Cartas de Melina
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Boa leitura amores ♥
Um ano atrás...
— Eu preciso ir agora Mel — ele disse ainda envolvido no abraço.
— Eu não posso te deixar ir.
— Por que? Me de uma razão pra ficar — ele me encarou dessa vez sério.
— Harry eu... — e lá se foi a minha voz.
Ele balançou a cabeça e apenas com uma respiração pesada e uma lágrima caindo de seus olhos, ele foi sumindo do meu campo de visão.
Apenas uma frase que eu vi em um lugar qualquer me veio a cabeça: "Nós temos na língua portuguesa mais de 400 mil palavras, eu não consegui usar nenhuma delas para evitar que você fosse embora."
Melina Horan P.O.V
13 de setembro de 2009 — 7:35 PM
Era domingo a noite, estava tendo uma festa para Niall já que nossos vizinhos insistiram em fazer, eles o idolatravam, o que me deixava furiosa, enfim... Havia algumas garotas que só faltavam beijar os pés dele, elas viviam tentando me agradar para eu comentar sobre elas com ele, algumas até me chamavam de 'cunhadinha' acreditam? Ferrei com a alegria de muitas. Uma coisa que eu gosto no meu irmão é o fato da minha opinião importar muito pra ele, como eu já disse eu ferrei com muita delas por conta disso.
Meus pais estavam no maior animo conversando com seus amigos, meu irmão com suas 'groupies', eu chamo elas assim porque o seguem para todos os lugares, uma delas apareceu gritando na nossa janela as 6:00 da manhã acreditam? Meu pai saiu aos berros com a garota que nunca mais apareceu, fez bem, eu morro de ciúmes dele e odeio todas elas.
"Uma gota no oceano, uma mudança no tempo, eu estava rezando para que você e eu pudéssemos ficar juntos, é como desejar a chuva enquanto eu estou no meio do deserto, mas estou te segurando mais perto do que nunca, porque você é meu paraíso. " — Soava pela sala, bela hora de tocar essa música para quem está sofrendo por alguém desnecessário.
— Cause you are my heaven — cantarolei baixinho, respirando fundo.
Há exato um ano que Harry foi embora, ele a cada dois anos, as vezes mais passava as férias com sua família aqui em uma casa na frente do nosso condomínio. Todo ano vem tipos de pessoas diferentes passar um tempo ali, as vezes são amigos (muito bonitos no caso), família, casais e a família do Harry, que são todos uns amores.
Quando eu era pequena lá por volta dos meus dez anos me apaixonei por um dos vizinhos, não entendia muito bem o que isso significava, mas eu sentia a famosa 'borboleta no estômago', minhas pernas tremiam e caramba eu tinha apenas dez anos, isso naquele tempo era tão ridículo. Enfim, esse menino foi embora, lembro bem da nossa despedida era como se fosse ontem... Ele também foi embora e foi bem difícil me acostumar, era o meu melhor amigo.
Sonhei com Harry noites seguidas e por causa disso estava a dois dias sem dormir, com medo de sonhar novamente, o que me resultava em uma cara de zumbi, mas nada que uma maquiagem não resolvesse.
Ele tinha ido embora, tem noção de que só por lembrar dessa simples palavra "embora", meu peito já doía, já sentia minha garganta arranhar.
O que estaria uma pessoa em uma festa lembrando do passado? Pois é, eu nunca me entendo. Com apenas catorze anos já estou assim, imagina quando eu fizer vinte, vai ser terrível.
❥
Era cedo, muito cedo e como de costume o Niall veio me acordando todo animado. Sério, ele deveria ser a única pessoa no mundo a estar feliz numa segunda de manhã.
— Qual é o seu problema? — perguntei com raiva — viu que horas são ainda Niall? sai daqui — disse e taquei meu travesseiro nele.
— Olha a marra maninha, levante e vamos aproveitar o dia — ele disse abrindo a cortina e aquele sol bem na minha cara.
— Niall Horan, você poderia fazer o favor de fechar essa janela e ir dormir porque olha a hora ainda — disse estressada e ele riu.
— Não, você tem que perder essa mania de se arrumar em cima da hora — ele disse tirando a coberta de cima de mim e saindo do quarto sem me deixar responder.
Levantei na má vontade já querendo voltar a dormir, fala sério, quem inventou ter aula às 7:30 da manhã? Já deixava meu humor péssimo.
Olha que novidade, essa noite sonhei com ele, grande merda.
Desci para tomar café da manhã, chegando na cozinha vejo os meus pais sentados à mesa. Dona Sophia como sempre batucando na mesa enquanto a música de BackStreet Boys tocava na rádio, depois de muito ouvir ela conseguiu me fazer gostar deles, pois é. Meu pai como sempre com sua xícara favorita bebendo café e reclamando das músicas da minha mãe. Niall já havia saído, disse que tinha coisas para fazer lá no colégio, sei bem as coisas. Bom, mais um dia normal na família Horan.
— Bom dia Mãe — disse e dei um beijo em seu rosto.
— Bom dia Querida — ela disse e sorriu.
— Bom dia Pai — disse o abraçando e dando um beijo em seu rosto.
— Bom dia Pequena — ele sorriu — como está?
— Cansada e sem a menor vontade de ir para aquele inferno — bufei e ele me olhou repreendendo. — Antes que vocês falem do desnecessário vou indo — dei um beijo em cada um.
O caminho todo era uma tortura, fui caminhando já que morávamos perto, minha mãe fez questão já que sou uma sedentária e ela conseguiu o lugar mais perto que tinha para a minha única alegria.
Quando cheguei fui direto para a sala, estava sem paciência para conversar com alguém. Estava quieta e focada na aula, ouvia algumas coisas sobre mim, mas não liguei e continuei a prestar atenção na aula. Estava focada até que alguém bate na porta, o professor abriu e era a diretora, parece que havia chegado aluno novo, normal agora no começo do ano. Ele entrou e para minha surpresa eu o conhecia, era o Petter, conheci ele uma vez que fui no hospital com minha mãe, ele é cadeirante, todos ficaram quietos quando o mesmo entrou, o professor agradeceu a diretora, olhou para nós e disse quem poderia ajudá-lo, levantei a mão e fui buscá-lo, o coloquei do meu lado.
— Obrigado — ele disse e sorriu.
— Imagina — sorri e ele também.
Começamos a prestar atenção na aula, até que me distraio e ouço as vozes de algumas garotas ao lado.
“- Nossa, ele é muito gato, mas deve ser doente, ou algo do tipo.”
“- Não ficaria com um garoto de cadeira de rodas, pode ser gato, mas imagine ficar levando ele pra lá e pra cá? Seria um saco.”
Fiquei abismada, irritadíssima com aquilo, quis me levantar e falar poucas e boas, mas quem seria eu para fazer isso? Se fosse há um tempo atrás eu estaria falando isso, vendo por esse lado decidi ficar na minha e então olhei pro mesmo e sorri, nisso voltei a prestar atenção na aula. O professor passou um trabalho, seria em dupla, chamei Petter e o mesmo concordou. Algumas garotas me olhavam com nojo e outras achando que eu estava com dó dele, aquilo estava me irritando profundamente. Era a aula de química, adorava, teríamos que fazer algumas experiências. Passado as aulas, fui direto para casa, pensando em tudo o que aconteceu e chegando encontro minha mãe lendo, sentada e focada naquele livro e então a abraço por trás.
— Olá princesa — ela disse sorridente.
— Olá rainha — sorri e me sentei ao seu lado, na mesma hora olhei para baixo e fiquei pensativa.
— O que foi? Por que está assim? — ela olhou pra mim e disse colocando uma mecha do meu cabelo para trás da orelha.
— É que eu conheci um garoto — disse e ela sorriu — não, não é isso que está pensando, é que ele é cadeirante e hoje pude ver o jeito que as pessoas são ignorantes, falavam dele como se ele não fosse se sentir mal, o olhavam com pena, com nojo, não sei aquilo me deu uma raiva, iria falar algo, mas lembrei que se fosse antes eu seria uma dessas pessoas, sinto tanto nojo, tanta raiva, fiquei abismada com aquilo — disse e respirei fundo — se doeu em mim, imagine nele mãe? — a olhei e quis chorar, não sei o porquê, mas só quis chorar, dito e feito, chorei igual uma criança, me deitei ao seu colo e a mesma disse acariciando meus cabelos.
— As pessoas infelizmente são assim filha, fico feliz por você estar assim, estar diferente, com conceitos mudados, com um olhar diferente — ela me olhou e sorriu — sei que dói, no hospital que trabalho vejo pessoas assim todos os dias e vejo a luta delas para sobreviver, é uma dor enorme que sinto no meu peito, todas as noites rezo para que elas fiquem bem, que apareçam lá e sorriem dizendo que estão se sentindo melhores — ela me olhava e compreendia cada palavra que dizia, imagino como deve doer aquilo, ver pessoas morrendo e não poder fazer nada, ver pessoas doentes lutando pela vida, com pouco tempo de sobrevivência.
A abracei e ela começou a chorar, enxuguei suas lágrimas e disse:
— Rainha, vai ficar tudo bem, não podemos fazer nada, infelizmente como a senhora mesmo disse, mas podemos transformar os últimos dias dessas pessoas em alegrias, nada de tristeza, fazer elas viverem cada segundo, os melhores momentos da vida delas — sorri e a mesma abriu o sorriso mais lindo do mundo.
Estávamos conversando, até que meu pai chega, ele entrou em casa cantando, como sempre, ele era um herói para mim e por mais que seu mundo estivesse desabando ele sempre estava ali sorrindo, nos fazendo rir, a minha família são o meu ponto forte, a minha inspiração.
— O que as mulheres mais lindas do mundo estão fofocando em? — ele apareceu no quarto sorridente — estão falando de mim né? Podem dizer, eu sei que sou um gato — ele disse convencido e nós duas gargalhamos.
— Sim, é o marido mais lindo do mundo — minha mãe disse e foi dar um beijo nele.
— Eca, tem gente aqui sabia? — disse e ri daquela situação.
— Ai amor vem cá — ele disse e deu mais um beijo na minha mãe, revirei os olhos e me virei de costas para eles — Mel? — ele me chamou e quando fui olhar ele voltou a beijar ela e depois começaram a rir.
— Ai fala sério, eu vou subir que ganho mais – ri e subi para o meu quarto.
Notas finais
Beijos de luz ♥
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