Cartas Para As Estrelas
12 Carta 12 - Saudade
Notas iniciais
“Hoje preciso de você
Com qualquer humor, com qualquer sorriso
Hoje só tua presença
Vai me deixar feliz
Só hoje”
*x*x*x*x*
— Espero, pai. Espero mesmo. — Layla falou sorrindo. Ela encarou o relógio digital, ao lado da televisão — Ah! Eu tenho que me arrumar…
— Vai sair? — Perguntou Eike, assim que a filha se levantou
— Sim. Sei que acabei de chegar mas eu só vim para casa pra trocar de roupa. Vou sair com as meninas.
Layla saiu apressada em direção ao quarto, e em menos de 10 minutos ela estava pronta, e já saindo de casa. Esse tempo foi o seu recorde pessoal. Talvez ela não chegasse em cima da hora, dessa vez.
Eike riu da pressa de Layla, e gritou um “se divirta” antes dela sair do apartamento, ouvindo, logo em seguida, um “até logo” como despedida.
O homem suspirou. Sozinho em casa novamente. Olhou para a pilha de cartas a sua frente, mas em vez de voltar a ler, optou por fazer outra coisa. Levantou do sofá e se dirigiu ao seu quarto, sentando na escrivaninha e começando a escrever.
*x*x*x*x*
Guarulhos, 13 de Setembro de 2014
Ah minha Estrela… Como eu sinto a sua falta.
Layla já cresceu tanto. Tornou-se adulta, e está tão bela quanto você. Aliás, vocês duas são muito parecidas. No sorriso, nos olhos, no formato do rosto, na personalidade… Até mesmo algumas manias dela são parecidas com as suas.
Acho que ela só puxou a mim na cor do cabelo mesmo. Mas foi por causa deles que demos o nome dela, não é?
Mesmo assim… sinto muita saudade sua.
Eu queria poder te ver, nem que fosse só mais uma vez. Só hoje.
Para poder te beijar, te fazer rir, te abraçar… Sentir o seu cheiro. Poder dormir em paz, depois de tantos anos.
Sinto falta de acordar, e sentir o cheiro do seu café, e saboreá-lo ouvindo seus suspiros, reclamando que dou trabalho demais, causando-lhe insônia. Que eu consigo transformar uma tarefa simples, no maior desastre do mundo.
Eu queria tanto poder te ver mais uma vez. Fosse com o humor que fosse, com o sorriso que você tivesse para me mostrar, mesmo aquele carregado de raiva que você me mostrava quando estava se remoendo de ciúmes. Só a sua presença do meu lado já me deixaria mais do que satisfeito.
Eu queria ouvir o som da sua voz mais uma vez. Uma gracinha sua, uma canção, uma piada, uma bronca, qualquer coisa. Eu já ficaria feliz.
Eu queria poder ter minha razão de viver ao me lado, novamente. Nem que fosse só mais uma vez.
Nem que fosse só mais hoje.
Eike
*x*x*x*x*
Dobrou o papel, colocou-a num envelope, e selou-o. Na frente, escreveu:
“Para as Estrelas”
Sorrindo, saudosamente, guardou a carta ao lado das demais. Olhou para o relógio, suspirou. Hora de ir para o trabalho.
Pegou suas coisas, e saiu do apartamento trancando-o, indo a caminho do colégio.
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