Cartas Nunca Entregues.
1 Admiração Muda
Notas iniciais
Não sei bem ao certo quando que essa minha paixão por você nasceu. Juro que não. Em um dia, você era apenas mais um entre o mar de cabeças presentes ali naquela pacata escola de riquinhos metidos. Em outra hora, você simplesmente passou a ocupar todos os meus pensamentos 24 horas por dia. Como você conseguiu…?
Posso estar sendo melosa ou dramática, porém te olhar indo naquele sofá todos os santos dias passou a ser meu programa favorito. Pensar em você e no por quê de ser tão calado se tornou minha reflexão preferida. Imaginar seu sorriso se tornou minha imagem favorita. Lembrar da sua voz quase sempre baixa se tornou o som mais agradável da minha vida.
Como conseguiu?
Como conseguiu me transformar em uma completa idiota?
Um idiota por você?
Estava tudo sobre controle, era apenas mais uma queda qualquer. Apenas admiração. Como eu costumava dizer. Porém aí entrou aquela viagem. E eu percebi na hora que não era apenas uma queda, muito menos apenas admiração. E esse pensamento me assustou.
Entrou você sempre preocupado com seu irmão mais novo, mesmo quando nós estávamos no meio da competição.
Entrou você me ajudando com meu nervosismo na hora, do seu jeito que eu achei ser grosso na minha primeira impressão, mas que depois eu percebi estar enganada.
Entrou você falando as respostas da gincana no meu ouvido quando a professora de geografia não estava.
Entrou você me ajudando a consolar minha melhor amiga quando seu resultado na prova de matemática não lhe agradou.
Entrou você segurando minha mochila de leve no final do dia, me parabenizando com aquele sorriso sem mostrar os dentes, que eu, particularmente, acho adorável.
Entrou sua cara de surpresa quando eu te falei “tchau” quando meus pais chegaram.
Entrou você dizendo que o ônibus parecia uma nave espacial…
Senti raiva.
Mas não aquela raiva ruim de arruinar o coração. Não, não, bem longe disso.
Senti raiva de você ser um bom garoto e fazer com que eu sentisse tantas coisas novas em apenas um dia. Senti raiva de encontrar em você qualidades que eu não pensei que encontraria em nenhum garoto que passaria pela minha vida.
Senti raiva de mim principalmente, por me permitir me apaixonar tão rápido.
Sim, admito.
Me apaixonei por você.
Coragem nunca foi meu maior atributo.
Por isso, ficarei aqui, quietinha.
Aguardando que o provável amor de minha vida vá para o Ensino Médio e eu não o veja com frequência.
Me contento em apenas em olhar.
Te admirar silenciosamente.
Quase muda.
Quase.
Eu só seria muda se meu coração não berrasse para que eu lhe abraçasse toda vez que lhe vejo.
Infelizmente, não te admiro mudamente, então.
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