Cartas Para Julieta
8 Capítulo 8
Notas iniciais
Pelo menos nosso mapa já estava com um Lorenzo marcado com um “x”, o Lorenzo Louco. Menos um.
Havíamos viajado por cerca de 40 minutos, e agora estávamos em um bar, esperando Claire no lado de fora.
–Então... Acha que é ele? –perguntou Brittany.
–Eu acho que não. O Lorenzo que Claire comentou não passaria suas tarde em um bar, mas sim na fazenda. Talvez essa viagem demore um pouco mais que o esperado. –respondi.
–Queria que isso acabasse logo. Assim me veria longe de você. –cutucou Brittany sorrindo de lado.
–Cala a boca. Você adora passar um tempo comigo, apenas não admite. –disse olhando para ela.
–Nunca. Você é louca por achar isso. Não suporto você, baixinha. –debochou a loira.
–Essa doeu. –disse levantando a mão até o peito dramaticamente. –Mentira, também não suporto você. Loirinha metida.
–Nanica!
–Egocêntrica!
–Petulante!
–Chata!
–Gostos...
–Voltei meninas. –interrompeu Claire antes que Brittany terminasse de falar. Ela ia mencionar alguma coisa sobre eu ser gostosa? Deve ser coisa da minha cabeça.
–Não é ele? –perguntou Brittany.
–Não. Mas ele foi um perfeito cavalheiro. E adorei conversar com ele. Ele até disse que se eu não encontrar Lorenzo, deveria voltar até aqui, que ele faria um delicioso peixe, e seria o meu Lorenzo. –respondeu Claire rindo. –E ele era realmente muito charmoso.
–Eca. –disse Brittany com cara de nojo, me fazendo rir.
Voltamos para o carro, e andamos mais uns 20 quilômetros, até chegar à costa litorânea, onde um barco estava recém chegando ao píer.
Então um senhor, com trajes de banho horríveis e extremamente inapropriados para sua idade, saiu de uma lancha, ajudando a sair do barco, e beijando a mão de todas as mulheres que passavam por ele.
Brittany estava com um sorriso gigante no rosto, e olhava divertidamente para Claire.
–Bonitão. –brincou a loira.
Claire assistia a cena de boca aberta, enquanto eu estava espantada com aquilo. Aquela sunga quase não cobria nem as partes intimas daquele senhor. Credo... E ainda por cima ele parecia ser um tarado.
–Oh meu Deus, não... Graças a Deus não é ele. –murmurou Claire. –Vamos embora daqui.
Voltamos para o carro, e riscamos mais um Lorenzo. Agora já eram menos três.
Ficamos olhando o mapa por mais alguns minutos, decidindo qual direção tomar, e qual Lorenzo escolher.
Pegamos o caminho mais próximo, e antes de voltar para a estrada, paramos para jantar.
Seguimos viagem depois de comer, e não demorou muito para Claire já estar dormindo.
–Você não quer que eu dirija? Deve estar cansada. –ofereci.
–Não, eu estou bem San. –respondeu a loira distraidamente me olhando pelo espelho.
–Do que me chamou? –perguntei sorrindo.
–De Santana. –disse ela desviando o olhar.
–Não, você me chamou de “San”. Tudo bem, você pode me chamar assim. Mas só se eu puder te chamar de Britt. –falei ainda com o sorriso no rosto.
–Então vamos continuar nos chamando pelos nossos nomes. –respondeu a loira com seu típico sorriso de lado.
–Porque você insiste em me irritar? –perguntei zangada.
–Porque eu gosto. E é a verdade Santana, não vou muito com a sua cara. É por sua causa que estou nessa viagem idiota. –disse ela simplesmente.
–Está aqui porque quer! E quer saber Brittany? Eu vou dormir! E vê se para de olhar para os meus seios e presta atenção na estrada. –disse fazendo a loira arregalar os olhos e corar furiosamente.
Logo após essa nossa conversinha, eu peguei no sono. E como já estava acostumada, um par de olhos azuis entraram sem permissão em meus sonhos.
–------***-------
Acordei de manhã cedo, e estávamos prestes a entrar em uma mansão enorme, com um jardim realmente incrível!
Claire estava acordando, enquanto Brittany dirigia com uma carinha de sono super fofa. E perigosa. Imagina se ela dorme no volante? Credo!
Quando a loira estacionou, descemos do carro e ela logo comentou:
–Bem, isso não seria ótimo, vovó? De um rapaz que trabalhava na terra, para um homem que as possui. E pularia a parte complicada.
–A vida é feita das partes complicadas. –respondeu Claire sorrindo e olhando a paisagem, fazendo Brittany sorrir também.
Caminhamos por um caminho rodeado de lindas árvores, e arbustos, até a enorme porta da casa.
Claire tocou a campainha, e alguns segundos mais tarde um senhor, muito bem vestido e de aparência jovial, abriu a porta.
–Posso aiutare? [Posso ajudar?] –questionou ele olhando para todos nós.
–Lorenzo Bartolini? –perguntou Claire.
–Sí. –disse ele estendo a mão para Claire com um sorriso no rosto.
–Mi chiamo Claire. [Me chamo Claire.]. Parla inglese? [Fala inglês?] –disse ela apertando a mão do homem. –Possiamo parlare? [Podemos conversar?]
–Certo. –disse ele agora falando em inglês. –Onde está minha educação?! Por favor, entrem!
Entramos na enorme casa, e Claire logo tratou de nos apresentar.
–Estas são minha neta Brittany, e minha amiga Santana.
–Muito prazer, meninas. –respondeu ele apertando nossa mão, e nos enviando um gentil sorriso. –Bem, ao que devo a honra da visita de uma mulher tão bela quanto você, Claire?
–Na verdade, eu estou à procura de um homem chamado Lorenzo Bartolini. Por isso vim aqui... Porém creio que ele não seja você. –disse a senhora com um sorriso triste para o homem.
–Bem, e se não for muita intromissão de minha parte... Porque está à procura desse Lorenzo? –perguntou ele educadamente.
–É uma longa história... –suspirou Claire.
–Bem... Se quiser me contar, eu tenho tempo. Não gostaria de tomar um vinho comigo, enquanto conversamos? –disse ele estendendo a mão à Claire.
A senhora relutou um pouco, mas logo segurou a mão do homem.
–Vocês gostariam de alguma coisa, garotas? –perguntou ele antes de se retirar.
–Não, obrigada. –respondemos em uníssono.
–Vamos esperar lá fora. –falei puxando Brittany comigo.
–De jeito algum! Vou mandar minha funcionária levar um suco para vocês, junto com alguma coisa para comerem. –disse ele. –Giovanna! –e logo apareceu uma mulher de uns 30 anos na porta da sala. –Leve as meninas lá fora, perto da piscina, e sirva-lhes com o que quiserem.
–Realmente não é necessário, Senhor Bartolini. –eu tentava dizer.
–De jeito algum! Vão que Giovanna vai acompanhá-las até lá. –insistiu ele.
–Muito obrigada, Senhor Bartolini. –agradeceu Brittany.
–Por favor, me chamem de Lorenzo. Agora vão, que quero saber a história de sua avó. –disse ele fazendo-nos rir.
Giovanna nos acompanhou até o lado de fora da casa, até uma mesa ao redor da piscina, e logo apareceu com dois sucos de uva, que, aliás, estavam maravilhosos.
–Me desculpe por ontem. –disse Brittany quebrando o silêncio, assim que a funcionária saiu. –Você não é tão chata assim. E eu sei, no fundo, que a culpa de estarmos aqui não é totalmente sua.
–Uau. Isso já é um progresso. Então não me odeia? –perguntei tentando esconder um sorriso que teimava brotar em meus lábios.
–Nunca te odiei. Só não gostava de você. É diferente. –corrigiu ela.
–Ah, então agora gosta de mim? –indaguei divertidamente.
–Eu também não disse isso. Não força né. –respondeu ela rindo.
–Tudo bem, eu também “não gosto” de você. –sorri fazendo aspas com os dedos ao pronunciar as palavras.
Brittany estava sorrindo e olhando para as próprias mãos, até que subiu seus olhos, e seu olhar encontrou o meu.
Ficamos nos olhando por o que pareceu uma eternidade, e eu juro que pude perceber os olhos claros descerem e se fixarem em meus lábios.
Eu estava ficando assustada, pois podia sentir que Brittany estava se aproximando, e eu sabia que algo dentro de mim não me faria recuar. E isso é errado.
Mas então, Giovanna apareceu trazendo mais suco, e alguns sanduiches, fazendo Brittany pigarrear e voltar a seu lugar, e eu engolir em seco.
Assim que Giovanna saiu, ficamos em um silêncio desconfortável, até Claire e Lorenzo apareceram lado a lado. Pude perceber algo de diferente, então vi que Claire segurava uma rosa branca nas mãos.
–Que pena que não era eu... –dizia ele.
–Pois é... –respondeu ela timidamente.
–Querida Senhora Clara, eu nunca a teria deixado partir. –disse ele segurando as mãos de Claire, e beijando-as logo em seguida. –Acredite-me.
–Obrigada. –respondeu, sorrindo para ele. –Por tudo... Até logo.
–Até logo. –falou Lorenzo sorrindo.
Ela seguiu até onde se encontrava Brittany e eu. Acenamos para Lorenzo, que acenou de volta com um sorriso no rosto, e seguimos para o carro.
–O que há entre você e os italianos? Eles ficam de quatro por você! –brinquei com Claire, fazendo-a rir.
–Isso é uma pena. Acho que eu poderia ser feliz aqui. –disse Brittany rindo.
–“Feliz”? –repeti. –Sua neta disse “feliz”?
–Eu disse “poderia ser”. –corrigiu Brittany. –Só não se empolgue. Tenho uma reputação a manter.
Entramos no carro, e seguimos viagem.
Bem, agora são menos quatro “Lorenzos”.
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