Cartas de Hans

5 Carta IV: de Hans para seus pais.


Notas iniciais
ESTAVA ESPERANDO SIM PARA OS DIA DAS MÃES

“Para quem me colocou neste mundo e não conseguiu ao menos fazer o mínimo. Que nem ao menos se esforçou para tentar para dar um vida amorosa para todos nós e nos amar.

Eu dedico essa carta, para meus pais.”

Hoje eu estava no campo, trazendo o esterco para as plantações. Eu adoro as plantações, o cheiro de grama me faz esquecer o cheiro impregnado de peixe que molha minhas vestes e o meu cabelo, principalmente depois que as regam. Faz algum tempo que lembro de cheiro de shampoo, da água morna, ou troque meias. Engraçado, também aprendi a costurar.

Mas esse não é o ponto. Um dos agricultores, que estava plantando em pleno sol do meio dia, disse que fiz um bom trabalho. Um bom trabalho.

Acho que foi o suficiente para que eu pudesse morrer ali mesmo de felicidade, meu esforço foi reconhecido, e eu estava sozinho, sem seu favorito o Caleb. O velho não era nenhum rei ou alguém importante financeiramente para você, não usava ouro ou peles caras, sua bota estava furada e sujas de lama, e sua roupa remendada com cores diferentes, com os cabelos brancos e covinhas sua barba era longa e fofinha, a voz dele era cansada, mas ele confiante, e não hesitou em dizer que eu fiz um bom trabalho. Talvez fique na minha mente pelo resto da vida o que ele disse. — Diferente do senhor, papai.

Acaso nunca tinha notado o meu esforço, desde que aprendi a segurar corretamente um pena e desenhar um cavalo com seis patas, e mostrar animadamente para você. Vossa Majestade disse: — Hans, um cavalo não têm seis pernas, vá aprender a desenhar como seus irmãos. Caso não tinha notado também, nenhum dos gêmeos sabia desenhar e nem escrever o próprio nome, fui eu que consegui primeiro, e nem por isso você reconheceu que fui eu. Pois nada tinha o mesmo valor para você, se não desse retorno financeiro.

As palavras eram mecânicas, acho que pesavam como dinheiro, se falasse mais que 5 frases seguidas para mim era muito, ficaria feliz o resto do meu dia. — Lembro-me de tudo o que me disse na vida, você também não gastava muita saliva quando se tratava de mim. — Mas durante o tempo que fiquei sozinho, aprendi a não me contentar com migalhas. Como o valor que você tinha para mim foi baixando como o sal no ar ao ponto que foi substituído por merdas de cavalo.

A mamãe, no entanto, sempre fora diferente. Mas não o bastante para me proporcionar mais que uns sorrisos, ela fez bem o papel dela, nos mínimos detalhes, bem minimamente. Me dava sorrisos, cansada de tudo, suponho, dessa vida. Às vezes conseguimos nos comunicar, e eu sinto sua falta. Depois de Lars, era a única que fora legal comigo. Mas nada me põe para baixo enquanto trabalho, é muito melhor. Você sempre acariciava meus cabelos enquanto eu dormia ou depois de um pesadelo, durante algum tempo depois que nasci, me alimentava primeiro e sempre, sempre protegia dos ataques dos mais velhos. Nunca soube que era inveja, mas Runo e Rudi falaram que era motivo de fraqueza.

Aposto que sempre queria que eu fosse uma menina, seu último filho.

É, infelizmente fui eu.

Enfim, ninguém merece o tratamento que você dava a nenhum de nós, as seus filhos, as suas noras ou a sua esposa. Acho que todos queriam sua aprovação alguma vez na vida, que olhasse e dissesse que estivesse orgulhoso, disse pelo menos um “bom trabalho”. É uma cadeia de cartas, a base nunca foi muito forte mesmo que se considerassem leões, no fim eram todos ratos.

Sem ressentimentos,

Hans.

Notas finais
FELIZ DIA DAS MÃES, e para os pais que são as mães e as mães que são os pais. ~Mally