Cartas de Hans
2 Carta I: de Hans para ele mesmo. Part.1
Notas iniciais
"A pessoa, que sempre duvidou de mim e conhece até os piores medos e
segredos que nunca contei nem mesmo ao meu melhor amigo. Que encorajou acima de tudo, a ser uma pessoa ruim.
Eu dedico essa carta, para mim mesmo.”
Sempre pensei que você fosse mais esperto, não era você que corria dos seus irmãos? que conseguiu passar as noites trancado no armário de limpeza até a faxineira fazer a faxina, que ficava sem comer, pois sempre roubavam do seu prato a única migalha de pão e carne. Que roía as unhas ansiosamente para que seus irmãos nunca o encontre na brincadeira de esconde-esconde até deixá-las sangrando. Ficando com dor de cabeça a cada vez que batiam nela.
Pelo menos, nesta época em questão, você era mais inteligente. Perceberia se estivesse em perigo.
Era engenhoso Hans, astuto. Lembra de quando fazia brinquedos e fez seu primeiro barco sem a ajuda de seu pai, ou ficou escondido por quase duas semanas e seus irmãos, aqueles idiotas, não sabiam onde você estava. De quando pegou a sobremesa primeiro, e se deliciou com chocolate, pela primeiras vez em anos, enquanto o gosto apetitoso de cacau derretia por sua língua, o sabor do açúcar aguçava seus sentidos. Lhe causava arrepios por toda a espinha. Aquele sentimento de felicidade, por uma vez, de como quase sentou no trono, que quase fora seu, seu por direito. A princesa Anna lhe deixou no controle de tudo, quão ingênua podia ser? A coroa de ouro em sua cabeça, brilhando contra o sol, a capa pesada, de couro.
Um reino para chamar de seu.
Planejou durante antes, estudou sobre o reino, procurou pelas pessoas certas, ganhou sua confiança. Ninguém da família real tinha o conhecimento que você teve, você estudou incansavelmente durante anos e anos, para ter um final tão patético, limpando esterco sem água potável ou roupas limpas e costuradas, ou comida quente. É irritante estar nessa situação. Agora é motivo de piada pelos quatro cantos do vento, de seus progenitores, e de todos os seus parentes e conhecidos. Seus irmãos tinham razão, você é tão patético quanto tudo o que você faz, merece um final tão desprezível quanto este.
Que nem as larvas de seu caixão tenham piedade ou os espíritos tenham compreensão com o desgraçado que você se tornou.
Espero que encarecidamente me entenda,
com razão, Hans.
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