Cartas de Amor
5 Capítulo 5 Big Mico!(Malu)
_Capítulo 4_
_Narração Maria Luisa_
Eu olhava com certa curiosidade para a conversa de Ricardo e Manuela, tentando fazer leitura labial. Fail total. Só restava esperar a resposta dela, que vinha com uma cara de confusa. Mas uma confusa feliz.
- O que houve, seis ? – eu e Clarissa perguntamos quase juntas. Mas eu fui mais rápida. Ahá.
- Ah, nada. Ele só pediu pra eu entrar no MSN. Será que isso é bom ?
- Acho que sim ! – sorriu e deu uns pulinhos de alegria Clarissa. Eu dei uns pulinhos também.
- Manu éssedois Ricardo ! – provoquei.
- Por que eu sempre boio ? – perguntou Karla, fazendo um beicinho. Clarissa exclamou um “aun” e deu um abraço na amiga, explicando rapidamente:
- Simples, Manu e Ricardo. Ponto final.
- Ah, entendi. Ou não – e rimos todas juntas.
Foi quando o sinal de fim dos melhores 35 minutos de aula tocou. Subimos, rindo, conversando e irritando os próximos à nós. Natural.
Despedimos das duas, que eram de outra turma, e fomos, Malu e Manu, para nossa sala. Estava da mesma maneira de sempre.
- Já percebeu que a subida do recreio é sempre igual ? Os garotos zoando e as meninas conversando ? – contei sobre minha percepção à Manu.
- E você babando pelo Bernardo – ela riu muito alto. Eu olhei pros lados para verificar se ninguém tinha ouvido. Não pareceu. – Ta, parei. É verdade. Olha quem chegou – ela fez cara de tédio e sentou no lugar dela. Eu olhei, e vi que o meu professor preferido estava na porta, observando a bagunça da sala. Eu fui falar com ele.
- Bom dia professor !
- Bom dia. – respondeu com a mesma voz de angolano de sempre e me olhou de cima a baixo. Ele adorava implicar comigo. Em todas as aulas, independente de dia, hora. Só dependia mesmo era do meu humor.
Voltei pro meu lugar, e dei uma olhada rápida em Bernardo, que estava quieto, por incrível que essa frase possa parecer. Eu fiquei um pouco preocupada, mas tentei ocultar isso. Só que acho que não deu muito certo.
- Preocupadinha com o Bernardo, né, Maria ? – brincou o debochado do Bruno. Apesar de ser verdade, eu tentei ignorar o comentário e ignorar ele. O que era um pouco difícil, já que ele sentava muito perto de mim e ficava me perturbando toda hora. Eu tinha que prestar atenção na aula, então, para poder ignorá-lo. Também não dava, aulas de Ciências eram entediantes e davam sono. O que me restava ? Escrever, olhar no espelho, conversar por papelzinho com Manuela... várias opções de não se fazer nada em aulas de Ciências.
Ninguém nunca prestava atenção na aula. Muito menos eu. Mas nessa aula, especialmente, Manuela estava bem atenta. Ou estava enganando muito bem. Ela estava olhando atentamente para o professor, e concordando com a cabeça com tudo que ele falava. Não estava conversando nem comigo, nem com Julliana, nem por papelzinho, nem de jeito nenhum. E eu não sabia se me preocupava ou não.
O mais surpreendente foi quando o professor pediu uma resposta para ela, e ela não respondeu. Uma cena bem típica de filme de adolescente, que estava acontecendo com Manu. O professor repetiu a pergunta várias vezes e ela não dava o menor sinal de responder. Manu só acordou para a vida quando deram um cutucão nela.
Quando percebeu o que tinha acontecido, Manuela ficou levemente corada, todos estavam olhando pra ela. Ela respondeu que não sabia, e o professor continuou a explicar a matéria. Eu fiquei triste pela minha amiga, e mandei um bilhete para ela.
O que foi amiga ? Você ta voando aí ! Preocupada com alguma coisa ?
Eu mandei o bilhete pelo marca-texto, sem prestar muita atenção se o professor vira ou não. Ela leu rapidamente e respondeu em pouco tempo.
Ér... mais ou menos. Tô meio ansiosa pra conversa no msn. E preocupada. Ai, eu não sei amiga, me ajuda !
Eu dei um sorrisinho, entendendo tudo.
Amiga, não se preocupa. fica tranqüila ! Não adianta você sofrer antes !
É meio irônico logo eu dizer isso. Eu sofria muito por antecedência. Mas, faça o que eu mando, mas não faça o que eu faço.
Eu joguei o papelzinho. Ela leu, sorriu, fez um coraçãozinho com a mão e escreveu uma breve resposta.
Te amo, amiga !
Mas, ela errou um pouco a pontaria na hora de lançar-me de volta a nossa conversa e Bruno pegou nossa conversa.
- Devolve ! – quase gritei, tentando pegar de volta.
- Não – disse ele, abrindo o papel – O que foi amiga ? Você ta voando aí ! – começou a ler, com a voz diferente, debochada.
- Para, garoto ! – eu gritei
O professor olhou para mim e perguntou o que estava acontecendo.
- O Bruno pegou o meu papel professor ! – reclamei, sorrindo maliciosamente para Bruno
- Devolve – pediu o professor. Ele devolveu contrariado, eu peguei o papel, rasguei em pedaços pequenos pedaços e joguei no lixo. Abri um sorriso vitorioso para Bruno e dei uma olhadinha rápida em Bernardo. Ele sorriu, e eu senti meu rosto ficar levemente quente. Blush natural, droga !
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