Cartas à Você
9 Partida
Notas iniciais
Espero que gostem dessa nova carta.
Beijos e comentem.
E o amor foi embora... Esvaiu-se, feito sangria. Escorreu, feito hemorragia. Feito galho seco, solto precocemente do tronco, num dia cinza de outono.
Fazia frio no dia da partida daquele amor e os ventos, dentro do meu peito, batiam soltos... bravios. Gelados e sem sono. Fazia frio no seu olhar castanho e miúdo e havia já a ausência inteira daquela primeira essência, que perfumou e coloriu tudo no primeiro toque e no primeiro olhar que trocamos. Naquele cheiro de pele e de hálitos mornos que se apresentavam entre sorrisos tímidos e beijos cheios de todas as vontades. E daquele seu olhar afoito e tropeçado e que parecia não ter fim. Mas teve..
Hoje, não consigo mais escrever. Ando irritada. Zangada e triste. E a culpa é de uma dessas histórias que não têm como ser resolvidas. Não há como.. Diluem-se, pura e simplesmente! Evaporam-se! Tornam-se apenas momentos, na vida.. E tudo o mais perde a importância diante do que vai sendo jogado fora... As palavras, hoje mudas, deixam-me assim... Mais carente... Introspectiva. Como se fossem pássaros, sem poder voar. Pássaros feridos, quem sabe... Daí, sinto que elas precisam criar forma, sair do anonimato e voar novamente através dos sonhos... Por isso escrevo... Por isso me exponho... Por isso permito que minhas emoções passeiem nessa velocidade alucinante e ganhem forma explosiva... Incandescente... Sou assim... Sem medo ou vergonha de dizer “eu te amo...”. E sem jogos ou malicias, entrego-me às emoções... Sem amarras... Crio asas... Alço vôo... Viajo por entre nuvens e estrelas, tocando a lua... Sou assim... Sou mulher, enfim... E com a saudade do que foi nosso, ficam o bem que nos fez e o mal que nos coube... As marcas, os atos e as palavras atravessadas... A insensatez! O grito que não dei e o último beijo que não tive.
E a verdade que não ouviste porque nunca era o momento. E o tanto absurdo de sentimento, no medo que existe da saudade que insiste em sobreviver nos espaços que sobram na minha cama... Nos lençóis decentemente esticados... Na camisola sobre a minha pele e acima de tudo, numa intimidade que parecia absolutamente divinal, dentro de uma história que começou a ser escrita numa poesia rica em versos, rimas e vírgulas, essências e reticências, mas que acabou em mais um poema, daqueles, sem ponto final.
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