Cartas Nunca Enviadas
4 Reencontro
Notas iniciais
Com o passar do mês de outubro, Harry foi absorvendo a ideia de que Gina seria só uma amiga para ele. Enquanto trabalhava nas fichas do QG, sentia as olhadas discretas que Rony lhe lançava e quando visitava Sr e Sra Weasley, sentia que eles lhe observavam como quem observa uma bomba que está prestes a explodir. Na verdade, ele se sentia bem. Tinha notícias de Hogwarts toda a semana, já que se comunicava com frequência com Hermione — que adquirira a delicadeza de, sutilmente, mudar o nome de Gina por “uma amiga” em todas as suas cartas — e assim, tinha certeza de que não estava perdendo nada.
Sabia que terminaria a vida ali; mero observador do resto da vida de seus amigos. Não sentia interesse em sair para conhecer garotas, nunca mais saira para beber com Rony e raramente estendia suas visitas aos Weasley por mais de uma dose de uísque.
Uma sexta-feira comum, meio de mês, Jackson, um dos aurores mais jovens de seu QG bateu na porta de sua sala:
– Harry, Rony… eu tenho um convite para vocês.
Harry e Rony se olharam intrigados, já que nunca conversaram muito com Jackson.
– Domingo é meu aniversário, sabem, então, eu meio que estarei dando uma festa no Três Vassouras sábado, vocês estão dentro?
Rony sorriu, o bar era tão perto de Hogwarts que o maravilhava ver Hermione em um sábado qualquer.
– Eu estou! Mas… será que eu poderia levar alguém?
– Claro — Jackson sorriu de volta — o senhor Potter levará alguém, também?
De repente, Rony sentiu-se constrangido e revirou uns papeis na mesa.
– Não levarei ninguém, Jack — respondeu Potter educadamente, passando a mão pelos cabelos — mas conte com a minha presença.
– Ótimo! Tenho várias amigas gatas para apresentar ao senhor! — e dizendo isso, Jackson saiu da sala.
Rony levantou de sua cadeira e chegou em frente a Harry.
– Cara, será que você pode, por favor, parar de agir como se eu fosse o Lord das Trevas por ter contado a você sobre a Gina?!
Harry pareceu assustado.
– Do que você está falando, Ron?! Você é meu melhor amigo! Eu só estava precisando de um tempo com meus pensamentos.
– Ótimo, te vejo no jantar hoje, já que amanhã sairemos. Mamãe quer falar com você. — Rony saiu da sala, deixando Harry sozinho.
Depois do QG, Harry fora para casa tomar um banho, e ao chegar na Toca, beijou sua mãe de criação, abraçou seu “pai” e se serviu de uma dose de uísque.
– Harry — chamou Molly da sala de estar
– Sim?
– Nós precisamos que volte para cá. Aqui é sua casa, querido. Não posso deixar que você viva sozinho lá.
A discussão foi até depois do jantar, quando Sra Weasley alegou que todos os seus filhos haviam ido embora para morarem com suas mulheres, menos Rony e todos sentiam falta de Harry. Foi quando Harry finalmente cedeu.
– Tudo bem, eu venho amanhã, durante o dia.
E o resto da noite ocorreu como antes de Harry saber sobre Gina: beberam até tarde, jogaram cartas e conversaram. Quando Harry voltou para sua última noite sozinho, começou a arrumar as coisas. Após guardar tudo, foi até a biblioteca ver se tinha algo para levar. Encontrou “A Caixa de Gina” e resolveu levar também, nunca se sabe quando terá vontade de lhe escrever.
Ao acordar no dia seguinte, preparou um café e aparatou para A’Toca. Ficara com o quarto de Percy. Arrumou suas coisas e sentiu-se verdadeiramente a em casa, até se lembrar da Caixa, guardou-a com cuidado embaixo da cama e aproveitou o dia com sua família, na casa que nunca deveria ter deixado.
Quando a noite foi chegando, tomou banho, colocou calças jeans e uma camiseta pollo azul clara — que Gina havia lhe dado de presente enquanto namoravam — e desceu as escadas, onde sua mãe de criação tricotava e conversava com Percy e Jorge, que vieram visitar. Rony e Harry aparataram para Hogsmead.
– Mione já está no Três Vassouras, vamos logo.
Ao entrarem no bar, Harry viu que Jack não estava exagerando quando falou da beleza de suas amigas. Todas as mulheres no bar pareciam anjos em vestidos curtos. Logo encontraram Mione, que vestia um vestido branco e salto azul claro. Cantaram parabéns para Jack, dançaram e beberam, até que uma garota oriental, vestindo uma saia preta e uma camisa branca chegou em Harry.
– Harry Potter! Não se lembra de mim?!
– Hum… — Harry não conseguia se lembrar — não?
– Ah, BOBO! Sou eu! Cho Chang!
Harry não sabia se ria ou ria. Cho estava alta, magra, um corpo espetacular. Definitivamente, não era a Chang que Harry havia beijado em seu quinto ano. Hermione parecia tão chocada quanto Harry.
– Pode vir até aqui, rapidinho? — a oriental o chamou.
– Então, o que vem fazendo desde Hogwarts?
– Estou dando aulas numa escola trouxa, acredita?! Quero muito conseguir algo no mundo bruxo, mas por enquanto, é isso.
– E o que faz por aqui?
– Jack era da Corvinal, sempre fomos amigos.
– Ah, claro.
Papo vai, papo vem. Uísque vai, uísque vem. Acabaram a noite juntos, ficando. Por mais que beijasse uma linda oriental, Harry sentia que seu coração pertencia a uma certa ruiva.
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