Cartas Ao Passado
3 Desenterrando cartas do futuro.
Notas iniciais
Emma radiava enquanto jogava com os garotos, mesmo parecendo tão frágil, surpreendia com suas habilidades no futebol, Regina podia sentir sua felicidade de longe, o que a deixava feliz de certa forma também, o comum era vê-la cabisbaixa ou simplesmente em silencio, o que a morena entendeu ser o jeito de Emma e tentava respeitar.
Como de costume, ao entardecer Regina preparava seu lanche para levar no dia seguinte para o colégio, entrou em um conflito interno em fazer ou não para Emma também, já que a garota deixou claro que era apenas uma brincadeira ter aceito a gentileza da amiga. Decidiu por não fazer, terminou de preparar o seu próprio e foi para se quarto, as cartas estavam em cima da cama, olhou mais uma vez para a carta que correspondia à aquele dia.
“[23 de Abril]
Ela disse que a mãe dela não havia lhe feito um lanche.
Então eu disse que poderia lhe fazer um e levar no dia seguinte.
Mas eu não o fiz, por favor, faça e dê para ela ou você regressará.”
Regina deixou a carta cair sob seu rosto, sabia que o certo, segundo a carta, era obedecer ao pedido, mas estava com tanto medo de parecer uma idiota e ao mesmo tempo, o que poderia significar o regresso? Tinha medo depois das ultimas descobertas que lera, resolveu que o faria, se fosse para se arrepender de algo, então que fosse do que fizera e não ao contrário. Voltou à cozinha e começou a preparar o lanche de Emma, sua mãe e seu pai que estavam de saída passaram para ver o que estava fazendo por lá novamente.
— Minha filha, o que está fazendo? – Perguntou a mãe se aproximando.
— Ahn... Preparando o almoço de amanhã. – Respondeu sem muita segurança.
— Achei que o seu estivesse na geladeira. – Disse a mulher sem esperar por resposta. – Bom, eu estou saindo com seu pai, qualquer coisa nos ligue, ok? – A filha assentiu. – Não demoraremos, até daqui a pouco.
— Até daqui a pouco, meu amor. – Disse o pai que já estava pegando as chaves do carro na sala.
— Até!! – Respondeu Regina enquanto terminava. Apesar da insegurança, estava satisfeita, no fundo queria mesmo fazer aquilo.
No dia seguinte na escola, Regina prometera a si mesma que quando desse o horário do almoço, entregaria o de Emma, aquilo a deixava nervosa, cada minuto que se aproximava, sentia que suas palavras iam sumindo. O sinal finalmente bateu.
— Ei,Killian, vamos comprar algo para comer! – Chamou Robin. – Você vem Emma? – Acrescentou. Era o momento de Regina oferecer o que lhe havia feito, mas falhou na missão, vendo a loira sair pela porta com os amigos. Tentou encontrar a maneira certa de chamá-la mas acabou não tendo maneira nenhuma. Passou o restante da aula em silencio, assim como a loira, o sinal anunciando o fim da aula não demorou muito à bater, hoje não esperaria pela loira para ir embora, resolveu que era melhor ir sozinha quando foi surpreendida.
— Ei, Regina! Cadê a Ruby e Mulan? – Perguntou Emma.
— Elas foram para a biblioteca hoje, resolvi ir na frente. E você?
— Estou esperando pelos garotos, vamos treinar hoje. – Fizeram uma pausa que foi quebrada pela loira. – Hey... sua bolsa parece maior hoje, maior e pesada, o que tem nela? Quer que eu leve para você? – Regina amaldiçoava a percepção da amiga.
— Não... – Disse com a voz alterada puxando a mochila para trás. — É impressão sua, não tem nada demais, mas obrigada. – Disse tentando conter o desespero.
— Ok, me desculpe então. – Disse Swan sem esperar por resposta e saiu aparentemente incomodada.
Regina sentia-se péssima por ter agido daquela forma, pensou que talvez seus arrependimentos não pudessem ser reparados, o problema era sua personalidade, algo que não pudesse ser reparado, desejava nunca ter lido aquelas cartas. Permaneceu por algum tempo na praça próxima ao colégio, onde costumavam ficar todos juntos, porém estava sozinha dessa vez, quando Robin, Killian e Emma surgiram.
— Ei, Regina... O que ainda faz aqui? – Disse a loira se aproximando, parecia não estar mais incomodada com a atitude que a amiga teve mais cedo.
— Apenas tomando um ar, eu acho. – Respondeu sem muita animação.
— Quer ir comigo para casa? – Disse a loira fazendo Regina estremecer.
— Oh, é... Claro, pode ser. – Respondeu de qualquer jeito.
— Então eu vou indo na frente com Killian. – Disse Robin, estava agindo diferente nos últimos dias, com precisão, desde quando perguntou se Regina estava interessada na amiga.
— Então até amanhã! – Acenava Emma.
Caminhavam em sentido contrário dos garotos, a loira apenas acompanhando os passos de Gina.
— Então, onde você mora? – Perguntou a loira.
— Se lembra da padaria dos pais de Ruby? – A amiga assentiu. – Duas quadras depois.
Estava realmente nervosa, aquele acontecimento não estava descrito na carta, não havia nada parecido, tudo o que dizia para aquele dia era:
“Eu quero que você ajude Emma sempre que ela parecer estar com problemas.”
Queria dizer que voltar para casa com Emma naquele dia, não havia acontecido para a Regina de dez anos no futuro? Pensou.
— Podemos parar aqui um pouco? – Perguntou Emma.
— Está tudo bem? – Preocupou-se
— Sim, só quero me sentar aqui um pouco com você. – Respondeu de seu jeito de sempre, suave e calmo.
— Ah, ok. – Disse Regina sentando-se no banco ao lado de Emma. Desejou mais cedo não ter lido nenhuma das cartas e agora, estar ali, sem nenhuma instrução era assustador.
— E então... – Começou a falar olhando apenas para frente. – O que você faz quando chega em casa, Regina?
— Normalmente eu ajudo minha mãe com o jantar.
— E seus hobbies?
— Hum... Estudar? – Respondeu sem ter certeza, o que fez Emma gargalhar.
— Você realmente é uma pessoa diferente. – Disse Emma encarando-a, agora recuperando seu semblante mais sério mas ainda assim despreocupado.
— E você? O que faz em casa? – Achou que tudo bem fazer-lhe algumas perguntas, já que Emma também havia feito.
— Vídeo games. – Respondeu voltando-se com o olhar para frente com os braços apoiados na parte de trás do banco.
— Então você estava jogando vídeo game nos dias em que faltou na escola? – Regina percebeu a fisionomia de Emma mudar no mesmo instante, de despreocupada, passou a ser triste.
— Sim. – Foi tudo o que respondeu.
— E sobre o time de futebol? Porque não se junta à eles? Enquanto estava temporariamente e nos treinos pareceu gostar tanto. – Tentou puxar assunto mas Emma continuava com a mesma expressão triste que tivera com a pergunta anterior. Um breve silencio se estabeleceu, seu olhar era fixo, parecia estar pensando em algo quando finalmente disse.
— Minha mãe cometeu suicídio. No dia em que fui apresentada à turma, então eu estava ausente nas semanas seguintes por conta do funeral. – As palavras de Emma eram como facas no peito de Regina, achou que estava tudo bem em fazer as perguntas à garota, não tinha idéia do que havia acontecido. – Eu prometi à minha mãe que não me juntaria ao clube de futebol. – E mais um momento de silencio se estabeleceu, Regina digeria o que acabara de ouvir. – Desculpe por estar falando sobre essas coisas estranhas.
— Não... Me desculpe Emma, me desculpe ter perguntado, mas não é estranho, não mesmo. – Regina tentava encontrar uma forma de confortá-la mas parecia não existir nenhuma.
Tudo o que vinha em sua mente eram as palavras da carta pedindo que não a convidasse para sair no primeiro dia em que se conheceram, poderia ser a razão do que houve com sua mãe? Sua cabeça girava, olhava para Emma que agora parecia ainda mais triste do que o habitual, estava de cabeça baixa mas podia ver uma lágrima descendo por seu rosto, o que fez Regina sentir-se imediatamente culpada pelo o que houve, não podia cometer mais nenhum erro, tinha que cumprir o que estava na carta ou estaria repetindo os erros novamente, não queria perder Emma, não queria magoá-la, nem mesmo vê-la triste, queria poder ajudá-la como a sua “eu” do futuro não pôde. Se perdeu em seus pensamentos quando viu a loira já em pé.
— Vamos? – Chamou sem olhar para trás.
— Claro. – Respondeu saindo do transe. – Emma! – A chamou com firmeza. – Seu lanche. Eu fiz para você. – Disse retirando o pequeno embrulho de sua mochila entregando-a à loira que olhava sem parecer acreditar. – Olha, eu não sei se você vai gostar, mas está aqui. – Disse esticando os braços para que Swan o pegasse. – Planejei em te dar no almoço mas não tive coragem.
— Uau! – Disse pegando das mãos de Regina. – Na verdade, eu queria que você fizesse. – As lágrimas deram lugar à um sorriso genuíno. – Eu queria saber se você o faria, então eu estou muito feliz que tenha feito, muito obrigada Gina.
Seu sorriso, sua risada nunca mudava, mesmo estando triste, Emma possuía o sorriso mais bonito e contagiante que Regina já tinha visto em toda sua vida.
— Então trarei sempre. Todos os dias. – Se animou. – Para sempre. – A expressão de Emma era de espanto com as palavras de Regina, mas acabou caindo na risada novamente.
// — Hey, me desculpem fazer vocês virem de carro. – Disse Regina.
— Não tem problema, pelo bebê teríamos que ir de carro mesmo, está certo. – Disse Killian.
— Mas o que é isso? Você tem uma família deste tamanho? – Implicou Robin como nos velhos tempos, ao ver a van que estava estacionada ao outro lado da rua.
— Cale a boca, eu peguei emprestado com meu irmão.
— Oh, Regina! Se parece tanto com você! – Disse Mulan encantada com Roland.
— Você acha? – Perguntou a amiga.
— Ainda bem que não se parece com Robin. – Disse Ruby.
— Mas é claro que ele se parece comigo, olhe bem! Nós somos completamente parecidos. – Disse o rapaz encostando o rosto com o filho.
— E este buquê? Para quem é? – Perguntou Mulan.
— São para Emma. – Disse Robin
— Eu disse à ele que ela não gostaria de receber flores. – Disse Regina com certa preocupação.
— O que há demais em um buquê? As flores são lindas! – Olhava para as rosas.
— Ok, ok! Então vamos antes que fique tarde. – Interrompeu Ruby
— Você sabe o caminho certo, Robin? – Perguntou Killian.
— Claro, deixe comigo! E também existe um pequeno aparelho chamado GPS, então não teremos problemas. – Brincou.
Depois de oito anos que terminaram o colegial, os cinco amigos se reencontravam novamente, para desenterrarem suas cápsulas do tempo e cartas que haviam escrito em dez anos no futuro, que estavam enterradas em um jardim na esquina da antiga escola.
Os rapazes cavaram o lugar com uma pequena pá que estava no porta-malas da van.
— Aqui está a sua Killian. – Entregava Robin – E a sua Mulan. – Olhou em seguida para Regina sem nada dizer, apenas entregando-lhe o envelope que com ternura o abriu e desdobrou o papel velho que havia dentro.
“Para a senhorita Regina.
Eu de vinte e seis anos, como você está? O que você tem feito?
Meu sonho é casar com vinte e cinco anos, com uma garota maravilhosa, adotar um filho com ela e ser arquiteta.
Como eu fiz?”
Regina não se lembrava das palavras que escrevera, mas quando leu, era como se o passado tivesse voltado para si.
— Está tudo certo, eu queria ser arquiteta.
— Oh, deixe me ver! – Disse Ruby com entusiasmo.
— O casamento e ter um filho está certo, mas a parte de ser uma mulher e maravilhosa, não está não. – Brincou a amiga.
— Eu sou maravilhoso e isso é só uma predicação. – Disse Robin entrando no clima de Ruby.
— O que você escreveu, querido? – Perguntou Regina.
— Eu escrevi que gostaria de ser um famoso jogador de futebol e casar-me com uma atriz. – Disse relendo sua carta.
— Por quê não escreveu que queria se casar com Regina? Seu tapado! – Disse Ruby.
— Porque seria no mínimo embaraçoso, embora fosse verdade. – Disse com certa timidez.
— O que mais temos aqui? – Perguntou Regina.
— Ahn... Casar com um homem rico e viver feliz para sempre. – Respondeu Ruby.
— Me tornar uma super modelo. – Era a vez de Mulan.
— Ser um grande médico. – Disse Killian mostrando a sua.
— Então, a carta de alguém se tornou realidade? – Perguntou Robin olhando para os amigos.
— Todos nós tínhamos sonhos fora da realidade, — Respondeu Kilian com certa frustração.
— Olhem, uma cápsula, tem uma foto de uma garota estranha. – Analisou o marido de Regina.
— Sou eu. – Disse Ruby com mal humor.
— O que mais tem nela? – Perguntou Mulan.
— Uma foto de todos nós. – Disse Robin. mostrando a fotografia aos demais. – E a carta de Emma.
— Vocês acham que seria ruim lermos? – Disse Mulan pegando a carta da mão do amigo.
— Quem lerá se não, nós? – Disse Ruby. – Vamos ler e dá-la para ela.
— Eu também quero saber o que ela queria para o futuro. – Finalmente disse Regina.
— Então aqui vai... – Disse Robin pigarreando. – “Para as pessoas no futuro, vocês estão bem? – Fez uma pausa olhando para os amigos que estavam curiosos para saber o restante. – Para Robin, você foi um bom jogador, eu te admirava!
— Você está inventando!! – Ruby o interrompeu.
— Não estou, está realmente escrito isso aqui. – Mostrou a carta.
— O que? – Analisou. – Não acredito, está mesmo, me desculpe, pode continuar. – Seu tom de voz agora era baixo.
— “Eu estava realmente preocupada sobre me ajustar em uma nova escola, então eu fiquei muito aliviada quando você falou comigo, eu sabia que devia ter me juntado ao grupo. Para Ruby, você sempre foi muito feliz e iluminada, quando eu não estava bem, tudo o que eu tinha que fazer era pensar em você dizendo algo engraçado e me animar e o donuts dos seus pais? Era maravilhoso! Para Kilian, você sempre pareceu muito sério, mas gostava de rir, durante os intervalos você me contou todas as suas regras do riso.”
— O que você ensinou para ela? –Quem interrompeu dessa vez foi Mulan.
— Ela sempre me perguntava. – Respondeu o rapaz.
— “Eu nunca aderi, mas sempre me fez rir.” – Continuou Robin.
— Ela nunca aderiu? – Parecia decepcionado.
— “Para Mulan, você era um pouco assustadora quando estava zangada, mas era sempre para defender Ruby e Regina, uma vez você ficou extremamente zangada pela Regina e eu pensei o quão foi legal. Para Regina. – Neste momento, as lágrimas da morena já eram presentes. — você sempre foi modesta e colocava as pessoas antes de você mesma, quando todos estávamos felizes você também estava, os biscoitos que você, Ruby e Mulan fizeram na casa ecológica... Os seus eram os melhores, eu sempre esperava para comer seus biscoitos caseiros, dia após dia. Eu sei que o seu “eu” do futuro continuará tímida e sempre estará rindo com todos. Emma Swan.”
— E o que mais? – Perguntou Ruby.
— Isso é tudo. – Disse Robin olhando a carta frente e verso.
— E a predição dela? – Insistiu.
— Não está aqui. – Disse com pesar.
— Sem chance! – Gritou.
— Eu estou dizendo, isso é tudo! – Tentava acalmar a amiga.
— Por quê? E sobre os sonhos dela? Nós dissemos que seriam nossos próprios sonhos! A carta estaria aqui para cada um de nós do futuro! – Se desesperou. – Então por quê ela não os escreveu? – As lágrimas se formavam, não só com Ruby mas com todos.
— Como eu poderia saber? Pergunte à Emma. – Disse visivelmente abalado.
— Por quê Emma, por quê? – Chorava Ruby.
No inverno do primeiro ano do colegial, aos 17 anos Emma morreu em um acidente, todos se perguntaram o “por quê” também.
— Ela sabia que não teria um futuro? – Perguntou Killian também chorando.
— Eu não posso acreditar! Então ela decidiu por esse caminho? – Regina estava confusa.
— O que? – Os amigos não entenderam.
— Foi um acidente, certo Emma? – Gritou Regina aos céus.
— Então o pedido dela e os nossos para o futuro eram diferentes, se ela ainda estivesse aqui tudo seria diferente. – Lamentou Killian.
— Vamos celebrar o que Emma não pôde comemorar, vamos manter nossa promessa viva, vamos apenas sorrir e nos dar bem, por ela. – Disse Regina com o sorriso mais triste que dera em sua vida.//
A Regina de 26 anos tinha a esperança que se a Regina de 16 anos consertasse o passado, talvez, pudesse ir em direção ao quebra-cabeça que era Emma Swan.
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