Cartas Para Um Invisível

1 Capítulo 1: O meu psiquiatra me da uma máquina


Notas iniciais
Oii, é a nossa segunda fic. Nossa? Segunda? Vocês devem estar se perguntando. Somos duas pessoinhas doidas que se uniram para fazer uma fic, e cada uma de nós ja fizemos outra fic em perfis separados. Espero que gostem! E leiam outros capitulos se não gostarem por que a história vai melhorando ao longo do tempo
Beijos ^^

Seth

Eu estava descendo a rua, era uma manhã como outra qualquer... Indo ao encontro do meu psiquiatra, minha última visita. O motivo de ser a minha consulta final? Não é por que eu estou curado, ou vou me mudar, a causa é que meu pai já não tem condição para pagá-lo.



Antes de entrar no consultório, eu passo por uma praça, sempre tem uma velhinha de vestido preto ou roxo, nunca lhe dirigi a palavra, o fato é que... Eu não sei se ela é real.

Quando eu chego à clinica, a três quadras da minha casa, a recepcionista já estava a minha espera, ela tem um certo medo de mim, o que me faz sentir-se incomodado na presença dela.



–Entre Seth, o doutor já está a sua espera.

Ela sempre fala a mesma frase. Entrei na sala do psiquiatra, sem falar nada.

–Seth! Hoje é o grande dia!



– Oi senhor Watson, como o senhor vai?



Sempre lhe pergunto como ele está, ou o que ele tem feito no dia. Eu adoro ouvir suas histórias, são fascinantes e engraçadas.



– Estou bem Seth, sente-se.



– Não tem nenhuma história hoje? – pergunto desapontado.



– Não, hoje nada aconteceu de interessante.



–Que pena, eu prefiro ouvir a suas histórias a falar sobre como minha semana foi ruim ou boa.



Ele deu um sorriso leve e se virou para pegar a minha ficha.



– Doutor... Como eu vou ficar? Sem o senhor?



–Você vai ficar bem Seth, lembre-se, você é forte, vai conseguir. Já lhe disse que não precisa me chamar de Doutor, pode me chamar de Nathan.



– Mas e se eu não conseguir?

– Bem... Procure um amigo anônimo! É ótimo!



– Como assim?



– Eu já ia lhe sugerir essa técnica, me dê àquela caixa, perto da mesa central.

Levanto-me e pego a tal caixa. Estava embrulhada em um papel presente verde com bolinhas azuis, o entreguei perguntando-me o que havia lá dentro.

Da caixa ele retirou uma máquina de escrever, preta e velha, um pouco enferrujada, mas nada que um bom conserto não ajude! Vinha com folhas decorativas, era realmente linda.



– Puxa, obrigado! Eu nunca tive uma maquina de escrever. Mas por que...

Tentei me concentrar nas palavras que estavam se embaralhando na minha cabeça, eu não estava me lembrando do queria falar, comecei a ficar nervoso, como se precisasse dizer o que eu havia esquecido.



–Seth... Calma! Você está vermelho, não tem problema algum você se perder no meio das palavras. Vamos... Complete: “Mas por que...”



Respirei fundo, e a palavra veio a minha mente:



– Mas por que você me deu isso?



– É o amigo oculto! Veja bem... Procure um endereço, escreva uma carta, nesta você se apresenta, não fale nos mínimos detalhes, apenas diga que quer um amigo, se ele ou ela responder, você começa a conversar com a pessoa. Podem até se encontrar depois, assim vai botar os desabafos e praticar a sua organização de falas. Os remédios vão ser os mesmo que você consegue no governo.



– Mas... E se ele não quiser falar comigo?

– Seth... Você está em Nova York! Sei que você está na parte pobre de Nova York, mas não é possível que uma pessoa não queira falar com você!

– Se você diz... Você sabe que eu odeio falar sobre mim.



– Mas essa pessoa vai ser sua amiga, tente e experimente. Quem sabe você não melhora?

– Eu vou tentar senhor, prometo.

A minha consulta com ele sempre demora 90 minutos, mas ele só cobra 60, o resto do tempo é meu ataque de perca de palavras, que juntando ao todo equivale a 30 minutos, mas a culpa não é minha!

A minha conversa inteira com o Doutor... Quero dizer, Nathan, foi feita sobre os meus planos desse ano. Voltar para a escola depois de um ano perdido, quer dizer que eu vá ter que escutar muitos boatos sobre o que eu andei fazendo todo esse tempo. É muito injusto eu ter que abandonar minha única confidência. Até que um assunto tocara-me forte e comecei a suar. As palavras ficaram tão bloqueadas que eu estava a ter um colapso nervoso:



–Como está indo em casa? Você conversou com o seu pai como eu te aconselhei? – Disse Nathan escolhendo suas palavras.



Fiquei estupefato, então optei por observar o escritório dele. Era pintado de laranja vivo, que de certo modo me deixa mais alegre. Tem várias estantes com livros que eu não posso dizer os nomes, pois eram tão grandes que eu não teria capacidade de pronunciar, fotos de família que sempre estão na natureza, nunca na cidade grande, tinha alguns desenhos de pacientes crianças, gavetas com fichas intituladas de A-Z. Sabia a história de cada objeto daquele escritório que tinha cheiro de maçã. Porém um deles me deixava atormentado, aquele que me lembrava de tudo que me enraivecia todo dia. Mas nunca mencionei pro Nathan da raiva que tinha daquela pequena garrafa alcoólica decorativa. Até agora.



– Dá para tirar essa garrafa? – Eu disse apontando para aquela pequena adversidade nas minhas consultas.



– An? Que garrafa, Seth?



– Aquela ali! Para mim aquilo não é uma decoração, e sim uma atrapalhação. Por que você tem essa garrafa?!



– Oh Seth! Isso não é alcoólico, e sim uma garrafa decorativa de um suco tropical que ganhei em uma viagem.



– Por que você nunca me contou?

– Talvez tenha me esquecido. Foi uma viagem que eu fiz ao Brasil com a minha família, acabei ficando em um chalé tropical que nos deram isso de presente. Como eu disse não é nada alcoólico, mas não recomendo beber, está há muito tempo ai

– Por que eu iria querer beber um suco desses?

– Só queria dar um aviso. – Ele disse sem tirar o sorriso- Agora sem me enrolar, você conversou com o seu pai?

-Não. Não ia perder meu tempo com ele.

– Certo, como eu te falei, você tem que superar isso.



– Mas tanto faz para mim!



Ele começou a falar o quanto era importante eu fazer as pazes com ele, mas é algo meio impossível.

Chegou à hora de ir, a hora que eu tanto temia chegou. Eu passei longos dias aqui, falando sobre minhas semanas, escutando o que ele já havia vivido, é triste dizer adeus.



– Seth, você consegue! Você é forte.



– Eu... Eu espero. Eu adorei ficar falando com você Nathan.

O abracei, ele ficou sem reação, pareceu surpreso, mas no fim me abraçou de volta. Eu deixei uma lágrima cair.



– Seth, se as coisas apertarem, você pode vir aqui, eu sou seu amigo.

Eu peguei a caixa onde tinha a máquina de escrever olhei para trás e acenei com um pequeno sorriso.



Na volta para casa fiquei imaginando como eu ficaria conversando, vai ser ótimo encontrar um amigo, espero que ele seja da minha idade, estou um tanto ansioso. E espero que seja da minha escola, voltar amanhã não vai ser nada fácil.



Cheguei a casa, coloquei a máquina de escrever sobre a minha escrivaninha, eu queria começar logo, ficar sem amigos é uma idéia que me assusta bastante.

“Oi,

Meu nome é Edward, e eu queria um amigo, alguém para conversar. Me disseram para escrever essa carta e enviar para qualquer endereço.

Então? Você topa ser meu amigo?



Edward"



Posso ter mentindo sobre meu nome, mas não ia revelá-lo logo, agora eu só precisava de um endereço. Procurei nos catálogos, e achei um perfeito. Fui logo no correio e mandei a minha primeira carta.



Notas finais
Gostou? Sim? Comente! Não? Por que? Nos diga! Tem algum erro? Comente para corrigimos
Obrigada! Até o próximo capítulo