Notas iniciais
Para quem estava louca pela reação do Edgar peço que acalmem o coração mais um pouco kkkk Obrigada a todas pelos comentários e por estarem acompanhando o nosso fake...

Por Laura.

Eu estava muito animada com os preparativos para a abertura da escola no morro da providência, tentava ocupar meus pensamentos somente nisto e as vezes com a correria até que conseguia algum êxito em minha estratégia para não pensar no Edgar. Esta correria também me impediam de ficar pensando na resposta que o Ferreira enviaria a minha carta, já tinha alguns dias que eu entreguei-a ao Guerra e ainda nada, estava começando a achar que ele não a havia entregado.

Eu estava saindo da biblioteca na rua do ouvidor quando avistei o Guerra saindo do bar Guimaraes, nem acreditava em tamanha sorte, esperei algum tempo para me certificar se ele estava sozinho e assim que constatei que sim chamei pelo seu nome e assim que ele parou ao som da minha voz comecei a caminhar em sua direção.

– Laura que surpresa como vai?

– Vou bem obrigada e você?

– Vou bem, fiquei sabendo do projeto da escola meus parabéns.

– Obrigada Guerra e o seu amigo como esta?

– O Edgar ele esta...

– Bem eu imagino, mas não me referia a ele pergunto pelo Ferreira.

– Acho que vai bem Laura, não costumo me envolver na vida pessoal dos meus jornalistas.

– Entregou a minha carta a ele?

– Sim Laura é claro, você me pediu para eu faze-lo e eu fiz.

–E não tem nenhuma resposta pra mim?

– Na verdade não Laura, ele não me entregou nada... Você esperava uma resposta?

– Deixe estar Guerra, passar bem.

Despeço-me dele e sigo com o meu caminho para casa, não queria que ele reparasse na minha cara de decepção pelo descaso do Ferreira, eu realmente queria uma resposta vinda dele, essa não era uma reação que eu esperava, no mínimo ele poderia ter me mandado algumas linhas comentando a minha carta, esse não parecia um bom contraste com a ideia que eu tinha feito dele, apesar de não conhece-lo pela leitura de seus textos, pela forma como ele defende suas ideias, seus ideais eu o via com outros olhos.

Chegando em casa recusei o almoço que a Matilde prontamente me oferecera assim que adentrei a casa, não estava com a menor vontade de comer, pedi que ela subisse um pouco de agua para meu banho subi para o meu quarto e depois segui para o quarto de banhos, me deixei mergulhar na banheira e fechei os olhos esperando que a temperatura morna da agua me trouxessem um efeito relaxante... não entendia porque me sentia tão decepcionada com o fato de não ter recebido uma resposta do Ferreira, não queria por a prova a palavra do Guerra mais a duvida de que ele entregara a minha carta me vinha a mente, talvez fosse um mecanismo para justificar a falta de resposta a minha carta.

Sem obter o resultado relaxante que eu queria eu deixo a banheira ainda com os pensamentos conflitantes em minha mente, depois de me vestir eu desço até a sala e me dirijo a secretaria decidia a escrever mais uma vez para o Ferreira, não sei por que motivos não obtive resposta a primeira carta mais não iria me conformar com o silencio. Depois de terminar de escreve a minha segunda carta eu pouso a caneta ao lado do tinteiro e faço mais uma leitura do que escrevi.



Rio de Janeiro 1910



Caro Senhor Antônio Ferreira


Inicio essa carta já lhe pedindo desculpas por voltar a lhe escrever. Espero que esteja com saúde e essa carta o encontre bem. O motivo de insistir em lhe escrever é não possuir a certeza que a primeira chegou a suas mãos por motivos que não devo relatar nesse momento.

Fiquei profundamente encantada com sua matéria sobre as mulheres vítima de violência no trabalho e, portanto gostaria de obter mais dados sobre o assunto, mas para evitar qualquer contratempo gostaria de lhe fornecer um número de caixa postal.

Quando sofri a violência no trabalho, a parte mais difícil foi descobrir que quase todas as pessoas inclusive os familiares atribuíam a culpa ao fato de querer trabalhar fora de casa, ou seja, desejavam nos prender ao lar.

Ver todos esses elementos na sua pesquisa me deu uma grande alegria, certa que dessa vez serei respondida.


Atenciosamente



Feito a releitura assino e coloco o pequeno envelope em minha bolsa pego meu chapéu e luvas e caminho em direção a porta, decidida a convencer o Guerra a entregar a minha carta e se ele recusasse então que me desse o endereço da caixa postal dele para que eu mesma a enviasse. O Caminho de casa até o jornal não foi muito longo mas ao adentrar pela porta entreaberta do escritório do jornal do Guerra sinto minha determinação se esvair ao se dar conta de que ele não esta sozinho... é tarde de mais para dar meia volta, já fui surpreendida pelos dois que agora me encaram com um olhar curioso e com o ar surpreso.