Cartas Para um Suicídio

2 Parte DOIS - Rosandra Martins


DIFERENTE

Eu estava me sentindo muito receosa, vi algumas conversas do Gabriel com outros garotos pelo Facebook e vi algumas coisas que me deixaram indignada. Ele estava mesmo conversando amorosamente com um menino? Ele estava flertando com outro homem? Isso é no mínimo estranho! Eu amo meu filho, mas preferiria que ele não fosse “diferente”.

Eu o amo, do jeitinho que ele é, mas o que as outras pessoas vão dizer? O que minha mãe e meu irmão vão dizer? Não sei se vou conseguir viver assim, vendo meu filho sofrendo preconceito. Já tive colegas que são homossexuais e já vi o que a sociedade é capaz de fazer com eles, eu não quero isso para meu filho.

O Gabriel abriu a porta, tinha acabado de chegar da escola e foi direto para o computador como sempre. Eu queria muito conversar com ele sobre aquele assunto, mas não sabia como e nem de que forma. Nunca havia tido esse tipo de conversa com alguém e não sabia como chegar nesse assunto, mas sabia que uma hora ou outra eu teria que tomar alguma posição.

— Gabriel Henrique Martins, venha já aqui! – Eu o chamei, como se fosse brigar com ele, eu não ia, mas as vezes sentia que devia e apesar de não saber o que dizer, eu sabia que como mãe eu precisava dizer algo.

Ele veio andando, ficou parado na minha frente, me olhando, como se de certa forma desconfiasse o que eu fosse perguntar. Como mãe precisei manter o pulso e então perguntei:

— Você gosta de meninos?

Deu para ver que ele ficou todo rosa na hora, depois vermelho, talvez até meio roxo, parecia que estava sem ar. Não sabia a melhor forma de chegar no assunto então fui direta. Eu nunca havia visto ele tão envergonhado, ele abria a boca para tentar dizer algo, mas sempre parava e acabava mudo, o silêncio estava ensurdecedor. Acho que ele estava com medo, eu também estava. Eu sei que nem todo mundo aceita bem esse tipo de situação e por mais que eu não consiga entender o que se passava na cabeça dele, eu o amava e ainda amo, porque ele é meu filho e ele sempre vai ser meu filho.

— S-sim mãe – ele respondeu tremendo. Eu estava tremendo por dentro também, na época eu não sabia se eu queria ou não ter ouvido aquela resposta, mas meu coração só podia o continuar amando e hoje eu sei que foi a melhor resposta que já recebi, não tinha como ser de outra maneira, as coisas tem que ser exatamente do jeito que são.

— Filho, tudo bem se você for, eu vou te amar de qualquer maneira. Você vai continuar sendo meu filho sempre – Não sei bem se usei as palavras corretas, mas ele me abraçou no dia que eu as disse e lembro que ele me agradeceu por eu ter dito isso. Ele disse sobre como queria poder ter contado antes, mas que não sabia como eu reagiria e por isso se manteve em silêncio, mas depois de um tempo tudo ficou bem.

Passamos um tempo conversando sobre esse assunto. Apesar de ser diferente para mim, de alguma forma eu sabia que também era para ele e eu não podia deixá-lo sozinho e perdido. Então eu disse para ele o quanto ele era especial e diferente e como eu ficava feliz por ele ser diferente, pois assim ele se destacaria na multidão.

Na época eu não sabia o quanto do que eu havia falado era totalmente verdade. Eu queria que ele se destacasse na multidão, mas não tinha certeza que que era por esse motivo, mas bem ele é meu filho e vou o amava e vou amá-lo incondicionalmente não importa de quem ele gostasse. Hoje eu sei que tudo que eu disse à ele era verdade, apesar de eu estar confusa sobre a situação que eu não entendia, eu nunca estive confusa sobre o amor que tenho pelo meu filho…NUNCA.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.