Cartas
8 Nada como um dia!
Notas iniciais
Eu só queria poder ser notado, eu tentei me proteger, estava com medo sempre fui um medroso, tenho medo de tudo. Acordei em meio à madrugada em um pesadelo, costumavas ter pesadelo, era uma criança completamente indefesa, e crianças indefesas quando se sente em perigo procura o colo de uma mãe para lhe assegurar até que não aja mais perigo. Eu fui ao quarto de minha mãe, ela dormia estava cansada depois de um dia de luta de trabalho, realmente estava estressada havia muita coisas para se preocupar, vivia brigando com o próprio marido, aquele traste que eu tinha o desgosto de chamar de pai, um homem completamente rude, bruto e grosso, mas não quero falar sobre ele. Eu estava com medo dos meus pesadelos, eu me deitei sobre a cama com ela, ela não notou até que eu coloquei meu braço sobre ela, para que eu pudesse abraçá-la, talvez se eu sentisse seu calor eu me sentisse protegido. Que nada! Ela acordou e não gostou nenhum pouco do que eu fiz, ela estava cansada e estressada, e pensou que eu fiz aquilo só porque eu não queria deixá-la dormir. Não pensou duas vezes, me respondeu imediatamente com cascudos e empurrões. Agora eu não tinha só medos dos meus pesadelos, tinha medo dela também. Esse comportamento não se deve ter nem a um animal, quanto mais a um filho, isso ficou marcado em mim, só eu sei o quanto, o pior de tudo não é conto nem ao menos carta, foi real. Eu sofri a dor na hora, mas eu não entendia muito bem, eu era apenas uma criança, e aquilo para mim parecia o correto a ser feito. Até passar muito tempo, eu cresci e nunca me esqueci, mas prefiro não lembrar, talvez seja isso um dos fatores que me levaram a essa depressão bipolar suicida que eu passo diariamente, as vezes quando eu estou fora de casa estou feliz como nunca, mas basta entrar em casa que os pensamentos suicidas não saem de mim. Eu quero ser normal novamente. Acho que nunca fui.
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