Cartas Para Hermione
3 Desilusões
Notas iniciais
Rony acordou cedo para ir à casa de Hermione, com a desculpa de devolver o livro que havia pegado “emprestado”. Mas a verdade era que ele estava preocupado e ansioso para saber se estava tudo bem com ela, se chegou bem em casa, ate mesmo para saber qual é o envolvimento dela com McLaggen.
Caminhou reto ate a casa dela, uma das vantagens dos amigos morarem no mesmo bairro é poder ir visita-los sempre que quiser. Ele vivia muito com Harry na casa dela, ou eles na casa dele, só não iam muito à casa do Harry, por conta dos tios deles serem muito chatos, mas fosse o que fosse, eram sempre os três. E ele sabia que se não fosse pela sua inteligência, nenhum dos dois conseguiriam passar nem do ensino fundamental, ele tinha plena consciência disso, mesmo que não admitisse.
Era incrível como os três eram ligados. Conheceu Harry na quinta serie de uma maneira um tanto inusitada. Ele que sempre teve tantos irmãos para dividir atenção dos pais, ou de quem fosse, sempre se sentindo por baixo, conheceu o amigo sem saber de quem era filho, ou a fortuna que herdava.
Viraram amigos logo de cara.
Harry ria das piadas que ele contava e adorava saber das suas histórias sobre aventuras no bairro, fazendo-o se sentir interessante, ate mesmo importante.
Já com Hermione foi diferente, no primeiro dia de aula na quinta serie, brigaram assim que se conheceram. Ela com aquele jeito mandão, com o ar de quem sabe tudo, para ele era um pesadelo. O engraçado é que hoje ele adora esse jeito tão característico dela. Mas um dia uns garotos estavam implicando com ela, fazendo piadas do seu cabelo, do seu jeito e da sua inteligência, então ele e Harry a defenderam, o que gerou uma bela briga com eles ate que diretora chegou e Hermione assumiu toda culpa por eles, num gesto muito nobre.
Assim a dupla passou a ser trio.
Rony a tratava como se fosse sua irmã, ou mais que isso. Era diferente de como tratava Luna ou Astoria, ate mesmo da sua propria irmã, era um instinto protetor que ele não sabia controlar. Gostava de passar as tardes com ela, observando ela ler enquanto ele ficava perdido em pensamentos, gostava do jeito que ela falava seu nome todo, gostava ate mesmo das suas discussões bestas, por motivos mais bestas ainda. A questão era que gostava de estar com ela.
Devaneando enquanto andava, chegou à frente da casa dela.
Levou um susto ao ver ela parado ali, com as mesmas roupas de ontem, olhando para o nada, com um olhar vazio e perdido, parecia ter chorado pelos olhos levemente vermelhos e inchados.
Aquilo lhe deu uma grande agonia no peito e ele caminhou a passos largos e firmes ate ela.
– Hermione...? – chamou, com a voz suave, se agachando e ela pareceu despertar.
– Ah Rony! O que faz aqui? – ela disse ainda meio desnorteada.
– O que você faz aqui, com as mesmas roupas de ontem...? – ele rebateu ainda com o tom calmo.
– Eu... an....
– Você estava chorando? Aquele cretino do McLaggen te fez alguma coisa? – perguntou tentando manter o mesmo tom, sem grande sucesso.
– Não... Eu fiquei muito cansada ontem, então dormi na casa dele. Mas não se preocupe não aconteceu nada demais... Eu... Dormi em um quarto e ele em outro. –ela disse pra tranquiliza-lo, sem saber porque, após a careta que ele fez.
– E vocês estão... ahm... Namorando? –ele perguntou com um falso tom casual.
“Não depois de hoje” reprimiu em pensamento.
– Não Ronald – ela esboçou um sorriso meio frouxo. – e não fique com esse sorriso vitorioso, vou achar alguém que me suporte a ponto de querer algo comigo, seu ruivo ridículo.
– Não deixarei isso acontecer. – falou se levantando estendendo a mão para que ela se levantasse também.
– Cuidado, não deixe Lilá escutar isso ou pode ser um belo problema para você.
– Ela sabe do meu amor pela minha melhor amiga, amor de irmão, ela tem que aceitar isso querendo ou não.
– É, somos como irmãos...
– Isso ai. Agora vamos sabe tudo, entre e tome um banho, você prece exausta. – ela concordou e caminharam até a porta, onde se despediram.
– Rony! – ela chamou antes dele ir muito longe.
– Sim...?
– Quando você chegar em casa pode pedir a Gina para vir aqui? – falou da porta. Ele concordou com um sorriso. – então... Ate mais, Ron.
– Até. – e continuou andando com as mãos no bolso.
Assim que fechou a porta o sorriso sumiu, os olhos arderam querendo chorar e ela subiu tristemente para seu quarto tomar um banho, precisava desabafar. Só esperava que Gina não demorasse a chegar.
– Gina!
– Hermione!
Assim que a porta da casa da morena se abriu, não demorou muito para as duas se unirem em um abraço apertado. Hermione sentindo aliviada com a presença da amiga soluçou, tentando desesperadamente segurar as lagrimas em seus olhos.
– Preciso te contar uma coisa – falaram as duas em uníssemos ainda abraçadas. Gina notou o desespero na voz da amiga e achou que por hora sua novidade deveria ser deixada de lado.
– Fala você primeiro, precisa desabafar mais do que eu. – sorriu quando finalmente se separaram do longo abraço, mas a ruiva não deixou de aconchegar à amiga, passou o braço em volta dos ombros da morena e juntas rumaram escada acima com destino ao quarto.
– E-eu não sei por onde começar... – a voz fraca denunciava o seu estado de espírito e Gina ficou ainda mais preocupada.
– Do começo, ora essa. Aquele cretino te fez algo? Bem que eu estava desconfiando daquele jeitinho galã dele, perfeitinho demais, pra quem já conhece a peça. – Disse seria.
– Gina... Eu... Ele... Nós... Oh! Eu me arrependo tanto... Tenho tanta vergonha... – a garota enterrou o rosto nas mãos com envergonhada pela amiga parada a sua frente.
– Não fique... Mione, somos parceiras lembra? Você pode confiar em mim, me contar tudo, assim como confio em você. – consolou-a sentando ao seu lado e acariciando os cachos de Hermione.
– Ontem eu... Eu fui para casa de Cormack, estava ficando tarde, pedi pra ele me levar embora... Mas ai ele insistiu para que eu ficasse mais... Como eu fui ingênua! Ele foi me mostrar sua casa então me mostrou sua sacada... Ficamos lá conversando e ele trouxe uma bebida... Acho que era vinho, eu não sei... Céus! Eu nem sabia o eu ele estava me dando e tomei sem pestanejar, como fui burra! – e mais soluços vieram a seguir, Gina a acolheu em um abraço mostrando que ela estava ali para ajudar.
Após algum tempo de silencio ela decidiu continuar.
– O tempo foi passando e eu já estava alterada... A bebida era forte, sempre fui fraca pra bebidas, você sabe... Eu pedi para ele me levar, ou que se quisesse eu ligava para os meus pais, para qualquer um que fosse para me levar para casa. Mas ele estava perto demais, então ele me beijou... Eu tentei impedir, mas eu estava muito bêbada, não sei o que me deu. De repente as coisas ficaram confusas eu comecei a ver tudo meio estranho, acho que estava vendo coisas... – um soluço ela continuou – Depois disso só me lembro dele me levando para o quarto... E depois eu acordando na manhã seguinte.
– Oh meu Deus Hermione! – disse Gina acariciando os cabelos da amiga que abraçava fortemente. – Não acredito que aquele patife deve a audácia de te embebedar e te levar pra cama! Eu vou castrar aquele desgraçado!
A menina se apertou mais a ela. Sentia tanta vergonha que não conseguia olha nos olhos da amiga.
– Vo-você tinha que ver como ele me olhou quando acordei assustada notando meu estado e onde estava, ele me sorriu vitorioso... Ainda me disse com deboche “noite maravilhosa em morena? Deveríamos repetir isso mais vezes. Não sabia que era tão apimentada assim gatinha” eu quis que o chão se abrisse aos meus pés Gina... Quis que um buraco surgisse e me engolisse para me livrar daquela cena. – Hermione contava aos prantos para ruiva, que estava com o instinto assassino elevado demais ate para ela mesma.
– Oh Hermione! Quem deveria ter vergonha é ele que fez isso com você. Você foi a vitima.
– Eu sei Gina, mas como não se sentir um lixo quando ele saiu dizendo “quando sair, não se esqueça de fechar a porta” ele me tratou como uma... Uma... Vagabunda qualquer! Como eu fui ridícula em achar que ele tinha amadurecidos, que não era o mauricinho prepotente dos tempos de Hogwarts, me diz?
– Você só não vê a maldade nas pessoas, ele se aproveitou disso. Mas não se preocupe, vou contar o que esse desgraçado fez a você, tenho certeza que Rony não se importara de arrancar a cabeça dele com as próprias mãos. – disse Gina para acalma-la, mas isso só piorou a situação. Hermione que estava encolhida com a cabeça no colo da amiga, levantou em um pulo.
– Não! Nem pense nisso Ginerva. Eu não quero que meus pais nem ninguém, principalmente Ron, saiba disso me ouviu?
– Mas...
– É vergonhoso demais, Gina. Quando ele veio aqui eu tive que me controlar para não chorar, mas sabia que se fizesse isso ele iria querer saber o que aconteceu e ficaria irado. Cometeria ate uma loucura, tanto ele quando os outros. Sem falar que não quero encarar o olhar de decepção deles. Principalmente o dele, me entende?
– Não, eu não entendo. Somos seus amigos Hermione, queremos te proteger e te ajudar. Nunca iríamos te recriminar, sabemos como você é e sabemos como aquele cretino é. Nunca te julgaríamos por qualquer coisa que fosse. Mas irei respeitar sua decisão. – Hermione sorriu gentil para amiga agradecendo. – Agora vamos tirar esse olhar triste de você, depois resolvemos o que faremos com aquele idiota que ousou mexer com você. – Gina se levantou animada – Que tal fazer um monte de besteiras para comer e ver um filme de comedia? – ela confirmou com um aceno de cabeça – Antes vou ligar para o safado do Harry, não sei o que aquele desencaminhado anda fazendo há horas. – disse Gina fazendo Hermione soltar um sorriso leve, o que deixou a ruiva um pouco mais aliviada, não era dessas que sofria o tempo todo, tinha seu momento de tristeza, mas fazia-o transparecer o menos possível, mesmo que ele esteja mais visível do que ela queira, mas era nítida a dor que estava sentindo. Iria demorar muito para ela superar o ocorrido.
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As duas se arrumaram e Hermione por poucos instantes deixou de se sentir um lixo como estava há pouco tempo, graças a Gina. A amiga sempre conseguia fazer as coisas mais complicadas virar apenas imprevistos da vida e ela era muito agradecida por isso.
– Gina você veio aqui me contar algo, o que era? – lembrou-se enquanto preparavam pipoca, entre outras coisas, para a sessão cinema que estavam planejando.
– Ah! Nada demais. Estou grávida do quatro olhos de dois meses. – ela disse ainda concentrada no celular.
Hermione abraçou amiga assim que se recuperou do choque, foi com tal força que nem parecia a menina frágil de alguns segundos atrás.
– Oh Gina! Isso é maravilhoso! Ele já sabe? — perguntou animada.
– Não, descobri ontem à noite, você fé a primeira saber. Só não quero ver a cara dos meus irmãos, tenho medo pelas ameaças que o Harry possa sofrer. – Hermione riu alto, os Weasley eram mesmo muito protetores com a caçula.
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