Cartas ao vento
1 Capítulo 1 - O Começo
Notas iniciais
Pov Aline
Não vou dizer que tenho uma vida perfeita, não acredito que exista isso. Talvez, se enxergarmos bem, existem momentos em que somos felizes, e tal felicidade é tão abundante que dizemos “Nossa, que vida perfeita”, mas isso se vai no momento em que o alarme toca ás 6:20 da manhã. Espera, 6:20??? EU ESTOU ATRASADA!
Levantei da cama irritada pelo fato do meu pai não ter me acordado, como sempre faz. Tomo um banho rápido, procuro meus sapatos, minha farda, arrumo a minha mochila e pronto, corro para tomar café e ir para a escola. Não costumo acordar feliz, pra ser sincera. Quem acorda feliz logo nesse horário? Tá, meu pai... Mas hoje não foi assim. Eu vivo com a minha mãe, meu pai, meu irmão e nenhum deles estava contente. Ao som rotineiro do jornal na TV, peguei a minha xícara em silencio e caminhei até a mesa para terminar a minha refeição, que se resume à uma xícara de café. Quando terminei, escovei os dentes e fiquei na garagem esperando a famosa frase, que é:
–Vamos logo, já vi que o transito está um caos por lá.- Meu pai tem mania de repetir isso sempre, e não gosta de estar atrasado para nada, nada mesmo.
–Você sempre diz isso. – Digo, por fim, a primeira coisa do dia. Entro no carro e dou um grande suspiro, sinto que hoje o dia vai ser cheio.
(...)
–ALINE! ALINE! Você não vai acreditar!
Bom, essa é a minha melhor amiga, Samantha. Ela realmente é parecida comigo, no modo de ser. Se diverte com as coisas da vida, coisas bizarras que encontramos por aí ... Em aparência, é branca e tem o cabelo castanho, não muito grande, que dá contraste junto aos olhos escuros e o sorriso aberto que te faz querer sorrir também. Nós estudamos juntas a três anos e durante esse tempo, somos grudadas demais. Ela é animada e assim como eu, gosta de inovar. Mas bem, quando chega com o celular na mão, riso alto e saltitante, aí vem bomba.
–O que? O que? – Digo sorrindo, já tomando consciência de que era uma novidade sobre alguma coisa da internet.
–Eu conheci um menino lindo, sério, ele parece muito com aqueles americanos perfeitos. Mora no sul, o Alan que me mostrou. – Disse ela, procurando alguma coisa no telefone. Ok, ela tem bom gosto, se diz que é bonito, fico curiosa.
–Que menino? Conheceu onde? CPF, Identidade, endereço?
–Calma, olha só.
Então ela virou o celular em minha direção, e numa tela pequena pude ver um menino realmente lindo. Mas como nada é um mar de rosas, percebo que existem chances de nem ser ele mesmo. O menino é loiro, olhos verdes, pele clara e um sorrisinho muito meigo. Parece ser meio baixo, na real, parece ter doze anos de idade. Vestia uma camisa azul de manga curta, pela foto a casa parecia ser bem grande e bem articulada.
–Quantos anos ele tem? Parece ser novinho, e nem aparenta ser brasileiro. – Disse aos risos ainda admirando a foto.
–Ah, tem 16, se chama Guilherme. Alan conversou com ele pelo Facebook, num grupo que tinha fãs de bandas e cantores internacionais. Ele pediu para fazer grupo do whats e me colocou, vou pedir para te adicionar também.
O Alan é o nosso amigo da escola. Ele é todo engraçado e despreocupado, vive nas redes sociais procurando fofocas de artistas e adora boybands. Admite ser gay, mas nunca o vi com nenhum cara, só por foto mesmo. Enfim, tem um olho azul acinzentado de dar inveja, é alto e meio gordinho. Sempre que dá, conversamos bastante, mas ele é de outra turma e nem sempre o vejo.
–Tudo bem, me conta mais sobre o grupo. – Disse interessada
–De adicionados, só somos nós e uma menina de São Paulo, Fabiana falsiane. –Disse ela, fazendo uma cara de nojo ao citar o nome da menina. Rindo, perguntei quem é.
–Li, ela é muito chata. Eu nem ia falar com o Guilherme, mas ela insistiu tanto que eu fui. Ela tá afim dele, queria que eu falasse com ele e tudo mais. Quando eu fui, ela desmentiu dizendo que não gostava dele, que era mentira e etc.
–ESPERA – Interrompi. – QUE QUENGA ! Tudo isso em um final de semana? Vou grudar no celular agora, não quero perder mais histórias como essas.
E assim fomos rindo, até a sala de aula. Ela me contou como que ele era, me mostrou áudios da voz dele – e que voz! – E me mostrou as músicas que ele cantava e mandava no grupo, realmente era muito talentoso e tocava vários instrumentos legais. Pelo que ela disse, ele parece ser muito divertido e engraçado.
A manhã passou rápido, muitas aulas, livros para ler, atividades para fazer... Ouço o sinal tocar e já é hora de ir embora. Vou me despedir das meninas e acompanho a Sam até a porta.
–Não esquece do grupo, quero conhecer essas pessoas aí – Disse acenando e indo em direção ao banco no jardim da escola, onde eu esperava pelo meu pai por uma eternidade.
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