Cartas Para Julieta
28 Capítulo 28
Notas iniciais
–Mamãe, vai demorar muito para a gente chegar?
Tirei minha atenção da paisagem exposta através da minúscula janela do avião, direcionando meu olhar para a pequena garota que, com os joelhos no banco e seus braços ao redor do –quase imperceptível- encosto de cabeça da poltrona, me encarava do assento da frente. Seus cabelos cor de mel, puxados para o negro, estavam presos em uma trança lateral, e seus olhos brilhavam em expectativa. Extremamente linda e educada para uma pessoinha dessa idade. É óbvio que ela puxou à mãe.
–Logo, meu amor. –escutei uma voz ao meu lado responder por mim. –Deixe sua mamãe dormir um pouco. A vovó dela está dodói, e ela precisa descansar para quando chegarmos.
Virei meu rosto rapidamente, tentando buscar a dona da voz.
–Durma, querida. –sussurrou Santana, com seu rosto próximo ao meu.
–Eu não estou com sono... –respondi no mesmo tom. Seus olhos me encaravam com ternura, e seus polegares faziam um suave carinho circular nas costas da minha mão esquerda, que descansava sobre minha coxa.
–Precisa de alguma coisa? –perguntou preocupada.
–Sim. –respondi, sendo fitada pela latina com sua típica sobrancelha levantada. –Eu preciso de você. Sempre.
–Pois saiba de que estarei sempre com você. –respondeu; seus olhos me encarando com uma intensidade indescritível.
Ela sorriu abertamente e, sem desgrudar seus olhos dos meus, se aproximou, selando nossos lábios em um selinho terno.
Quando nos separamos, eu tive a estranha sensação de não saber como tudo tinha acontecido. Como eu havia parado ali? Nada passava de um borrão em minha mente. Entretanto, por um lado, eu tinha certeza de que a mulher sentada ao meu lado tratava-se de minha esposa, e a garota à minha frente minha filha. Então eu apenas ignorei, sorri, e voltei meu olhar ao horizonte ao meu lado.
Espreguicei-me, assim pude constatar que estávamos na classe executiva do avião, por isso o lugar estava praticamente vazio. E a maioria dos presentes estava dormindo, ou se ocupando com alguma outra coisa. Sorri, me ajeitando na poltrona.
–Sabe... –comecei, com minha mão esquerda subindo pela perna direita de minha esposa. –Eu disse que preciso de você... E nós não fizemos absolutamente nada para que isso fosse resolvido.
Santana olhou para minha mão em sua perna, em seguida desviando seu olhar para meu rosto.
–Britt, amor... Estamos em um avião. –sorri concordando. –Com nossa filha e a Rach.
Olhei novamente para os lados, e aproximei meu rosto da mulher que tanto amo.
–E daí? Rachel está com a Manu, fazendo-a companhia. Nossa filha nem vai notar. –disse. Santana cruzou os braços na altura dos seios, fazendo uma cara de “prossiga”. –Digamos que você precise ir ao banheiro... Então você demoraria um pouco, aí eu iria checar se está tudo bem.
Ela sorriu e balançou a cabeça em negação.
–Você não tem jeito, Brittany. É completamente louca.
–Louca por você. –sorri de lado. –E por fazer amor loucamente com você no banheiro de um avião.
–Isso soa quente... E excitante. –ela mordeu o lábio inferior e se aproximou de mim, sua boca encostando-se a minha orelha esquerda. – Para falar a verdade, você me deixou completamente molhada. Me comer agora não seria nada mal. –Lambeu a extensão da minha orelha e sorriu, se afastando; eu gemi frustrada. –Meninas, eu já volto. Vou ao banheiro. –avisou à Rachel e Manoela, que apenas assentiram.
Passados exatos 5 minutos, olhei para trás e levantei-me disfarçadamente.
–Eu vou ver se sua mãe está bem. Volto logo.
–Uhum. –começou Rachel. –Sei muito bem o que você vai ver naquele banheiro.
Virei de costas, sorrindo. Eu pareço uma adolescente. Na realidade, eu me sinto como uma adolescente. Provavelmente porque tem uma latina gostosa me esperando para transarmos no banheiro do avião. Existe algo melhor do que isso? Acho que não.
Aproximei-me do recinto, e dei duas batidas na porta.
–San? –sussurrei.
A porta se abriu em seguida, dando o espaço suficiente para que eu passasse.
Ao entrar, olhei para Santana que estava escorada na bancada em que ficava a pia. Retribuí o sorriso que ela me enviou, e tranquei a porta. Dei dois passos em sua direção, fazendo com que nossas respirações se misturassem. Deslizei meu nariz por seu rosto e pescoço. Mordi o lóbulo de sua orelha, enquanto minha mão direita suspendeu sua perna em minha cintura; com a outra mão eu acariciava seu seio por cima da blusa, ouvindo-a arfar baixinho com cada toque meu em sua pele. Escorreguei minha mão esquerda para a parte interna de sua coxa, roçando a ponta dos dedos em sua intimidade por cima da calça jeans, sentindo-a se arrepiar em meus braços. Segurei-a pelas pernas e a coloquei sentada na bancada da pia.
–San... –falei em seu ouvido, com minha voz rouca e a respiração pesada. –Abre as pernas pra mim, amor. –ela soltou um grunhido e assentiu, dando liberdade para que eu pudesse mexer a mão. Imediatamente coloquei uma mão na sua cintura, ficando no meio de suas pernas, e com a outra comecei a abrir o botão de sua calça. Quando finalmente consegui, Santana colocou suas mãos em minha nuca e me puxou para um beijo ardente, em que sua língua chupava a minha com força e demonstrava todo seu desejo. Não aguentei e coloquei minha mão direita dentro de sua calcinha, estimulando seu clitóris com movimentos circulares e sentindo o quanto ela estava molhada e quente, apenas esperando para que eu a fodesse bem gostoso.
–Porra, Britt... –gemeu. –Faz isso logo, droga!
Mordi seu lábio inferior, no mesmo momento em que escorreguei meus dedos para baixo e a penetrei sem aviso com meu dedo médio, escutando uma série de gemidos controlados por minha boca grudada na sua. Eu colocava meu dedo bem fundo em sua intimidade, depois tirava-o inteiro, para que em seguida repetisse o processo. Pela quarta ou quinta estocada, adicionei um segundo dedo, o que a fez cravar suas unhas em minha nuca.
–Tão apertada, amor... Tão quente. –aumentei a velocidade das estocadas, e sentia seus braços me apertarem contra si, e suas unhas arranhando meu pescoço. –Goza em mim, Santana... Goza nos meus dedos, vai! Goza agora! –ordenei, batendo em sua coxa com a mão livre, em seguida puxando seus cabelos para trás, lambendo toda a extensão exposta de seu pescoço.
Dobrei a ponta dos meus dedos, tocando a parte esponjosa dentro dela, o que a fez gritar de prazer. De repente, a porta do banheiro abriu-se abruptamente e Rachel entrou, começando a sacudir meus ombros.
–Acorda garota. Nós chegamos.
–O que? –perguntei confusa.
–Brittany, acorda! O avião vai pousar.
–Onde eu estou? –olhei para frente um pouco tonta, passando minha mão direita pela testa.
–Estamos pousando em Florença. –respondeu Rachel. –Você deve estar se sentindo um pouco tonta, mas isso é normal, devido ao tranquilizante pra cavalo que você teve que tomar antes de embarcarmos.
–Espera, então foi um sonho? –indaguei à mim mesma, me afundando na cadeira. –É, isso explica muita coisa. –bufei, frustrada.
–Como assim um sonho? –perguntou Rachel.
–Nada. –suspirei. –Esquece.
Olhei para o lado, e lá estava ela. Sentada na outra fileira, ao lado de uma menininha branca de olhos negros que não parava de apontar para a janela, encantada com alguma coisa.
Ela mal voltou à minha vida e mudou tudo novamente. Não que algum dia ela tenha deixado meus pensamentos. Mas tê-la assim... Tão perto de novo... Faz com que eu me sinta fraca e impotente.
Se no nosso primeiro reencontro eu já a beijei, sonhei com ela e a desejei... O que eu vou fazer agora? Eu não posso deixá-la entrar e fazer uma bagunça com meus sentimentos novamente. Eu simplesmente não posso.
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