos ― nós podíamos ter sido amigos e você podia ter me ensinado arco e flecha, ensinado a nossa menina cavalgar, já que eu não sei. Essas possibilidades me atormentam tanto... Eu ― sua fala fora cortada por um soluço. Um vento gelado soprou e a figura de Robin se formou em um tom azulado, como no dia em que fora morto. Ele sorriu e tocou a carta. Zelena tentou alcança-lo, tentou tocá-lo, mas ele se desfez diante de seus olhos levando consigo sua carta de amor e dor. Tudo ficou escuro ao seu redor... Zelena estava perdendo a consciência.
A ruiva despertou no dia seguinte em sua cama, como se nada tivesse acontecido, mexeu a cabeça ainda desorientada. Fora tudo um sonho? Ela fitou o vazio e quando estava prestes a se levantar viu caída no chão aquela mesma flor vermelha, ao lado de uma foto muito especial, dela e do arqueiro que havia sido projetada com magia. Ela sorriu. Robin ainda estava com ela e sua filha, em algum lugar, olhando por sua família que, mesmo louca, era a sua família.
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