Cartas Para Julieta
18 Capítulo 18
Notas iniciais
Eu não a esperei falar mais alguma coisa. Saí correndo e entrei em meu carro. Eu realmente não sei o que vou fazer quando vê-la, mas sei que a amo muito, e não vou deixá-la ir sem ao menos lutar por seu amor.
Realmente não sei como ainda estou viva. Eu viajei por praticamente metade de toda a Toscana em menos de 2 horas.
Mas enfim... Cá estou, dirigindo feito uma louca condenada por entre os carros, apenas porque eu não consigo tirar Santana da minha cabeça. Eu realmente devo estar enlouquecendo, mas isso não importa. Antes uma louca apaixonada, a uma chata sem amor.
Bem, finalmente cheguei.
Meu estômago está embrulhado, e eu estou suando frio. Se isso não é medo, não tenho ideia do que seja. E por que medo? Eu não sei... Nunca senti isso. Mas sei que a dor de uma rejeição é grande, portanto essa deve ser a razão de meu medo repentino.
Estacionei o carro na rua da pousada. Fechei meus olhos, a fim de tranquilizar minha respiração, suspirei, e saí do veículo.
Mas antes que eu pudesse fazer mais alguma coisa, lá estava ela. Na sacada de seu quarto. Acho que essa é mais uma de suas manias de apaixonada por Shakespeare: ficar sempre na sacada. É como se ela esperasse por seu príncipe encantado. Esse pensamento me fez abrir um sorriso.
Quem sabe ela esteja apenas esperando por mim! Não sou homem, então não seria seu príncipe, mas sei que o que sentimos uma pela outra é forte, e nada mais importa.
Porém, com a rapidez que meu sorriso apareceu, ele se desfez. Um loiro apareceu na sacada e a abraçou. Ele a chamava por apelidos carinhosos, como amor, coisa que eu nunca tive a oportunidade de fazer. Mas é claro... Esse deve ser Sam. O noivo dela... E como noivo, ele tem esse direito.
Eu já devia esperar por isso. Ela não trocaria seu noivo por mim. Ela não trocaria uma vida estável por mim. E como todo “romance de verão”, o meu chegou ao fim.
Ele a abraçou mais forte dessa vez, e ela retribuiu o abraço... Eles se beijaram.
Essa cena foi como um tapa na cara, o empurrão que eu precisava para ir embora.
Entrei no carro, e peguei a estrada de volta à casa de Lorenzo.
Não sei se fiz certo em não ter ao menos tentado falar com ela. Mas Santana parecia tão feliz... Tão completa. Talvez essa tenha sido minha hamartia. Meu erro fatal que levarei para o resto da minha vida, sem a minha garota.
Brittany POV off
–Querida, senti tantas saudades! –dizia Sam enquanto me abraçava.
–Eu também, Sam. –respondi sem ânimo.
–Queria te dizer isso pessoalmente, porque nem te enviei um email, e nem fazia sentido, não é?! Porque sei que você estava ocupada, e... –parou com o monólogo ao ouvir o toque do celular. –Um instante. Alô? –disse ele saindo.
Ótimo. Mal voltei e ele só fica nesse maldito celular... Bela “escolha”, Santana. –bufei.
Olhei para a rua novamente, e pude jurar que vi o carro de Brittany desaparecendo na esquina. Eu devo estar com tanta saudade daquela loira azeda que já estou alucinando... Deus, como eu a amo... Isso é tão confuso...
Limpei as lágrimas que escorreram lentamente por minha face, e suspirei. Não havia mais nada a ser feito. Afinal, hoje é sexta. Voltamos amanhã cedo para Nova York, e Brittany ficará aqui na Itália, e depois partirá para Londres. Um oceano inteiro longe de mim.
Já estava anoitecendo, e como Sam parecia uma adolescente eufórica de 16 anos falando com seu ídolo ao telefone -ele é uma pessoa extremamente entusiasmada-, resolvi ligar para a pizzaria mais próxima, fazer meu pedido, e esperar.
Após jantar novamente sozinha, já que meu noivo é uma gazela e ainda estava no telefone resolvendo coisas de seu restaurante, resolvi tomar um banho e ir arrumar minhas malas.
Deitei na cama, suspirei pesadamente, e finalmente fechei os olhos. Instantaneamente, um par de olhos azuis surgiu na minha mente... Eu conseguia sentir o calor de seus braços ao meu redor. Sua respiração batendo de leve em meu pescoço... Eu conseguia sentir até seu cheiro impregnado em meu pijama. Sua voz suave cantarolando alguma música dos Beatles... Eu podia me lembrar de tudo dela perfeitamente.
Saí de meus devaneios com um braço forte me agarrando possessivamente pela cintura, e um ronco invadindo meus ouvidos. Apenas um exemplo do que serão todas as outras noites, durante toda minha vida. Mas que grande merda.
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