Cartas
3 Capítulo 3 - Terceira Carta
Notas iniciais

Se você chegou até aqui obviamente quer descobrir algo. Mas deixa eu te contar uma coisinha: eu não sei como tudo isso acaba. Sinceramente não. Porque ainda estou vivendo isso. Minha sugestão é que espere a próxima carta, porque está é apenas de pensamentos. Não pretendo prolonga-la.
Última vez que lhe aviso: PARE. Não vou mais bater nessa tecla.
Aviso que é apenas uma reflexão.
Não consegui dormir, mas olhar para as nuvens me acalmou.
Será que vou sentir falta da minha vida? Do meu conforto? Porque não exitei essa proposta da University of Amsterdam? Porque quero ter um pouco de liberdade? Porque quero um tempo dos meus pais?
Não queria acreditar que o meu pai me manipulava. Mas no fundo sei disso, mas nunca aceitarei. Nunca.
Você deve estar se perguntando qual o meu problema?
Mas eu também gostaria de saber. Não valorizo o pessimismo, mas ele tem sido um amigo malvado nos últimos dias. Uma vez li um livro que contava a história de uma garota que via a vida por uma janela que possuía um filtro. E esse filtro destorcia as coisas que ela via. Mas o filtro era para a própria proteção dela. Ela sabia da existência do filtro, apenas o ignorava. Um certo dia ela teve a curiosidade de sair da janela e ver como as coisas realmente são.... E ela se arrependeu. Ela achou melhor acreditar no que o filtro mostrava, era mais fácil pra ela.
Uma vez vi em um filme desses estilos Disney, que o mundo é um lugar cruel.
Eu discordo do que essa personagem disse. Depende do filtro que você está usando. Acho que é impossível ver o mundo sem um filtro. Teve uma frase desse livro que me marcou: “Se conforme com seu filtro, ele é o seu melhor amigo”.
Porra. Estou sendo pessimista!
Ok, desculpa.
Sinto muito mas não dá pra ser feliz nessa situação.
Cheguei à uma conclusão no voo. Devo parar de pensar nisso. Mas isso vai contra as minhas características de crítica, então vou lhe aborrecer mais um pouquinho.
Acho que vou contar um pouco sobre ele.
Apenas um pouco. Falta apenas alguns minutos para o pouso.
Não existe nada de impressionante nele. Sério mesmo. Fisicamente não.
Cabelos lisos e castanhos, um pouco arrepiados. Olhos castanhos esverdeados, um pouco puxado para o caramelo. Alto (não o acho tão alto pelo fato de eu também ser alta). Um sorriso marcando pelos dentes incrivelmente brancos (é o que eu mais gosto nele, não importa o quanto eu use uma pasta de clareamento nunca conseguir deixar os meus daquele jeito).
Ele é brincalhão, chato e insuportável. Uma mistura que nem nos primórdios daria certo, mas nele deu.
Como eu falei, um cara normal. Para uma garota normal. Para uma vida normal.
Não sei se ele passou na universidade que ele tanto me falava. Mas isso não importa mais. E nunca devia ter importado. Acho que pela ilusão absurda de um primeiro amor me deixou cair.
Mas isso vai mudar. Eu juro que vai.
Aliás, o nome dele é Issac. O nome de um gênio, mas de Issac Newton ele não tem nada. Não chegou a ser o primeiro da turma nenhuma vez desde o ensino médio, mas também não tinha um histórico mal.
Só a ideia de eu me aproximar de um garoto tremia as barbas do meu pai. Meu pai tem uma mentalidade medieval ainda, acho que se eu acreditasse em vidas passadas (algo que eu tenho certeza que é pura mentira) eu teria certeza que meu pai foi um dos cavaleiros da távola redonda.
A aeromoça pede para nos prepararmos pois já vamos pousar. Tenho que ir. Até a próxima carta.
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