Cartas De Luísa.

2 Chegada à nova casa.


Notas iniciais
Boa leitura!!!

Luísa tinha 17 anos e logo suas aulas no Ensino Médio começariam. Seus cabelos compridos escuros e lisos era uma de suas maiores belezas. Além de seu caráter e personalidade. Fora desde pequena comportada, altamente obediente, o que por muitas vezes impressionou a muitos. Ela se mudou no começo de Março para a Capital Paulista, a pedido da mãe; que lhe comprou um ótimo apartamento perto de um colégio também muito bem conservado. Conhecer outras pessoas e sair do Interior não era problema, mas sair sem a mãe, era um sacrifício.

- Não esqueceu de nada? — Sua mãe perguntou mais uma vez.

- Não, dona Márcia. Fique calma! Quem vai te perder aqui, sou eu. — Concluiu dando um beijo no rosto da mãe antes de sair do carro.

- Já conversamos sobre isso...

- Eu sei. Vou tentar me acostumar a nova rotina. Obrigada por tudo! — Falou — Aliás, plus que ma propre vie — Concluiu com um sorriso no rosto. Sua mãe assentiu e desejou que ela tivesse uma boa viagem; que assim fora.

Márcia e Luísa eram melhores amigas. Desde a morte do pai em Dezembro, uniram-se ainda mais. Se mudaram de cidade (incluindo estado) e receber a herança destinada-as. Depois de 17 de Dezembro o Interior do Mato Grosso nunca mais foi o mesmo. O melhor fazendeiro, marido e pai da região. Sua mãe vendeu a fazenda, conseguindo arrecadar um bom dinheiro para sobreviverem, e as cabeças de gado. Luísa precisou deixar amigos e parentes.

Naquela tarde do dia 28 de Março, ela chegara ao apartamento com a ajudava do porteiro;

- Muito obrigada! — Apertou sua mãe — Quando lhe devo?

- Não é nada, minha querida. Qualquer coisa me chame pelo interfone que ajudarei em tudo que precisar. Até mais! — Saiu da frente da porta, sorrindo, indo em direção ao elevador. Ela assentiu e também sorriu para aquele homem com seus 40 anos. Barba feita, poucos fios de cabelo já clareados por conta da idade e a pele branca. Branquinha feito neve. O tipico vovô perfeito. Ela lembrara de seus avós maternos que também morreram, num acidente de carro há mais de 20 anos. Luísa sentia-se injustiçada, todos que amava estavam morrendo, aos poucos, e ela sentia medo que sua mãe fosse a próxima vítima.

Entrou no apartamento olhando cada canto do local perfeitamente mobiliado pela mãe, especialmente para ela. E isso fazia com que ela pudesse sentir cada pedacinho dali um pouco da mãe, o que fez com que senti-se confortável e segura no ambiente.

Procurou pelo quarto principal que localizava no único corredor ao lado da cozinha. Era um quarto grande, com um enorme guarda-roupa e mais um novo computador.

- Outro? Dona Márcia, dona Márcia... — Começou — ... Saudades! — Concluí, suspirando aos céus.

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- Como você pôde deixa-la morar sozinha, Márcia? Ela é muito imatura ainda! Ela aguentaria saber tudo o que precisa, esconder não vai adiantar nada. Algum dia ela precisara ouvir a verdade. Se não da tua boca, acredite, de alguém será. — Alguém dizia do outro lado da linha.

- Ela não é imatura, ao contrário, muito responsável! Conheço minha filha. E, sim, sei que ela precisa saber da verdade. Mas não será agora que irei contar. Ela precisa viver a vida dela! Foi por isso que sai daí. — Argumentava.

- Depois não que que não avisei. — Desligando o telefone.

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Já estava noite em São Paulo e Luísa organizando suas roupas em seus devidos lugares. Pensou em ligar para a mãe, mas ao olhar que horas eram, mudou de ideia. Sua mãe àquelas alturas deveria estar no trânsito, voltando para a casa. Atrapalharia sua mãe e isso era a última das últimas coisas que desejaria.

Resolveu pedir uma pizza. Pizza, sim, seria um ótimo modo de fazer com que o tempo passasse. Procurou algum telefone da pizzaria mais perto, por fim, concluí de que chamar o porteiro seria a maneira mais fácil e rápida.

- Oi?

- Oi, Senhorita Luísa. — Falou ele, num pulo.

- Luísa, só Luísa. — E riu

- Tudo bem, só Luísa.

- Isso!

- Então, o que deseja?

- Ah, eu não encontrei uma lista telefonica, um caderninho ou qualquer coisa que tivesse o número de algum lugar onde eu pudesse pedir uma comida. As coisas por aqui ainda não estão prontas — parou de falar enquanto observava a bagunça que tudo ali estava — então, pensei numa pizza.

- Tem uma pizzaria há duas quadras daqui, ligarei para a senh... Você.

- Ah, que bom, então! — Alegre — Ah, desculpe-me, mas como é o seu nome?

- José. Logo ligarei para você e chegará sua pizza! — Falou — Aliás, do que vai querer?

- Pensei numa mexicana..

- Ótima escolha, Luísa. A pizza dali é ótima!

Ela sorriu — Obrigada, então, José!

- Por nada.

Enfim ambos desligaram os interfones. E Luísa se lembrou de que aquele nome "José" era o mesmo de seu velho avô, pai de seu pai. Um avô que ela sentia falta, mas que por um descuido do destino (e da vida) fora morar em Portugal já alguns anos. Deixando filhos, netos e ex-mulher para trás. Disse que precisava viver e lá ele só respirava, e aquilo para ele não era vida. Foi um choque a todos. E muita discussão. Um homem de idade, com 70 anos, querendo novamente viver. E Luísa sempre o apoiou, estando contra a família alertando "Quem foi que disse que há uma idade certa para se viver uma nova grande aventura? Em que lugar foi escrito que não pode mais se encontra novamente, mesmo depois de um bom tempo?" E isso tudo foi lá quando a mesma tinha apenas 13 anos. Desde então, Seu José só dá notícias de 3 em 3 meses.

A pizza logo chegou, Luísa a comeu saboreando cada pedaço e desejando que os pais estivessem sentados com ela ali no sofá assistindo o filme da Globo, comendo e bebendo. E desejou, por alguns minutos, poder sentir o cheiro do cigarro de seu pai. Só pra matar as saudades que ele fazia crescer cada dia mais dentro daquela jovem.

Notas finais
Adorei! E vocês?
Quero deixar claro de que não postarei os capítulos de acordo com tantas (ou as faltas) de comentários que houver, vou atualizando quando der.
Beijos!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.