Notas iniciais
Olá, espero que gostem de Cartas Para Estrelas, é a minha primeira história aqui no Nyah, e acho que a primeira de verdade que eu escrevo, fiquei um bom tempo sem escrever então desculpem se errei em algo.
Beijos, e boa leitura

7 de Fevereiro
3 da manhã

-Filha acorda, sua tia acabou de ligar e sua avó Sandra acaba de ter um AVC e está no hospital.
Acordei e em um pulo sai da cama, e acabei batendo na minha prateleira de livros, minha mãe saiu do meu quarto e abri o armário, peguei a minha melhor roupa, pois se fosse para ser a última vez que minha avó me veria antes de morrer, ela teria que me ver linda.
Meu quarto tinha 4 paredes de tons diferentes de azul, uma era azul marinho, azul bebê, azul celeste e uma que era quase preta. Minhas paredes eram cobertas de fotos, frases, fotos, pôsteres, fotos, avisos, já disse fotos? Na parede em que minha cama estava encostada tinha duas prateleiras de livros, que ficava, bem a cima da cama, por mais que eu gostasse de ler e precisasse de um lugar para eles eu odiava aquelas prateleiras. Toda vez que eu acordava batia a cabeça nelas. Meu armário era simples, era de madeira clara e tinha duas portas.
Peguei o vestido que usei no casamento da minha prima, ele era roxo, tomara que caia, com cintura alta, na saia ele era branco com um brilho azulado com roxo, na cintura ele tinha um cinto prateado com glitter, e um salto prateado médio que combinava com o vestido, passei maquiagem e arranquei da parede um dos versos que eu havia colado, estava escrito "Se a sua vida for a melhor coisa que já te aconteceu, acredite, você tem mais sorte do que pode imaginar." (Daniel Godri), sai do meu quarto e fui andando até a cozinha, que ficava ao lado do meu quarto, onde já estavam me esperando.
-Mia, porque você está tão arrumada? Nós vamos ao hospital, não para um casamento.
-Bea, quando voltarmos para casa eu te explico, ok?
-Ok.
Depois de 15 minutos chegamos no hospital.
Vesti meu sobretudo e sai do carro, apesar de não estar frio, eu tinha de colocar alguma coisa por cima, não queria todo o mundo me olhando como se eu fosse uma louca vestida para uma festa em um hospital.
Fomos até a recepcionista e meu pai falou que queríamos visitar Sandra Mancini, ela nos falou para irmos até a sala 218.
-Mamãe você acha que a vovô vai morrer?
-Só Deus sabe Juan, reze para ela melhorar.
Eu estava andando na frente e fui a primeira a entrar no quarto. O quarto estava decorada com jarros de flores, do jeito que a minha avó decoraria, haviam girassóis, tulipas, orquídeas e violetas, as flores preferidas da minha avó. Eu lembrava delas, quando eu morava na Itália vivia visitando minha avó, e ela adorava decorar a casa dela com flores de plástico. Até hoje estavam com meus desenhos.
~~Flashback On~~
Vicenza, 19 de Maio de 2002
-Nonna!!!!!! (-Avó!!!)
-Mimi, la mia nipotina preferita!! (-Mimi, minha neta favorita!!!!)
-Nonna che hai fatto il tiramisú? (-Avó, você fez o tiramisú?)
-Ha fatto Mimi, sapevo che tu vuoi! E c'è un'altra cosa! (-Fiz Mimi, eu sabia que você pediria! E há outra coisa!)
-Che cosa? Che cosa?! (-O quê? O que?!)
-Guarda dietro di te! (-Olhe atrás de você!)
-UN GIRASOLE! UN TULIPANO! UNA VIOLETTA! (-UM GIRASSOL! UMA TULIPA! UMA VIOLETA!)
E voi potete colorarli! Guardare! (-E você pode colori-los! Olhe!)
Ela pegou um giz e escreveu Mimi no vaso da tulipa e desenhou um pequeno coração ao lado.
-Ho amato!!!!!!!!!!! (-Adorei!!!!!!!!!!!)
~~Flashback Off~~
Passei o resto daquela tarde decorando os vasos da Nonna, e depois é lógico que comi aquele delicioso tiramisú. Lembro até hoje daquele gosto maravilhoso. Descobri que as flores eram de plástico depois de alguns dias quando fui regá-las.
-Acorda Mia! Você está olhando para a porta!- Pensei
Andei até o lado da minha avó.
-Nonna?
-Mimi que bom ver você aqui. Como você está bonita.
-Obrigada, me arrumei especialmente para a senhora.
-Mia deixe sua nonna descansar!
-É melhor obedecer sua madre Mimi. Você sabe o que ela faz.
Nós duas demos risos abafados para minha mãe não ouvir, mas no final minha nonna acabou tossindo.
Sentei na cadeira que estava encostada na parede enquanto minha mãe ficava ao lado da nonna e meu pai cuidava do Juan. Fiquei olhando os vasos, ainda estavam com meus desenhos. Fiquei olhando o da tulipa, que estava escrito Mimi. Meus olhos estavam marejados.
Bea veio até meu lado e ficou olhando pra mim com uma interrogação no olhar.
-Depois -murmurei .
Sinto pena da Bea e do Juan, eles são apenas crianças, não devem estar entendendo nada do que está acontecendo, e tem que ficar imaginando o que está se passando ao redor deles.
Meia hora depois uma enfermeira mandou nós irmos embora, pois minha avó tinha que fazer alguns exames.
Estavam todos saindo mas eu voltei e fui falar com a minha avó.
-Vó, eu queria que você soubesse que, mesmo se você partir, o que eu torço para que não aconteça, eu te amo, e sempre vou ser sua Mimi, e se algum dia eu parar de te amar pode aparecer no meu quarto e puxar meus pés. E eu trouxe uma coisa para você.
Entreguei o papel que tinha pego em casa e entreguei para ela. Ela leu e voltou o olhar para mim, com uma lágrima no canto do olho.
-Obrigado Mimi, também te amo, e pode ter certeza de que puxo seus pés de batata.
Nós duas rimos e depois tive que ir embora, pois a enfermeira já estava me fuzilando com os olhos.
Sai do quarto e olhei para trás, olhei para a minha avó, aquela poderia ser minha última lembrança dela.
Virei para a frente e sai do hospital e na frente da porta encontrei uma senhora, não muito mais velha que a minha mãe deitada sobre um pedaço de papelão, com cabelos castanhos e cacheados, que estavam presos em um simples rabo de cavalo, caíam sobre seus ombros, com uma blusa roxa com terra, uma calça jeans clara um pouco suja e chinelos de dedo que estavam bem gastos, e ao lado dela tinha uma criança, que ao contrário de sua mãe tinha cabelos claros, quase loiros, mas também cacheados, que estavam presos em uma trança, usava um vestido florido e amarelo, com chinelos de dedo também, acho que tinha a idade do Juan. A moça me viu e me olhou com olhos brilhantes como se eu fosse seu anjo, e percebi que não havia tirado ainda o sobretudo.
Tive uma ideia, desabotoei o sobretudo e dei para ela. Depois desviei um pouco o olhar dela para chamar minha mãe.
-Mãe, pai já volto só vou comprar um lanche.
Chamei a mulher e ela de um jeito desconfiado mas com esperança levantou e levou a filha para junto de mim e atravessei a rua com elas indo em direção ao mercado.
-Escolha o que quiser para você e sua filha, eu pago!
Os olhos da mulher irradiaram alegria.
Fui acompanhando as duas de longe.
Ela pegou apenas dois pacotes de pão, manteiga, presunto e queijo.
Mas eu queria dar mais um presente para elas, fui até a seção de brinquedos e peguei uma boneca para a filha dela e depois peguei uma mochila de compras para a mãe, e 1 par de tênis para ambas.
Na hora de pagar elas estavam tão felizes, nunca me senti tão bem como naquela hora.
Desejei à elas boa sorte e fui para o carro.
Alguns dias depois recebemos a notícia de que nonna havia morrido.

Notas finais
E então? Gostaram? Comentem! Divulguem! Enfim, até o próximo capítulo.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.