Cartas
2 Formiginhas
Pinheiro, 5 de janeiro de 2015
Caro amigo, pode parecer estranho, afinal as cartas demoram um tempo à chegar, mais já estou enviando esta outra correspondência. Isso porque hoje me encontro no jardim de minha tia.
Um momento, vou explicar. Tive um daqueles devaju, que não sei se fala: dejavu, ou dejavi. Mas o assunto não é este. Quero dizer... Me lembrei de um dia muito legal de quando era um pouco menor.
Vamos ao relato:
Quando pequena sempre gostava de imaginar entrar nas histórias animadas que assistia. Outras vezes, simplesmente pegava minha boneca e pensava estar do tamanho dela. E é ai que lembrei.
Crianças tem o poder de flutuar nas mais divertidas aventuras até mesmo num mesmo local, como um quintal, os adultos dizem. Era meu caso. Fui para fora de casa e vi aquele matagal. Um floresta enorme e cheia de criaturas inusitadas.
Tinha palmeiras, coqueiros, muitos arbustos variados, pedras coloridas e outras cinzentas, mas que brilhavam em alguns pontos. Ah, mas não era só isso. Havia cavernas. Isso era emocionante. Uma passagem secreta, quem sabe para um mundo como o do Pais das Maravilhas, talvez.
Podia também escalar uma montanha, onde havia mais cavernas e criaturinhas saindo e entrando em uma fila ordenada. Era incrível. Resolvia fazer amizade com elas. Elas andavam a minha volta, não dando atenção, seguido seus afazeres, seja lá o que eram. Acompanhava elas.
...Não importava muito. Estava em um local novo para explorar. Aliais, nada importava muito.
As cores chamavam atenção. Me aguachava na relva e observava toda volta, notando como é grande o mundo. Então olhei as minhas quase amigas e pensei "para elas então".
Neste momento escutei um estrondo. E de novo, novamente. Paços fortes e se aproximando rapidamente. Um gigante peludo me engolia. Quer dizer, me lambia.
Voltava a realidade e brincava com meu outro amigo, que não precisava de pensar muito, só dar carinho. Mas ainda tinha a mesma sensação de tranquilidade. Sem preocupação.
Acabei virando a boneca. Esse foi um dos dias que brinquei sozinha. Lembro que minha irmã já não podia brincar tanto comigo. Acontece, não é?
Muda sempre, entretanto é importante manter esta simplicidade, como num jardim de quintal, apenas observando a volta e, também a simplicidade da natureza, ou quem sabe um a animal de estimação, com um olhar inocente, despreocupado, que faz bem ao coração. Com um sorriso sincero a seu companheiro, até mesmos aqueles que ainda vai conhecer.
Um bom dia à você amigo. Abraço e até a proxima carta.
De: Anabelle
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