Cartas Para Julieta
9 Capítulo 9
Notas iniciais
Viajamos o dia inteiro dentro daquele maldito carro. Paramos apenas para almoçar, e para Claire esticar as pernas mais tarde. À noite chegamos a um agradável hotel no interior da Toscana.
–Você precisa de ajuda com as malas? –se ofereceu Brittany.
–Não precisa, obrigada. Só vou levar essa mochila. –respondi levantando a pesada mala em minhas mãos.
–Dê-me isso aqui, vai. –disse ela tentando tirar mochila de minhas mãos, que eu carregava com certo esforço.
–Não. Eu consigo carregar sozinha. –teimei.
–Não consegue, não! Isso deve estar com quase seu peso Santana, deixe de ser teimosa e me dê a maldita mochila. –rebateu Brittany.
Bufei e entreguei a mochila à ela, que, diferentemente de mim, a pegou sem dificuldade.
–Como se você não fosse magra feito um palito para carregar essa mochila. –debochei abrindo a porta para a loira passar.
–Tem muita coisa que você não sabe sobre mim. –disse ela deixando a mochila perto da cama quando entramos em meu quarto. –Vejo você mais tarde.
–Mais tarde? –questionei.
–Sim, vamos jantar mais tarde. –respondeu a loira, e vendo minha cara de confusão, ela tratou de explicar. –Quero dizer... Minha avó, você, e eu.
–Ah, sim. Claro. Tudo bem. Eu só vou tomar um banho e já desço. –informei. E posso jurar que percebi os olhos de Brittany ficarem mais escuros. Foi algo que eu disse?
–Tudo bem. Até logo. –retirou-se Brittany.
–Até logo. –respondi fechando a porta.
Essa garota me deixa completamente intrigada.
–----***-----
Mais tarde, cheguei até o restaurante e me aproximei da mesa em que as duas mulheres estavam sentadas.
Percebi que Brittany olhava para minhas pernas expostas, já que eu usava um vestido preto, e para meu decote. Claro, ela tentou disfarçar, mas sem obter sucesso.
Cumprimentei Claire e ela, e logo me juntei às duas.
Conversávamos sobre amenidades, até que Claire tentou fazer com que falássemos uma com a outra.
–Brittany, porque não conta a Santana sobre seu trabalho para o bono?
–Não imagino que ela se interesse. –Argumentou Brittany.
–Vamos tentar. –falei. –Bono significa trabalho voluntário, certo?
–É, tipo, defender os indefesos, preservar os direitos humanos, ajudar os refugiados a conseguir asilo. –disse a loira dando de ombros. –Parece surpresa.
–E estou. Nunca a imaginei como o tipo “salvadora da humanidade”. –respondi fazendo Brittany olhar indignada para Claire.
–É mesmo? –indagou Brittany sarcasticamente. Eu apenas concordei com a cabeça. –Então que tipo imaginou que eu era, exatamente?
–Bem, eu estava inclinada a uma arrogante elitista de Oxford. Mas agora que mencionou, uma boa samaritana convencida também funciona. –disse fazendo-a dar uma risada pelo nariz, e balançar a cabeça negativamente.
–Acho que seu julgamento é ruim, então. –concluiu a loira.
–Mas ela lida mesmo com fatos, Brittany. –finalizou Claire, me fazendo rir. –Certo, então vou me recolher. Boa noite querida. –disse Claire dando um beijo em minha testa.
–Boa noite, Claire. –sorri.
–Posso acompanha-la até o quarto, vovó? –perguntou Brittany já de pé.
–Não. Sejam gentis uma com a outra. –disse Claire simplesmente, dando um beijo no rosto de Brittany. –Boa noite.
A loira assistiu a avó se afastar e sentou novamente, bebendo o conteúdo de sua taça de vinho.
–Ela é incrível. –comentei.
–Respeito seu uso dessa palavra, nesse caso. –respondeu ela com um sorriso de lado.
–Puxa, estou lisonjeada. Obrigada por aprovar. –debochei.
–Ora, por nada. –rebateu ela. –Sim, bem... –começou ela. –Vamos para a cama?
–O que?! –perguntei quase me engasgando com o vinho.
–Ir para a cama... Oh... –disse Brittany incrivelmente corada. –Eu quis dizer... Você me entendeu. Ir dormir. –completou ela baixando a cabeça e me fazendo rir. –Bem... Por mais que eu fosse adorar ficar sentada aqui e beber a garrafa inteira de vinho...
–Não, vá dormir. –cortei. –Deveria mesmo, você deve estar cansada. Boa noite, Brittany.
–Certo. –disse ela largando a taça de vinho na mesa, e se levantando. –Boa noite.
–Boa noite. –reforcei, observando ela passar por mim, e desaparecer por algum lugar às minhas costas.
–Me desculpe, onde esta minha educação... –começou ela, dando meia volta, e fazendo-me virar na cadeira para observá-la.
–Sabe que me pergunto isso desde que te conheci? –a cortei.
–Sim, mas... Eu não sei o que é, mas... –dizia ela suspirando e caminhando de volta até mim. –Parece que você traz à tona o que tem de pior em mim.
–E então, a culpa é minha. –sorri.
–Tudo isso é culpa sua. –ela sorriu também. –Você escreveu aquela maldita carta. –suspirou. –Mas enfim, eu posso acompanhá-la até seu quarto?
Sorri e assenti. Levantei, e quando fomos pagar a conta, o garçom disse que esta seria incluída na conta do quarto. Então Brittany e eu saímos do restaurante lado a lado.
O clima estava agradável, e nós caminhávamos lentamente pelo gramado, apenas apreciando a companhia uma da outra, e escutando o barulho de alguma fonte perto dali.
–Sabe, eu não sou a empertigada, dissimulada, cabeça dura que tenta me fazer parecer. –falou Brittany quebrando o silêncio.
–Certo. E eu a fiz defender que o amor verdadeiro é besteira. –apontei.
–Culpada... –suspirou Brittany sorrindo. –É só que... –começou a loira. –Eu estou genuinamente preocupada com ela. Sei que ela pode parecer despreocupada, mas... A vida dela não tem sido assim tão fácil.
Ficamos em silêncio por alguns instantes, até que Brittany falasse novamente.
–É assim tão absurdo que eu me preocupe? –perguntou.
–Não, mas eu tenho um bom pressentimento sobre isso. –respondi. –Você vai ver.
–Espero que esteja certa. –disse ela parando de caminhar, pois chegamos em frente ao meu quarto. –Bem... Foi muito agradável conversar com você. Civilizadamente, ou quase, pelo menos.
–Foi sim. Você não é uma completa chata e ignorante. Acho que podemos tentar nos dar bem. –comentei sorrindo.
–Digo o mesmo. –sorriu ela. –Boa noite, Santana.
–Boa noite, Brittany. –disse, e direcionei meus lábios até sua bochecha, mas ela virou no mesmo momento que eu, e acabamos dando um selinho.
–Me desculpe. –disse corada encarando o chão.
–Não tem problema. A culpa foi minha, eu não vi que iria me dar um beijo e me virei. Me desculpe. –pediu uma Brittany vermelha de vergonha.
–Sem problema... Ahn... Boa noite, Brittany. –disse acenando e entrando para dentro do quarto.
Olhei pelo olho mágico da porta, e Brittany ainda se encontrava ali, sem mexer um único músculo. Foi tão horrível assim?
Eu tentei identificar por suas expressões o que ela estava pensando, mas ela parecia nem respirar. Então a loira apenas abriu um sorriso tímido e saiu.
“Meu Deus... O que aconteceu aqui? Isso não pode estar acontecendo comigo. Eu beijei uma garota! Repetindo: Uma garota! Claro, foi sem querer... Ou eu queria? Não! Eu não queria.
Eu tenho um noivo, e eu o amo. Nós vamos nos casar e ser bem sucedidos financeiramente, assim como amorosamente. Teremos uma linda família, moraremos em uma casa enorme, e teremos um cachorro chamado Rex.
Meu Deus, eu beijei uma garota... Eu beijei a garota mais perfeita do mundo inteiro...
Mas o pior não é o fato de eu ter beijado uma garota, e sim por ter gostado.
Calma Santana... Foi apenas um selinho. Não foi nada demais. Apenas duas amigas, ou quase amigas, que se deram um selinho sem querer. Sem segundas intenções.
E eu não sou lésbica! Pronto. É isso. Não foi nada demais, pois eu não sou lésbica. Além do mais, a Brittany não é lésbica, certo?
Estou surtando à toa.” –Pensei.
Caminhei até a cama e peguei minha camisola na mochila. Tudo o que eu preciso é de uma boa noite de sono. Já vestida, fui até o banheiro fazer minha higiene antes de dormir.
Quando voltei para o quarto, finalmente deitei na cama. Mas o sono simplesmente não vinha. Apenas imagens de lindos olhos azuis passavam pela minha mente.
Seus olhos, sua boca, seu pescoço, seus lindos seios, aquela barriga perfeita, e principalmente aquelas magníficas pernas brancas que mexiam com minha libido. Aquela garota mexia comigo.
Não sei o que deu em mim, mas percebi que enquanto pensava em Brittany, minha mão direita começou a descer e escorregar pelo meu abdômen, passar por minhas coxas arranhando-as, e parou em cima da minha calcinha.
E eu pude perceber o quanto eu estava molhada em pensar naquela loira. O que há de errado comigo?
Fechei os olhos com força, e mesmo que não quisesse, imagens dela vieram novamente até mim. Na piscina, se abaixando para pegar alguma coisa e seu decote mostrando um pouco daqueles seios perfeitos, suas longas pernas a mostra, o nosso beijo...
Minha boca estava seca então passei minha língua por entre meus lábios. Pressionei minhas pernas uma na outra e soltei um fraco gemido. Então movimentei minha mão para dentro da minha calcinha, sentindo me arrepiar no exato momento.
Várias imagens da Brittany me tocando vieram à minha mente, então encostei meu dedo médio em meu clitóris, já sensível, e suspirei. Comecei a massagear aquele montinho de nervos no meio de minhas pernas, apenas apreciando a boa sensação.
Eu mordia meu lábio com força, e sentia meu corpo se aquecer e estremecer com cada movimento. Eu podia sentir o orgasmo chegar. Uma corrente elétrica começava a subir por todo meu corpo, e aquilo era tão bom. Brittany era tão boa.
Mas então um lapso de consciência me atingiu e eu parei o que estava fazendo.
Eu estava me tocando? Eu estava me tocando e pensando em outra mulher?
Resmunguei alto e enterrei meu rosto no travesseiro.
O dia seguinte seria torturante.
Fale com o autor