Cartas
7 Capítulo 7
Notas iniciais
Eu enviei a última carta via sedex para que chegasse bem rapidinho, mas já era véspera de Natal e eu não havia recebido nenhuma resposta. Me preparei para sair e quando passei pelo enorme portão de ferro dei de cara com uma mulher loira, baixinha e que aparentava ter no máximo 25 anos. Ela acenou quando me viu.
— Você é a Clara, né? — ela perguntou e sorriu.
— Sim, sou eu mesma! Você é amiga do Mike? — perguntei na esperança de ter notícias dele.
— É, na verdade eu era enfermeira dele. Infelizmente ele não vai poder vir, mas me pediu pra te entregar isso.
Ela estendeu a mão segurando um envelope. Eu peguei e ela se virou e entrou em um carro preto. Minhas mãos tremeram um pouco enquanto eu desdobrava a carta.
“Querida e preciosa Clara,
Em primeiro lugar, eu gostaria de te agradecer por ter acertado meu endereço. Eu sei que você deve ter pensado que eu não responderia por se tratar da carta de uma presidiária, mas eu quero que saiba que receber sua carta no estado em que me encontrava trouxe uma cor para os meus dias cinzentos.
Eu sinto muito por não poder te encontrar hoje, como eu disse, eu não tinha muito tempo e a razão desse tempo ser tão curto é porque eu tinha um tumor no cérebro. Então se você quiser me visitar é só entrar no carro preto e a Luísa, minha enfermeira, vai te levar até onde estou enterrado.
Mais uma vez obrigado por tornar meus últimos dias melhores. E caso você esteja se perguntando: “por que ele não quis saber o que eu fiz pra estar presa?”, a resposta é simples: eu não ligo.
O que passou, passou. Você agora é uma nova Clara. A Clara que eu amei conhecer.
Com amor, Mike.”
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