Cartas de Beatrice

9 Carta para Dan


Hoje assisti o pôr-do-sol, mais ou menos.

Aconteceu sem querer. Estava me sentindo sufocada e com calor, então fui pra sacada pegar mais ar. Você sabe que eu nunca gostei muito da vista dali porque a luz dourada do final da tarde faz doer meus olhos (você costumava dizer que eu era uma falsa pintora por isso, porque “que tipo de pintor não gosta da ‘golden hour’”?), mas hoje foi diferente. Eu nem conseguia mais ver o sol, ele já tinha se escondido atrás dos outros prédios, mas o céu estava numa mistura de laranja com rosa ( → era a cor coral, mas você sempre implicou por existirem tantos nomes de cores diferentes que parecem a mesma), o vento estava fresco, então eu fiquei ali um pouco, olhando para o céu. E eu vi uma coisa linda, Dan. Um bando de passarinhos surgiu e voou em direção ao horizonte, eram tantos que pareciam pontinhos pretos pintados. Eu quis tirar uma foto, mas o celular estava no quarto e se eu saísse para buscar iria demorar demais. Então eu só encarei, continuei olhando enquanto eles iam sumindo e virando nada, aproveitando a liberdade que tinham pelas asas. Você sabe que eu nunca me dei muito bem com animais por conta da asma, mas naquele momento eu quis tanto tanto tanto ser um passarinho e poder voar para longe de tudo e todos e só me perder no céu que eu chorei. Me lembrei de você, onde quer que esteja.

Você está livre, Dan?

Eu espero muito que sim.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.