Cartas de Andromeda

1 18 de Maio de 2002


Notas iniciais
Bem gente, aqui está! Eu não faço ideia até quando vou levar essa fanfic, mas sempre que surgir uma inspiração, capítulo novo será postado. Algumas cartas que Andromeda escreveu a pessoas próximas a ela, aos seus amigos, ao seu amor. Logo cada capítulo é uma carta! Espero que gostem da leitura!

Para Ted Tonks (carta nunca enviada)

18 de Maio de 2002

Querido Ted,

Espero que você e Nymphadora estejam bem, pois eu estou bem. Ainda estou me recuperando quanto às feridas que a guerra deixou, mas bem. Esses dias comemoramos quatro anos desde a derrota de Voldemort e todos não poderiam estar mais do que aliviados. Eu até poderia dizer que estamos felizes, mas essa não é uma palavra que usamos muito nesses últimos quatro anos. Mesmo que a guerra tenha terminado, muitos buracos ficaram em nossas almas, em nossos corações. O meu não está diferente.

Você se lembra do dia em que partiu, para buscar uma forma de manter-se vivo, por eles estarem a sua procura e de todos os outros nascidos-trouxas? Eu pedi para você se cuidar, que eu estaria cuidando de Dora, de Remus e do nosso neto que estava para nascer dentro de alguns meses. Você me prometeu que ficaria bem, que voltaria para cuidar de mim, da nossa filha e para conhecer nosso neto. E eu prometi que cuidaria de tudo por aqui.

Mas a questão Ted, é que você não voltou para mim e eu falhei miseravelmente na minha promessa, falhei até mesmo em manter Nymphadora viva. Eu deveria saber que ela era tão determinada quanto eu, que faria de tudo para proteger seu filho, assim como eu fiz de tudo para a proteger. Mas eu a protegi durante todos esses anos para ser morta pela minha irmã. Bellatrix a matou. Ela estava tão sedenta pelo poder e vitória que fez questão de tirar a vida da própria sobrinha, da mesma forma que não relutou quando matou Sirius. Eu amava Bella, amava diante de todas as suas imperfeições, eu a amava ainda acreditando na imagem que eu tinha dela quando éramos pequenas. Quão errada eu estava? Já deveria ter riscado-a de minha vida há muitos anos, mas fui tola o bastante para acreditar que ela poderia se redimir. Infelizmente para algumas pessoas não há o perdão, não tem como existir isso, e foi por isso que fiquei aliviada quando soube que Molly a matou. O pior erro foi ela ter saído daquela prisão, antes disso já estava louca, ficou ainda pior quando matou Sirius e outros tantos inocentes, assim como nossa Dora.

Não há um dia em que eu não me arrependa por ter deixado-a ir para à batalha. Deveria ter pedido mais, não só por mim, mas por Teddy. Mas quando ela disse que precisava salvar as pessoas e proteger Remus, além de falar que faria aquilo para um mundo melhor para Teddy, eu não pude impedir. Apenas olhei para nosso neto ainda dormindo no berço, dei um abraço apertado nela e vi nossa filha partir pela porta da frente. Foi a última vez que a vi viva.

Perder Dora foi uma das piores mortes que sofri nessa vida, maior do que descobrir a morte de amigos na primeira guerra, de ouvir sobre a morte de Sirius e ainda mais quando descobri que você não voltaria mais para mim, pois estava morto. Ouvir seu nome saindo do rádio, seguido de “está morto” me fez desabar.

Achei que você estava a salvo quando fugiu, até então rezava todos os dias para você voltar são e salvo para mim, para darmos continuidade em nossas vidas, mas isso não foi capaz, não agora. E eu estaria mentindo se dissesse que não gostaria de ter você aqui comigo e em todos os momentos futuros da minha vida. Não estava errada quando lhe fiz os votos de matrimônio, queria ter ficado com você até seu último dia de vida, sei que se ficasse aqui, teria morrido muito antes, a fuga lhe deu mais alguns meses, e eu lhe peço perdão por tudo o que passamos nesses anos todos.

Sei que não foi fácil para você ter ficado com uma Slytherin e ainda por cima, que pertencia a uma família tão purista que o queria morto. Recebemos tantas ameaças e nunca tínhamos sido pegos, que eu confiei demais nessa última vez. Ainda tinha certeza que você voltaria para casa e teríamos nossa vida de volta, assim como também acreditei que Dora voltaria pela mesma porta.

Sabe, ainda posso sentir seu perfume quando vou dormir, seu lado da cama contínua intacto, esperando que você volte para casa, para sermos novamente uma família. É errado querer tanto que as coisas voltem a ser como antes? Quando ainda éramos adolescentes e achávamos que nosso maior problema era minha família e minhas irmãs implicando pelo nosso relacionamento? Quando você ainda estava aqui, comigo?

Éramos amantes tão tolos, jovens que acreditavam que o amor vencia tudo, quem dera fosse assim. Não é mesmo? Nossa vida passou longe de ser um conto de fadas, mas eu também não poderia ter escolhido alguém melhor. Desde antes de nos casamos você era o meu porto seguro, Ted, e eu sei que você foi a melhor coisa que aconteceu em minha vida. Eu o amei bem antes de você me pedir em casamento, talvez antes mesmo de acreditar que o amor era realmente possível. Você tornou minha vida melhor, longe de tudo aquilo que eu estava destinada a ser. Você me deu uma oportunidade de um outro caminho e foi essa que eu aceitei. E eu lhe agradeço todos os dias por isso, por ter me dado a nossa filha, por ter sido um ótimo marido em todos os momentos.

Sinto sua falta todos os dias, não tem sido nada fácil sem você. Mesmo depois de quatro anos, ainda muitas coisas que vou fazer quero contar a você e acho que é por isso que decidi escrever essa carta. Foi quase uma ideia do Teddy, ele é um garoto bem esperto e segundo ele não devemos guardar coisas para nós mesmos. Queria contar a ele sobre tudo, mas é tão pequeno, é tanta coisa para adquirir.

Ultimamente ele vem me perguntando sobre os pais dele e eu conto a ele o quanto Remus e Dora foram corajosos. Uma vez quando estávamos nos Potter, Harry deixou escapar que Remus era um lobisomem. Ele veio correndo me perguntar se isso era mesmo verdade e eu afirmei, dizendo o quanto seu pai era corajoso por ter vivido tantos anos com a licantropia. Ele sussurrou em meu ouvido, que ele tinha certeza que o pai havia sido um grande homem e que ele teria ficado muito feliz se lembrasse dele. E só tem quatro anos! Imagine quando crescer e ficar tão maravilhoso quanto você era na adolescência.

Também estamos convivendo mais com os Weasley e com os Potter, claro que faço isso por Teddy, ele quem pede quase todos os dias para visitarmos o padrinho Harry.

A última mania dele é deixar o cabelo azul, segundo ele é a cor favorita de Victoire, filha do Bill e da Fleur. A garota é a alegria de nosso neto, talvez por eles serem as únicas crianças em meio de tantos adultos e mesmo ela tendo apenas dois anos, Teddy insiste em querer ir lá para brincar com a menina, mesmo que a mesma não entenda quase nada.

É tão gratificante ver o sorriso no rosto dele, crescer sem os pais não é algo que devemos desejar a nenhuma criança. Ele tem a mim, claro, mas convenhamos que nossa filha teria sido a mãe perfeita para ele e é uma pena a fatalidade que aconteceu com ela e com Remus. Vocês todos fazem uma enorme falta e acredito que só estou superando todas essas perdas pelo nosso neto. Ele que é a luz dos meus dias, que me mostra que tenho que viver e tenho que lembrar de vocês pelos momentos bons. A vida não começou boa para ele, mas talvez seja por isso que nos damos tão bem, ele percebe em meus olhos a tamanha dor que eu sinto e eu percebo o quanto ele fica triste por não ter conhecido tão bem os pais, por mais que Harry seja como um.

Mas olha, não se preocupe, Ted, estamos bem, assim como você está ai cuidando de todos os que foram, eu estou aqui, cuidando daqueles que ficaram. Minha irmã também me visitou esses dias, sim Narcissa. Foi uma grande surpresa quando eu a vi, não a esperava por aqui, fazia anos que não nos víamos. Mesmo depois de tudo, eu a amo, ela nunca teve culpa pelas decisões de Lucius e algumas de Draco. Tenho certeza que ela ficar do lado deles foi apenas o desespero de uma mãe e de uma esposa, eu faria o mesmo por você e por Dora. Fico feliz por ela, por Narcissa, ver que está bem, viva e feliz, me faz bem.

E Ted, eu comecei essa carta dizendo que estou bem, e não é mentira. A cada dia me fortaleço mais, a guerra me trouxe perdas, sim, e por mais que eu continue com minha vida, ela não é mais como antes. Algumas coisas não mudam, como a saudade e sei que a minha será eterna, até nos reencontrarmos novamente, pois eu acredito nisso e sei que você também acreditava. Acreditava que depois que morrêssemos, nem mesmo a morte nos separaria e você tem toda a razão: vamos nos encontrar. Tenho certeza disso. Eu amo você.

Com amor,

Dromeda.

Notas finais
E ai? Espero que tenham apreciado a leitura, logo tem mais! Beijos, Bea.