Notas iniciais
Bem, este é o primeiro capítulo do meu primeiro livro, então, ele terá, provavelmente, alguns erros. Eu ficarei feliz em corrigi-los, se você me avisar.
Como dito anteriormente, é meu primeiro livro aqui no site, se você gostar, ou pelo menos ficar curioso pelos próximos capítulos, divulgue, deixe mais pessoas saberem.
THX.

Ashley Hanes estava caída em uma floresta, cercada por altas árvores que não conseguia distinguir quais eram, mas assumira que seriam carvalhos, a julgar pela enorme pilha de folhas secas em que estava deitada. A jovem ergueu-se do chão, não entendendo o porquê de estar ali.

— Olá?! — Ashley gritou na esperança de uma resposta.

Uma densa neblina cobriu seus pés e ela teve a breve sensação de estar sendo observada.

— Tem alguém me ouvindo? — Gritou novamente. — Tem alguém aí?

Pesados passos seguiam em sua direção, ela não sabia de onde vinham, não os via, mas, por alguma razão, sabia que deveria se distanciar ao máximo deles.

Então, a jovem começou a se afastar do barulho, porém ele parecia estar determinado a chegar nela. Em instantes, ela já estava correndo pela floresta, seus longos cachos morenos voavam com a velocidade em que Ashley desviava das árvores e saltava os galhos caídos no chão. Aquilo tudo parecia inútil, os passos estavam cada vez mais próximos.

A jovem estava ofegante quando a neblina chegou aos seus joelhos, ela não via mais onde pisava. Ashley olhou rapidamente para trás, na esperança de ver o que a seguia. Não havia nada, apenas o assustador barulho dos passos cada vez mais perto. Voltando-se para seu caminho, uma árvore estava bem à sua frente. Com uma súbita virada ela escorregou e caiu ladeira a baixo.

O barulho dos passos parou, assim como a névoa se dissipara.

A adolescente estava pálida — mais ainda do que já era -, sentou-se no chão quando um barulho soou de um arbusto ao seu lado. De novo não, pensou, preparando-se para levantar e correr novamente. Um pequeno objeto surgiu do arbusto e parou na sua frente. Ashley pegou o que parecia ser uma bola branca avermelhada, estava escuro não tinha como ter certeza. Ao tatear o objeto, ela se deu conta que não se tratava de uma bolinha, mas sim de um pequeno coelho, ou melhor, a cabeça decapitada dele. Com um grito, ela atirou o inocente crânio de volta para o arbusto. E acordou.

Foi só um pesadelo.

Ashley acordou atordoada e suada com uma mecha de seu cabelo no rosto. Ela respirava fundo como se a correria do pesadelo fosse real.

A jovem sentou-se na cama, calçou suas pantufas de panda, se levantou e partiu para a porta. A casa estava silenciosa, Ashley olhou para o relógio acima da cortina cinza da janela do seu quarto e viu que não passava das 3 da manhã. Ela, então, seguiu em direção à escada para, enfim, chegar à cozinha, mas uma coisa a fez parar. No fim do corredor escuro, uma luz se destacava, era o escritório do pai de Ashley, William. Não é possível que ele ainda esteja acordado, pensou ela chegando à porta.

— Pai? — disse ela entrando no cômodo.

William ainda estava com seu uniforme de Xerife, dormindo sobre uma pilha de papéis. Ele estava visualmente exausto.

Ashley estranhou a cena, seu pai não costumava fazer aquilo, exceto quando tinha muito trabalho e, aparentemente, naquela cidade nunca acontecia nada. Ela aproximou-se lentamente dos papéis para ver sobre do que se tratava. Eram fotos de aparentes assassinatos, a jovem pegou a primeira da pilha e soltou um grito silencioso de nojo. Na imagem estava uma mulher, com seus quase 40 anos, estripada, seus braços arrancados e arranhados, as pernas brutalmente mutiladas e seu pescoço completamente dilacerado quase arrancando a cabeça da vítima.

Uma mão surgiu atrás da jovem tirando a foto da sua mão, fazendo-a gritar de susto.

— Penso que já te avisei para não entrar no meu escritório sem o meu aviso. — disse William com um sorriso no rosto.

— Mas pai... — começou Ashley, virando-se.

— Aqui dentro eu sou o xerife da cidade — semicerrando os olhos ele forçava uma voz autoritária, mas que sua filha sabia que era apenas brincadeira — e, como autoridade maior, ordeno-lhe que volte para a cama.

Ele deu uma volta na jovem e começou a guiá-la até a porta fazendo um barulho semelhante a um robô. Ashley parou e virou-se para o pai.

— Mas, afinal, o que eram aquelas fotos?

— Eram isso: fotos. — William abriu um largo sorriso para a filha que ficou séria. Ele soltou um breve suspiro. — São casos que estão acontecendo há alguns dias, a polícia ainda não sabe do que se trata. Estamos preocupados.

— Eu não fiquei sabendo de nada. — disse Ashley incrédula.

— Nós estamos escondendo da população. Você viu uma das fotos, aquilo iria aterrorizar todos.

— Faz sentido. — disse a jovem.

Ashley assentiu, deu um beijo na bochecha do pai e saiu do escritório. Ao fechar a porta, ela ouviu um suspiro do pai, ele fingiu que não, mas estava desesperado com aquela situação. Ela não insistiria mais.

Crystal abriu a porta de casa e sentou na escada da varanda, puxou um cigarro do maço e começou a fumar. Ela mantinha esse hábito há anos: acordava de madrugada para fumar escondida do filho, ele odiava o fumo, pois seu pai, marido de Crystal, morreu de câncer provocado pelo tabaco, mas aquilo era uma das poucas coisas que a acalmava.

A rua estava deserta como sempre e escura, o único poste que iluminava a quadra teve sua luz queimada por um dos filhos de Troy, vizinho de frente de Crystal.

Aaron cambaleava na rua até avistar uma pequena chama alguns metros à sua frente. Depois de muito esforço, ele caiu na frente de Crystal.

— Me ajuda. — balbuciou o jovem caído.

Crystal soltou o cigarro, pôs uma mecha de cabelo atrás da orelha e correu para acudir o rapaz. Ela o puxou até chegar à sua varanda.

— O que houve com você? — perguntou a mulher olhando a roupa ensanguentada de Aaron. — O que é esse sangue todo?

— Esse sangue não é meu. — disse Aaron se sentando no chão de madeira como se tivesse forjado todo aquele "mal-estar".

Crystal se ergueu do chão, assustada. O rapaz também se levantou. Ele a puxou pelo pescoço e olhou bem nos olhos dela como se estivesse vendo a alma da mulher.

— Você não vai gritar, não vai correr, nem se mover. — falou Aaron sério.

— Eu não vou gritar, não vou correr, nem me mover. — Crystal repetiu as palavras com um rosto pálido e os olhos sérios fixos nos olhos de Aaron.

Ele abriu um sorriso revelando longas presas pontudas. Aaron puxou a mulher para perto de si, a segurou em um abraço voraz e cravou as presas em seu pescoço. Crystal desfalecia nos braços do vampiro soltando ruídos como se fosse gritar, mas não podia. Ela queria, desesperadamente, pedir ajuda, mas algo a impedia, era como uma mordaça invisível em sua boca.

Passado algum tempo, Aaron estava satisfeito e Crystal estava morta. Ele a deitou no chão ensanguentado, limpou sua boca e começou a arrancar impetuosamente as pernas e os braços de Crystal.

Ashley se embrulhava mais e mais no seu lençol roxo a cada barulho que ouvia. Em geral, era corajosa, nada a assustava, mas agora ela tinha a sensação de que algo horrível iria acontecer, algo que ela não conseguiria controlar.

A jovem soltou um grito ao ouvir um barulho repentino na janela e então se embrulhou no lençol mais ainda e depois foi uma batida na porta, segundos depois os barulhos estavam alternados, a porta, a janela, a porta, a janela...

— Ashley! — disse uma voz rouca do outro lado da porta, arrancando a jovem dos seus pensamentos.

Isso já está patético, foi só um sonho, pensou, levantando da cama e jogando o lençol no chão. Ela seguiu para a porta com a coragem para enfrentar o maior dos leões, pois, afinal, não tinha nada a temer.

Ela colocou a mão na maçaneta e tremeu ao ouvir outro barulho na janela. Respirando fundo, abriu a porta, revelando o calmo rosto de William.

— Bom dia — o homem abriu um breve sorriso. — Você deveria descer, já é de manhã. — disse e saiu encarando os olhos azuis da filha.

Ashley passou horas pensando no pesadelo e nas fotos dos casos do pai que não se deu conta que já havia amanhecido.

— Tá, tudo bem, eu desço daqui a pouco, só vou me trocar. — falou enquanto fechava a porta.

— Melhor se apressar, antes que seu amigo quebre sua janela de novo. — William já dobrava no fim do corredor.

Ashley sorriu ao relembrar os tempos de criança onde Kevin atirou na sua janela um tijolo da casa em reforma do vizinho para chama-la para brincar de esconde-esconde. O vidro da janela se fez em pedaços. William ficou tão bravo, mas perdoou as crianças... logo depois de fazê-las carimbar cada documento da delegacia por uma semana.

Kevin preparava outra pedra para jogar na janela quando Ashley a abriu. Ele atirara tantas pedras que a sacada estava quase que completamente coberta delas.

— Você vai colocar todas essas pedras de volta no jardim antes que meu pai veja! — gritou Ashley lá de cima.

— Não fui eu! — exclamou Kevin jogando a pedra da sua mão na samambaia do jardim.

Ashley sorriu, deu de ombro e desceu, Kevin seguiu para a porta com um sorriso. A jovem desceu as escadas correndo, sacudindo o pijama preto pela casa. Ela chegou à porta em segundos, abrindo-a e recebendo Kevin com um abraço apertado.

— Eu fiz panquecas. — falou William da cozinha.

Os amigos se olharam por um segundo e correram para a cozinha que ficava do lado da escada, animados.

— Isso não é panqueca. — falou Kevin decepcionado ao sentir o cheiro que vinha da torradeira.

— Eu sei — disse William pondo um prato de torradas na mesa. -, mas esse é um único jeito de chamar a atenção de vocês.

Ashley e Kevin amavam panquecas, poderiam passar as suas vidas apenas com panquecas, seria um sonho para eles.

— Maldade isso. — disse Kevin sentando-se à mesa. — Mas ainda aceito as torradas. — ele semicerrou os olhos, fazendo William sorrir.

Ashley estava pronta para sentar à mesa também, mas percebeu que ainda vestia seu pijama preto de seda. Ela se olhou por um momento e subiu as escadas novamente. Minutos se passaram e Ashley voltou à cozinha, pronta para ir para a escola, com a mochila verde nas costas, sua camisa branca, uma jaqueta preta de couro, uma calça jeans e, claro, seu all-star — ela não vivia sem ele.

— Vamos, mocinho. Já estamos atrasados. — disse Ashley puxando Kevin para fora da mesa, fazendo-o derrubar a panqueca da boca.

— Eu só vou buscar minha mochila e nós podemos ir. — balbuciou o jovem com a boca cheia, logo depois de enfiar uma panqueca inteira na boca.

Ele saiu correndo pela porta quase a derrubando, seguiu até o outro lado da rua tropeçando na calçada e, enfim, entrou em casa. Kevin havia deixado a mochila no braço do sofá branco da sala. Ele rapidamente pegou e voltou para a casa de Ashley que já o esperava na porta.

William saiu sacudindo as chaves da viatura do Xerife.

— Eu levo vocês, estou indo para a delegacia, eu posso deixar vocês na escola. — disse.

— Eu aceito a carona... — começou Kevin.

— Então entra. — Falou, trancando a porta às suas costas.

— Mas só se você ligar a sirene. — falou o jovem com um sorriso sapeca.

— Eu devia te colocar pra ir no camburão. — disse William, abrindo a porta do carro.

Ashley olhou Kevin por um segundo, soltou um sorriso e entrou no carro. Aquilo foi suficiente para o adolescente ir o caminho inteiro rindo, ele disse que foi pela sirene que o fez lembrar da infância, mas estava claro que foi pelo olhar de Ashley para ele, Kevin não conseguia esconder sua paixão pela filha do Xerife.

Depois de um longo tempo de intensa alegria de Kevin, eles finalmente chegaram à Wright Hills High School e foram recebidos pelo olhar de gata vingativa de Alex McCormick na entrada da escola.

— Garota que só quer chamar atenção. — comentou ela sobre Ashley para Bella Martinez, "sua fiel escudeira" que concordou fervorosamente.

Os dois jovens desceram do carro e foram direto para a entrada, em geral, Ashley nunca entrava, mas Alex estava lá, ela tinha que atiça-la.

— Adorei a jaqueta, Bella. — disse Ashley lançando seus olhos azuis como um lápis-lazúli nos olhos verdes de Alex. — Bom dia, Alex.

— Obrigada. — disse Bella com um sorriso de orelha a orelha que logo foi repreendido por uma cotovelada de leve de Alex.

Ashley entrou no corredor dos armários gargalhando junto com Kevin comentando sobre a cara da patricinha. O momento risada logo foi interrompido por uma mensagem de Phillip, namorado de Ashley. A mensagem dizia: "Ash, preciso falar com você urgente. É importante". Ela seguiu para o seu armário onde ligou imediatamente para o namorado.

— Phil, o que houve? — falou, preocupada.

— Você já está na escola? — perguntou Phillip com uma clara voz de choro.

Ashley pôs uma mecha de cabelo atrás da orelha, já ficando desesperada.

— Sim, estou. — respondeu brevemente.

— Antes de qualquer coisa... — começou o namorado.

— Responde logo! O que houve? — ela já estava gritando pelo corredor, todos olharam para ela. — Você sabe que eu não gosto de rodeios. — ela baixou o tom de voz.

— Eu... — disse Phillip caindo no choro novamente. — Ela... Minha mãe morreu.

Todos os pensamentos de Ashley pararam, ela não raciocinava normalmente. Tudo parou. Ela não movia um músculo sequer. A mulher que ela conheceu, a mulher que a ajudava com o seu namorado. Não, ela não poderia estar morta. Não fazia sentido, nada fazia sentido. Crystal não estava morta. Ashley se negava a pensar.

— Onde você está? — foram as únicas palavras que saíram da boca dela naquele momento.

— Em casa. — disse. — Não venha pra cá, eu só queria que você soubesse. Eu não estou conseguindo suportar sozinho. — ele soluçava.

O pedido foi em vão, Ashley desligou o celular, pegou sua mochila e saiu correndo da escola, atropelando qualquer um no seu caminho. Ela precisava encontrar seu namorado, precisava saber como ele estava, nada mais importava.

Notas finais
Então, o que achou?
Me deixe saber sua opinião, será um prazer continuar a história, mas só se eu souber que tem pessoas gostando.
BYE.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.