Notas iniciais
Ola pessoinha :p essa é minha modesta fic, para o grupo. Espero que gostem >.

Cartas Na Neve:

Capitulo Único:

Alma Da Neve.

Mais uma vez encarei aquela imensidão assustadoramente azul que chamávamos de Céu... Sinceramente, agora penso em como podemos ter sido tão infantis assim...

Até entendo que éramos apenas crianças, mas... Mas... Sinto tua falta.

Sinto falta dos dias que passámos juntos quando pequenos, das brincadeiras que inventávamos... Dos brinquedos que dividíamos, dos amigos que me ensinou a fazer, das vezes que esperávamos ansiosamente pela chegada do inverno e do jeito que saímos correndo de casa, indo ao encontro da neve.

Eu sei. Aqueles dias não voltam mais, jamais irão voltar... Estou ciente disso desde o momento em que te apresentei ao Naruto, vi seus lindos olhinhos brilhando, vi a paixão queimar nas tuas bochechas vermelhas.

Não, não tenho arrependimentos, não neste ponto, por que você estava feliz.

Meu único arrependimento é não ter te dito o quanto lhe amava, o quanto lhe ver ao lado dele doía, o quanto tê-la tão perto e ao mesmo tempo tão longe machucava...

Quantas vezes ele te feriu e veio até mim atrás de consolo? Quantas vezes eu, idiota, coloquei tua cabeça contra meu peito, senti tuas lágrimas transparentes caírem em minha pele, molharem minha roupa... E não fiz nada para mudar isso?

Sempre quis te contar a verdade, sempre quis dizer os meus sentimentos, mas o sorriso que estampava ao ver o loiro só fazia com que eu soubesse que você estava cada vez mais apaixonada... Só me lembrava de que um simples amigos de infância não tinha chance alguma...

Lembro-me de que fui o primeiro a provar o doce gosto de seus lábios, quando me disse que ainda não sabia beijar. Lembro-me de que ri e gabei-me... Gabei-me de algo que nunca havia feito...

Selamos nossos lábios naquele dia, de brincadeira... Contudo, se eu soubesse que tal brincadeira acabaria assim, juro que jamais a teria começado... Jamais teria me apaixonado...

Dias depois, eu cometi aquela burrada... Caímos em salas separadas, e como sempre, me incentivou a fazer novas amizades, com pessoas diferentes... E adivinha quem se tornou meu ‘amiguinho’?

Sim, este que se tornou o amor de sua vida, teu primeiro namorado e irá se tornar seu marido. Sei que o ama, e sei que, de certa forma, ele te ama também. Afinal, és bonita, que homem não te desejaria?

Vi você crescer, te vi tornar-se essa mulher, essa adulta maravilhosa, de voz melosa e personalidade perfeita... E ele? Oque ele te fez? Além de te fazer sofrer? Sair com outras garotas enquanto estudava? Enquanto fazia a lição dele?

Vi você se afastar de mim, mudar de sala só para ficar ao lado daquele loiro. E eu pensando que fosse por mim... Com o tempo, pareceu esquecer-se de minha existência, nunca mais me chamou para fazer trabalhos junto contigo, para visitar a sorveteria... Nem mesmo para brincar na neve...

Mas esta foi a tua escolha... Não devo interferir... Mesmo que doa... Mesmo que só tenha vindo falar comigo após meses para me convidar para teu casamento... Mesmo que talvez, agora não olhe mais para mim, esqueça que existo...

Você é minha melhor amiga, mas não vou aparecer... Não quero ver-te se casar com outro... Com alguém que não te ama tanto quanto eu...

Desculpe, mas assim como não posso te ver dizer ‘Sim’ para ele... Não posso viver em um Mundo sabendo que jamais será minha... Eu, sei, estou sendo covarde, mas esta é uma dor que não posso aguentar...

Perdoe-me...

Eu te amo...

... Hinata...

[...]

Os orbes ônix encararam o papel. Um brilho pagado reinava e eles estavam carregados de grande tristeza. O dono deles analisou a carta com extremo cuidado e depois se voltaram para o Céu, onde puderam ver alguns flocos de neve começar a cair.

Sorriu tristemente lembrando-se de quando a tinha ao seu lado para encarar os brancos flocos de neve que pareciam sua pele macia. Uma lágrima transparente pingou por seu rosto e uma gota de sangue manchou o papel que agora se via jogado contra o chão.

A visão ficava turva o ver o sangue escorrendo lhe dava enjoos. A dor que se manifestava por seu corpo era grande, mas não tão grande quanto à dor que envolvia seu coração por ter perdido sua amada.

Era o fim... O grande fim... O fim de um amor que carregou pela vida inteira.

‘ Desculpe, Hinata...’

E por fim, seus olhos se cerraram, ainda amando aquela linda mulher.

[...]

A grama sempre esverdeada agora estava tingida de um branco intenso. Esta cobria todas as ruas onde se passava, embaçava todas as vitrines que eram apreciadas pelas pessoas. A neve formava um novo caminho no destino daquela jovem de cabelos negros azulados, que corria ainda com o vestido de noiva, pelas ruas não tão movimentadas de Quioto.

Por todos os lugares que passava, chamava a atenção dos habitantes, mas não se importava, mesmo que sempre tivesse sido tímida. Pelo seu amado, valia sim o sacrifício. Chegou a tropeçar, perdendo um dos sapatos e rasgando parte da grande cauda do véu antes de chegar ao seu destino.

Sorriu docemente, em seus olhos perolados estampava-se felicidade. Não chamou nem tocou a campainha, queria fazer uma surpresa para o homem que amava. Ao chegar à porta, usou a chave reserva que ele lhe confiara e entrou silenciosamente, trancando a porta novamente.

Analisou toda a casa, organizada como sempre. Na mesa de centro da sala, alguns papéis jogados, algo um tanto anormal, mas não se preocupou, continuou a procura-lo. Caminhou lentamente até a cozinha, o lugar onde mais amavam ficar logo após brincar na neve, quanto jovens, sempre iam até lá tomar um chocolate quente.

E foi um copo da bebida que encontrou sobre o armário. Andou até o móvel lentamente, pegando o copo decorado que lhe dera anos atrás. Abaixo, algo que lhe chamou atenção, um envelope levemente azulado com perfume de rosas brancas. Perfume este, que havia esquecido ali tempos antes.

A escrita em belas letras douradas, sem dúvida alguma era sua ortografia. Percebeu que estava endereçado a ela ao ler seu nome escrito. Achou estranho, ele sempre era tão organizado, por que deixaria aquilo ali?

Moveu-se até a porta dos fundos, e se assustou ao perceber que a mesma estava aberta. Sentiu seu coração se acelerar e um sentimento ruim invadiu seu corpo. Sem poder controlar suas pernas, correu para o lado de fora, desesperada, gritando seu nome.

A neve caía com mais frequência e mais rapidamente, com toda certeza uma nevasca se aproximava, contudo não se importava com isso, queria apenas encontra-lo, pedir perdão, dizer oque o amava.

Avistou ao longe algo de estranho na neve, um vermelho intenso tingia o branco infinito. Correi até lá com tudo que podia, com tudo que lhe cabia.

Os olhos perolados se arregalaram ao ver o corpo ferido no chão, não podendo impedir que as lágrimas pendessem por sua delicada face. Com mais um grito de aproximou, ainda sem poder acreditar ajoelhou-se ao lado do corpo, percebendo que o mesmo estava inerte e com uma perfuração no peito.

- Não... – murmurou. Seu pequeno coração estava despedaçado, aquele que mais amava estava morto à sua frente – Não... Não pode ser... Não pode! – gemidos de dor se manifestavam. Aquilo não podia estar acontecendo – Por favor... Não...

No auge do desespero, afundou sua cabeça no peito ferido do moreno. Ambos os corações estavam sangrando, sem saber se um dia iriam cicatrizar. Ela chorava com toda a tristeza em seu coração, e gritava com toda a força que suas cordas vocais lhe permitiam.

- Não... Você não pode me deixar... Não pode... – sussurrou abraçando o corpo que se encontrava na nave. Pela primeira vez, ele estava em seus braços – Eu desisti! Desisti de tudo por você! Eu não vou mais me casar com o Naruto-kun! Eu quero ficar com você! Com você! – agora berrava, mesmo sabendo que ele não podia mais lhe ouvir. – Eu te amo... – levantou a cabeça para analisar o corpo. As lágrimas do rosto do moreno pareciam ter congelado, e a pele estava mais pálida que de costume.

Acariciou aquela face que tanto amava, colocou os dedos nos lábios finos, os primeiros que experimentou, agora permaneciam roxos. Olhou por trás do homem inerte, podendo observar uma folha de papel, manchada por sangue.

Estendeu as mãos frágeis para pega-lo e começou a ler. Cada palavra assimilada era uma nova lágrima que pendia. Como podia ser tão idiota? Como podia não ter percebido? Como? Podia ter impedido tudo aquilo! Podia!

O arrependimento tomava conta de seu coração, a tristeza fazia com que a ferida abrisse ainda mais. Novamente afundou sua cabeça sobre o peito do amado, o peito tão quente, que agora estava tão frio.

Havia perdido, para todo sempre, o homem que lhe amava, e o homem a quem mais amou. Que Deus aceitasse a alma dele, que Deus a perdoasse por essa morte que era sua culpa. Pois ela jamais se perdoaria.

- Me perdoe... – sussurrou para si mesma, sentia suas lágrimas congelarem também. Se tivesse sido mais rápida, talvez isso nunca tivesse acontecido. Se tivesse tomado atitude, não estaria ali agora. Prometia a si mesma, que pelo homem em seus braços, seria feliz, por que, desde o começo, o moreno preferira a felicidade dela à dele. O faria sentir orgulho.

Eu também amo, Sasuke.

Notas finais
Aqui o link do grupo: https://www.facebook.com/groups/CurtidoresSHBR/ se gostarem de SasuHina entrem lá >.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!