Carta para você
85 Vestidos
Notas iniciais
Depois do que pareceu um pesadelo, Kelly estava finalmente disposta a escolher o vestido de noiva. Faltavam seis meses para o casamento e só agora ela percebeu que um vestido não se faz de uma hora para outra.
Assim, ela pesquisou em várias lojas de D.C. e arredores, não encontrou nada que a agradasse, e cada vez que voltava sem um resultado, seu humor ficava pior.
— Eu te avisei para começar pelo vestido, mas você quis começar pela igreja.
— Isso não é justo, Jen! Eu simplesmente não gosto de nenhum! – Ela disse amuada, aceitando a taça de vinho que tinha oferecido para ela. – Sophie por outro lado jura que nenhuma loja por aqui tem nada de bonito! – Fez uma careta para a direção onde Sophie tinha corrido com Abby, as duas indo direto para o quarto da pequena.
— E Abby e Ziva? Acharam algo.
A careta de Kelly aumentou.
— Achar elas acharam, Soph disse que tudo era feio. – Outro suspiro de frustração. – Desde quando uma garota de seis anos pode dar tanto pitaco assim?
Dei de ombros.
— Isso é sua culpa!! Se você não tivesse incentivado esse lado dela, isso não estaria acontecendo!
Ouvi o som das plataformas de Abby vindo na nossa direção.
— Jenny!!! Kelly!! Sophie achou a melhor pessoa para fazer o vestido de noiva. E também achou o meu vestido! – Ela gritou na porta.
Não sei o motivo, mas um arrepio desceu pelas minhas costas.
— Quem? – Kelly perguntou.
— Pense bem, Kelly. Você vai se casar com o filho de um político. Esse casamento vai sair na imprensa, você querendo ou não. Você tem que usar algo bonito! – Abbs começou contornando a situação.
Kelly me olhou e eu acabei por concordar.
— Você não pode se casar com calça jeans e seus moletons da faculdade, Kelly.
— Por que eu já estou com medo disso? – Ela disse escondendo o rosto.
Nesse momento, Sophie gritou do alto das escadas.
— Abbs, chama a Tia Ziva de volta, eu já sei o que ela vai usar! E dá para vocês virem até aqui?
— Manda mais que a mãe... – Kelly murmurou.
Abby fez o que Sophie ordenou e menos de cinco minutos escutamos o som de pneus cantando perto da minha casa.
— A Ziva ainda vai atropelar o gato de alguém dirigindo desse jeito... – Abby falou antes de correr para a porta.
— O que aconteceu? – Quis saber a israelense com a arma já preparada.
— Eu sei onde vocês vão conseguir seus vestidos! – Sophie desceu as escadas, equilibrando precariamente o meu notebook em seus braços. E Ziva guardou a arma, com uma expressão curiosa.
— Agora eu estou na brincadeira também? – Perguntei um tanto ríspida.
— Mamãe, a senhora sempre esteve. Eu só não tinha encontrado nada que fosse bonito para a senhora. Agora eu achei! – Ela disse com um sorriso e se sentou no último degrau da escada. Nós quatro fizemos o mesmo e nos sentamos ao seu redor. Como o espaço ficou pequeno, tive que colocá-la no meu colo.
— O que você aprontou? – Quis saber Kelly.
— Vamos começar com os vestidos de noiva... – Ela mostrou o site onde ela tinha pesquisado os vestidos.
— Você faz ideia do preço desses vestidos? – Kelly gritou.
Sophie se encolheu.
— Você quer se casar com alguma coisa de brechó? Só a Angelina Jolie usa algo de brechó e fica bonita, o resto do mundo não! – Sophie falou contrariada. – Além do mais, Henry paga o vestido.
— É o pai da noiva quem paga o vestido. – Abby informou.
— Bem... – Sophie olhou para mim. – Espero que papai não se importe.
— Mas ele vai se importar. – Kelly rebateu.
— É só não contar para ele. – Sophie retrucou.
— Ele vai saber. A fatura do cartão vai chegar na casa dele. – Kelly olhou para a irmã.
— Mas isso é bom, significa que ele vai estar bravo demais com você, Kelly, e vai esquecer da namorada mala dele.
— Eu vou fazer questão de falar que a ideia foi sua.
— Ele vai estar duas vezes mais bravo, tomara que a loira aguada suma de medo. – Sophie disse ressentida.
Ziva, Abby e eu trocamos um olhar, é claro que a ciumenta da Sophie iria querer que isso acontecesse.
— Você não vai convidá-la para o seu casamento, ou vai? – Sophie perguntou para Kelly.
Esse era um problema de Kelly. Eu sabia que ela não queria, mas se Jethro estivesse com ela até lá...
— Porque se você a convidar eu não vou. Eu só vi aquela lá uma vez, não gosto dela, não quero ficar no mesmo lugar que ela. – Sophie disse com firmeza.
— Podemos voltar aos vestidos? – Intercedi.
— Então, Kells, vai ser os vestidos dessa grife, né?
Olhei para o nome da Casa. O ateliê ficava em Nova York.
— Não sei... – Kelly olhava indecisa, mas notei que ela tinha visto algo que a tinha agradado.
— Não custa nada ir ver o que se tem por lá... – Dei o meu palpite.
Abby e Ziva chegaram mais perto para ver o endereço.
— Quer dizer que vamos para Nova York? – As duas disseram animadas.
— Tudo bem... você venceu, baixinha. Será que tem vestido de dama de honra por lá também?
Sophie arregalou os olhos e prendeu a respiração.
— O que foi, Miniatura? – Perguntei alarmada.
— Eu esqueci do meu vestido! E do terno do papai!
— Mas o pai da noiva tem que ser tão perfeito quanto à noiva! – Abby disse como se xingasse a pequena.
— Como você se esqueceu do seu vestido, Pingo de Gente? – Ziva disse.
— Fiquei preocupada com o da Kelly, ela não tem lá um gosto muito bom para roupas. Ainda bem que anda de uniforme quase todos os dias.
Eu tive que segurar a minha risada com a sinceridade de Sophie. Kelly olhou para a irmã como se quisesse jogá-la de algum lugar.
— Ok, o vestido da Kelly pode ser escolhido em NY, e o restante?
— O da Abbs, também pode vir de NY, tem uma loja lá, mas ele será feito em Londres. – A ruivinha disse e Abbs deu pulinhos sentada. – O da Tia Ziva... bem.... ela não é madrinha, mas não vai de qualquer jeito, então eu vi esse aqui. É italiano, como o sobrenome do Tony... – Sophie mostrou o site e eu não perdi o sorriso que ela deu ao mencionar o nome do Tony, Ziva tentou se manter composta, porém não me enganou. Como bem Sophie tinha dito, realmente tinha algo acontecendo entre ela e DiNozzo.
— E o da sua mãe? – Abby quis saber. Ela já estava ansiosa para nos ver todas em cada uma das escolhas de Sophie.
— Fácil. Esse aqui. Achei chique que nem a senhora. – Ela mostrou o site. – O que a senhora achou?
Kelly olhou para o vestido e para mim.
— Sua cara. Chique, sem chamar a atenção.
— Quem tem que chamar a atenção é a noiva, Kelly. Não os convidados. – Falei.
Ela fez uma careta.
— Tudo bem, todas temos nossos vestidos, ou pelo menos ideia de quais serão... vamos partir para o vestido da dama? – Ziva falou.
Olhamos sem parar, até que ficamos em dúvida com três.
— A escolha final é da noiva... – Comentei.
— Posso pensar? E Soph, qual você mais gostou?
Minha menina pensou e escolheu o mais básico.
— Sério? Nada de saia até o chão? – Kelly perguntou chocada.
— Não... Tá escrito aqui: a dama de honra não é a noiva... você usa vestido comprido. Eu gostei desse aqui.
— Tudo bem... E esse aqui? Kelly mostrou o seu preferido, um longo off White com um laço vermelho na cintura.
Sem querer eu fiz uma careta.
— Não gostou? – Kelly me perguntou.
— É lindo, mas não vai ser muito vermelho perto de vermelho? Porque com esse laço nas costas, o cabelo da Sophie vai ter que ser todo preso.
E prender o cabelo dela era um crime.
— Tem razão. Com esse aqui ela pode ir de cabelo solto... – Kelly murmurou ao ver a outra opção.
— Esse vestido tem uma carinha de fofo e de sapeca ao mesmo tempo! É a cara da Jibblet! – Abby comentou.
— Então vai ser esse? – Sophie perguntou.
— Por mim, tudo bem. – Kelly confirmou. — Combina com a decoração.
— Que bom. Eu não vou ter que ficar arrastando uma saia pelo corredor da igreja! – Sophie disse toda alegre.
— Então, quando será a nossa viagem até Nova York? – Abby perguntou dando um pulo.
Eu tinha muito o que fazer, principalmente com a operação que eu estava liderando. Contudo, o vestido não podia ser atrasado ainda mais.
— Kelly, quando você está de folga?
Ela pegou o celular e buscou pelo calendário. Em quinze dias. E só no final de semana. Vou ser liberada na sexta à noite e tenho que estar de volta no domingo às dezoito horas.
— Nova York que nos espere em quinze dias!! – Ziva abriu um sorriso imenso.
— Eu nunca fui em Nova York... – Sophie falou no meu colo.
— Bem, é hora de você conhecer a cidade que nunca dorme! – Dei um beijo na testa dela.
— Acho bom começarem a preparar o Gibbs para o rombo no cartão de crédito dele... – Abby disse com um sorriso.
Nós nos encaramos, esse era um momento que ninguém queria presenciar.
— Bem... o papo tá ótimo, agradeço a ajuda, mas prometi jantar com o papai hoje.... ou melhor, dizer a ele como andam os preparativos.
Ziva deu uma risada.
— Comece a preparar a terra!— Ela disse.
— TERRENO, Ziva!! Terreno! – Dissemos de volta.
— O Gibbs vai subir na mesa de qualquer jeito. Dá no mesmo! – Ela deu de ombros.
— Subir pelas paredes, Tia Ziva. Não subir na mesa... – Sophie a corrigiu com toda delicadeza do mundo.
Ziva, não muito feliz de ter sido corrigida duas vezes seguidas, só pegou a chave do carro e foi para porta!
— Até na segunda de manhã! E me contem a reação do Gibbs.
— Se você não receber notícia nenhuma, Ziva, é porque ele me matou dentro daquele porão! – Kelly, já do lado de fora, indo para o carro, respondeu, enquanto a israelense seguia para o dela e eu notei que quase que ela bateu na minha caixa de correio quando parou o carro em cima da calçada.
— Seu pai não te mataria, mas ele poderia matar o Henry. Se precisar de ajuda para detê-lo, é só chamar a Abby! – Ziva disse.
— Ei! Por que eu? – Quis saber a saltitante gótica.
— Você é a favorita! – Respondemos todas.
Abby estava se despedindo de nós e depois saiu andando até o carro dela.
— Não me metam nisso. Não quero encrenca com o Raposa Prateada! – Soltou antes de entrar.
Eu e Sophie só ficamos rindo da porta.
Éramos cinco doidas!
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Kelly tinha vindo no final de semana, mas só apareceu para o jantar de sábado. Achei que ela traria Sophie, já que passou o dia todo com ela, porém, quando eu ouvi a porta ser aberta, só ouvi os passos de uma pessoa.
— Papai, cheguei! – Ela falou alto. – Mas o senhor deve ter escutado isso...
Quando vi, ela estava no alto da escada e me olhava com cara de cansada.
— O senhor passou o dia todo aí? – Quis saber.
— Não.
— A Coronel esteve aqui?
— Hollis. – A corrigi.
— Que seja, não quero saber. Vamos mudar de assunto?
— Achou o vestido?
Ela fez uma careta.
— Acho que o senhor precisa estar sentado e longe, bem longe de qualquer arma, quando eu der a notícia.
Olhei para ela, eu conhecia aquela cara. A notícia não era nada boa.
— Achou ou não? – Perguntei subindo a escada.
— Sim, mas eu vou ter que viajar para poder ter certeza. – Ela falou indo para a cozinha. – Olha comprei o jantar!
— Kelly, não desvia o assunto.
Ela virou na minha direção.
— É lindo, é perfeito. Só que está em Nova York...
— Nova York? Como você foi encontrar um vestido em Nova York se você nem foi lá?
— Internet, pai. E nem fui eu quem o encontrou... ou pelo menos quem me mostrou as opções foi...
— Não diga Sophie! – Pedi.
— A própria!
— Por isso que ela não está aqui? – Quis saber.
— Era para ela vir? A Jen não disse nada, nem a Soph, geralmente ela comenta quando vai vir passar o final de semana com o senhor! – Kelly ficou aflita.
— Achei que com você aqui, ela viria também.
— Bem, ela ficou com Jen, estavam olhando os vestidos de novo. – Me informou.
— Vestidos? No Plural?
— Unh... Sophie escolheu os vestidos da Abby, da Ziva e da Jenny...
Por que isso não me surpreendia, mas me irritava tanto?
— E o dela?
— Dá para acreditar que ela escolheu o mais simples que achou? Fiquei até pasma! Achei que ela iria querer um bem típico de princesa...
— E não é?
— Nada parecido com saias grandes e cheios de renda... É simples, mas é a carinha dela... fofo e sapeca, foram as palavras que Abby usou e achei muito conveniente.
Eu não entendia nada de vestido, teria que ver no dia do casamento.
— E o seu? Por que em Nova York?
— O senhor não vai surtar, né? – Kelly começou a delinear a verdadeira conversa.
— Preciso?
— Sabe que a Sophie tem gosto caro...
— Igual ao da mãe. – Eu podia não lembrar de tudo relacionado à Jen, mas ela sempre foi uma pessoa que só usou roupa de grife.
— É... isso.
— E justo em Nova York?
— O senhor já ouviu falar da Carolina Herrera? – Perguntou enquanto me servia o jantar. Reparei que ela mesma não parecia muito interessada em comer.
— Não...
— Bem, ela é uma estilista muito famosa. Veste famosos e gente da realeza...
— Seu vestido vai ser desenhado por ela?
— O modelo já está pronto... eu só preciso ir ao ateliê para ver se vai ficar realmente tão bonito em mim quanto tá na modelo.
— Você tem alguma dúvida quanto a isso?
Kelly deu de ombros.
— Mas não é isso que te preocupa. – Falei.
Kelly respirou fundo.
— Não... não é isso.
— Então o que é?
— O senhor ainda está disposto a me dar o vestido? – Ela disse, se levantando da mesa e começando a andar de um lado para o outro.
Então era isso...
— Eu falei que daria, não falei.
— É, disse. Mas....
Liguei os pontos da conversa sem nexo dela. Sophie escolhendo, estilista de celebridade... ateliê em NY...
— Quanto, Kelly?
— Alguns milhares de dólares. – Ela falou tão baixo que pensei que não tinha escutado.
Eu não sabia quem eu culpava por isso. Se Kelly por ser facilmente manipulável, se Sophie que era a rainha da manipulação com a irmã no quesito roupas ou se culpava Jenny por... bem por Sophie ter herdado isso dela. Kelly ainda esperava pela minha reposta. E vi que ainda tinha algo ali.
— Mais o que tem para me dizer?
— Sophie vai escolher a sua roupa! – Ela disse depressa saindo para a sala.
— Mas não vai mesmo!— Retruquei.
— Ela falou sobre isso agora à noite. Tinha esquecido do próprio vestido e do seu terno... e eu não duvido que vai querer vestir o restante dos meninos também...
— Ela devia ajudar o Engomadinho.
— Não dei essa ideia... mas acho que o Henry ela vai deixar para lá. Só para não ficar muito perto da minha sogra....
Fazia sentido. Sophie nunca se sentiu bem perto de Caroline Sanders.
— Alguns milhares de dólares? Por um vestido?
— É...
— Você vai escolher esse porque gostou ou por que a Sophie gostou e a Jenny aprovou?
— Porque eu gostei. Eu realmente gostei do vestido, pai.
— Quando você vai a Nova York? – Quis saber.
— O senhor não vai brigar? Não vai me xingar? Não vai dizer para que eu procure algo por mim mesma e esqueça o que aquela pequena fashionista que, por acaso também é sua filha, me falou?
— Vai adiantar? Você vai conseguir escolher outro vestido a tempo?
— Não, pai, eu não vou.
— Então, quando vai para Nova York?
— Nós vamos em quinze dias. – Kelly me informou.
— Nós?
— Sim. Eu, Jen, Soph, Abbs e Ziver. Vamos todas olhar os nossos vestidos lá.
— Todos de grife?
— Sophie escolheu..., se lembra?
Pensei se teria que comprar o vestido de Sophie também... mas era melhor conversar isso com a Jenny.
— Vocês cinco, soltas em NY, por quanto tempo?
— Só um dia...
— Tentem não explodir a cidade. – Me dei por vencido.
Kelly correu ao meu encontro e me deu um abraço, depois beijou a minha testa, um gesto que ela não fazia há muito tempo.
— O senhor é o melhor pai do mundo!! O melhor! – Ela disse com um sorriso imenso. Como eu falei, eu não poderia culpá-la. Mas uma certa garotinha que estava agora em Georgetown iria ouvir uma ou duas coisas sobre dar pitaco em vestidos de noiva.
— Agora sente-se e vamos jantar.
Kelly passou de nervosa à eufórica somente com uma frase. E eu tenho certeza de que essas seriam as mudanças de humor pelos próximos seis meses.
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Quinze dias passaram voando e quando vi, era eu quem estava voando para NY. Iria encontrar com as outras quatro no aeroporto, de lá, iriamos jantar em algum lugar que eu não sabia o nome e depois direto para o hotel. Nosso sábado seria cansativo.
Eu não sei se eu esperava uma penca de seguranças junto com Jenny, afinal o cargo que ela ocupava exigia que ela trouxesse alguns seguranças, mas não tinha ninguém.
— Sem seguranças? – Perguntei assim que encontrei com as quatro.
— Eu sou o detalhamento de segurança. – Ziva disse.
Eu não duvidava disso.
— Vamos para o restaurante, estou morrendo de fome! – Comentei.
— Vamos lá! – Abby, como sempre, animada demais e atraindo olhares demais.
Nosso jantar não demorou, as cinco animadas demais com a perspectiva de compras por um longo dia. E, quando rumamos em direção ao hotel, fomos conversando sobre onde iriamos primeiro.
Particularmente eu queria que as outras três comprassem seus vestidos antes de mim, algo parecido como o pânico da estreia estava começando a tomar o meu estômago. Parecia que se eu experimentasse o vestido o casamento se tornaria real e, eu acho que ainda não estou pronta, mas as três foram inflexíveis. Primeiro o vestido da noiva, afinal, as três poderiam escapulir para NY com mais facilidade do que eu. Busquei a ajuda de minha irmã, mas ela estava encantada demais com as luzes da Times Square para emitir qualquer comentário.
Já no hotel, estava deitada na cama, com a porta da varanda aberta, todo o barulho da cidade entrando por ali. O barulho da cidade e as frases animadas da minha irmã, que pelo visto estava na varanda admirando a paisagem.
— Mas mamãe!! Olhe isso! – Sophie dizia.
Não resisti e cheguei na porta e olhei para o lado, só para quase dar um infarto.
Sophie estava sentada no parapeito, com as pernas para o lado de fora do prédio, com um sorriso no rosto olhava todo o movimento.
— O que você tá fazendo sentada aí? – Perguntei aflita.
— Shii Shii, Kells. A mamãe não sabe! – Sophie me respondeu colocando o dedo indicador na frente da boca, imitando o sinal de silêncio.
Eu só observei a minha irmã calada, pois atrás dela, com uma cara não muito feliz, estava parada a mãe dela. Jen deu os dois passos que faltavam e agarrando a filha pela cintura a tirou do parapeito.
— Eu já te falei para parar de se sentar em lugares assim! – Xingou.
— Mas mamãe, eu não tenho medo de altura. E eu não iria cair!
— Você vai de deixar de cabelo branco antes da hora, Sophie. Ah, você vai! – Jenny disse arrastando a filha para dentro do quarto. – E você, Kelly, trate de dormir também, amanhã será um longo dia!
Com coisa que provar vestidos cansava... – Pensei voltando para dentro do quarto, ainda escutando as reclamações de Sophie que queria continuar vendo o movimento.
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Era cedo, quase cedo demais, mas tínhamos hora marcada no ateliê, não que Kelly desconfiasse disso. Assim, nossa primeira parada, depois da Starbucks para um café, foi para a escolha do vestido de noiva.
Kelly, só de ver a porta do ateliê ficou pálida. Algo que me dizia que ela protelou a escolha do vestido para que a data não começasse a deixá-la ainda mais nervosa.
— Nada de paralisar aqui. Vamos entrando que temos hora marcada. – Tive que educadamente dar um empurrãozinho em suas costas.
— Hora marcada?! – Ela me olhou espantada.
— Você não achou que chegaríamos aqui e seríamos atendidas, não é mesmo?
— Na verdade, Jen, eu achei sim.
Às vezes ela é realmente cria de Jethro!
— Vamos logo, porque Ziva, Abby e Sophie já entraram, e eu não quero deixar Sophie sozinha dentro desse lugar.
E a noiva do ano tinha a cara mais apavorada do mundo quando entrou na loja, o completo avesso de Sophie que parecia se sentir em casa.
Depois que demos o nome da noiva, fomos levadas à sessão própria. E enquanto Kelly se decidia entre os modelos que ela tinha agradado, nós três ficamos sentadas muito confortáveis em sofás. Sophie borboletava de um lado para outro e foi inacreditável quando ela parou ao lado de Kelly e a puxou pela mão.
— Kells, e aquele ali, você gostou? – Ela apontou para o vestido.
Todas as mulheres do lugar seguiram a direção apontada por Sophie, Kelly ficou sem graça, porém a nossa vendedora, Diana, foi logo trazendo o vestido para perto dela.
— Ele é perfeito! Na verdade, é um modelo um tanto exclusivo, só serão feitos mais cinco, além desse aqui. – Ela nos disse.
O vestido era lindo. E, Kelly tinha se apaixonado por ele, só pelo sorriso que ela tinha no rosto.
— Esse não estava no portfólio do site. – Ela comentou passando a mão pelo tecido.
— Não, ele não está. É uma coleção nova. – Foi informada.
Kelly levantou o rosto na nossa direção, como que pedindo a nossa opinião.
— Você tem que experimentar, mas é maravilhoso. – Ziva disse.
Abby pulou para o lado dela e disse que era a cara dela.
— Experimente. – Eu falei.
E Kelly foi levada para outra ala do ateliê. A irmã se foi e Sophie veio se sentar do meu lado.
— Mas a senhorita é pitaqueira, hein? – Dei um abraço nela.
— Não sou não. A Kells tava olhando para o vestido desde que entramos aqui. Às vezes ela é muito indecisa, então eu só a ajudei a tomar coragem de experimentar o vestido. – Ela me respondeu com um sorriso.
— Coleção exclusiva... Gibbs vai adorar ouvir isso! – Abbs disse com um sorriso.
— Esses são os problemas de ser o pai da noiva. Temos sorte dele não estar aqui. – Comentei.
Ziva reprimiu uma risada.
— Não daria certo. Não consigo imaginar o Gibbs dentro de um ateliê cheio de vestidos de noiva. Acho que ele sairia correndo, apavorado.
— Quatro casamentos traumatiza qualquer um. – Comentei.
— Será que ele realmente está traumatizado, Jenny? – Abby me olhou estranho, como se me sondasse. E eu vi a pegadinha por trás de suas palavras.
— Vai ter que perguntar a ele, Abby.
Vi a expressão dela mudar, a feliz gótica estava para dizer algo, quando Kelly apareceu na nossa frente, com a prova do vestido.
— Nossa! – Foi o que conseguimos dizer.
— É esse, não é? – Ela tinha o maior dos sorrisos quando perguntou.
— Claro que sim. Não tem como ser outro! – Eu falei. Kelly seria a noiva mais bonita que eu já tinha visto.
— Então, Kelly, por favor, temos que tirar as suas medidas para começarmos a confecção do vestido. – Ela foi levada por outras três moças.
Diana ficou no mesmo ambiente que nós e perguntou.
— Aposto que você, Sophie, vai ser a Dama de Honra de sua irmã. Já sabe como vai ser o seu vestido?
Minha menina me olhou, como que me pedindo permissão.
— Sua vez agora, Sophie.
— Na verdade, a mamãe e eu já sabemos como vai ser... – Ela começou.
— Isso é ótimo, vamos ver se temos um modelo parecido com o que você quer. Mamãe, vem com a gente! – Me chamaram.
Ziva e Abby deram uma risada.
— Mãe da Dama de Honra também sofre! – Elas comentaram.
Sai atrás da minha filha que já tagarelava como queria o vestido. Verdade seja dita, ela estava descrevendo exatamente o vestido que vira na internet.
— Você não quer um vestido longo com saia rodada, Sophie? – Perguntou Diana.
— Não... tenho medo de tropeçar na saia e estragar o casamento. – Sophie ficou toda vermelha ao dizer isso.
— Você pode descrever o vestido para a Erica?
— Posso sim.
E Sophie mais uma vez descreveu o que viu enquanto Erica colocava a ideia em um croqui, depois nos mostrou o desenho. A ruivinha ficou boquiaberta com a rapidez que Erica desenhou.
— Nossa!! Você desenha muito bem, Erica!
Erica agradeceu o comentário e começou a nos dar ideia para mudar um pouco o vestido, para que combinasse um pouco mais com o modelo escolhido por Kelly.
— Eu só não vou colocar nada na parte de trás, para que você não tenha que prender o cabelo. – Ela falou e a acrescentou ao vestido três faixas de cetim na barra.
No final, a ideia de vestido que tínhamos foi toda modificada, mas não perdeu a fofura. Assim, levaram Sophie para tirar as medidas, e por todo o tempo, eu pude escutar a falação animada dela. Kelly também, já que começou a rir.
— Então o vestido da noiva e da Dama já estão resolvidos... – comentei com Sophie que estava toda feliz com o resultado.
Diana, acabou por nos informar que o vestido de Sophie seria mandado para DC, assim ela não precisava voltar em NY. Já Kelly não teria tanta sorte, ela teria que voltar para as três provas agendadas.
— Então, o vestido está escolhido, meu maior pesadelo acabou. Não tenho que me preocupar com mais nada! – Ela falou feliz e aliviada.
Sophie ia começar a soltar alguma pérola, mas eu a impedi.
— Eu sei, ainda faltam os sapatos, mas esses nós duas vamos olhar para ela. – Comentei com a pequena.
— Dia de compras só nós duas? – Ela me perguntou feliz.
— Sim. Mas não será por agora.
— Eu não me importo! – Ela pulou sem sair do lugar.
— Agora, você tem que fazer um favor para mim.
— Qual é, mamãe?
Tinha diminuído o passo e Kelly, Ziva e Abby estavam quase a um quarteirão de distância, indo para a loja onde Ziva experimentaria o vestido.
— Preciso que você descubra para onde Kelly tem vontade de viajar, ela e Henry.
— Por que eu?
— Porque se você perguntar, ninguém vai desconfiar de nada, já se eu perguntar...
— E por que nós temos que saber disso? – Sophie inquiriu tombando a cabeça de lado.
— O presente de casamento que vamos dar para Kelly e Henry será essa viagem, assim você tem que descobrir o mais rápido possível, para que possamos organizar as coisas.
— Deixa comigo, mamãe! – Ela bateu continência e ia se virando para andar ao meu lado quando olhou a vitrine. – Acho que encontrei o terno do papai!!
Acompanhei o seu olhar para a loja. Outra de grife. Que gosto caro tinha a minha pequena.
— Essa loja tem em D.C. vamos evitar que seu pai tenha um infarto se ele tiver que vir até NY para comprar o terno.
— Não seria melhor um smoking? – Sophie apontou para a peça na vitrine.
— Sim, ele tem que ir de smoking.
— Então só os convidados vão de terno? – Ela tinha um sorriso imenso.
— Não, você não vai fazer o Tony, o Tim, o Jimmy e o Ducky de bonecos, Sophie.
— Ah, mamãe, eu vou sim! – Ela tinha um sorriso imenso.
— Por que não Henry? – Quis saber enquanto recomecei a andar, Sophie ia ora andando, ora pulando do meu lado.
— Eu amo o Henry. Ele é meu irmão, mas não quero nem chegar perto da Alicia e muito menos da Sra. Sanders... – Disse com um bico.
Não poderia culpá-la, nem eu queria chegar perto dessas duas.
Viramos a esquina para quase trombar nas três.
— Onde vocês estavam? – Ziva quis saber.
— Eu achei o smoking do papai.
Kelly caiu na risada.
— Por que tá rindo, Kelly?
— Eu comentei com o papai que você iria querer arrumá-lo. Ele disse que de jeito nenhum.
Sophie fechou a expressão.
— Mas eu vou sim. Você está muito ocupada na Marinha, papai não está conversando com a mamãe, aquela Mala Sem Alça que está sempre por perto não tem cara que sabe vestir outra coisa a não ser o uniforme. Então sobrou para mim a tarefa de arrumar o meu pai. Ele não vai de qualquer jeito!
— Se você está dizendo. Boa sorte com isso. – Kelly se virou se encaminhou para a porta da loja.
Ziva já sabia qual seria o vestido, então bastou experimentar e fazer os devidos ajustes. Foi muito mais rápido do que no ateliê. A boa notícia, o vestido devidamente pronto seria enviado para D.C.
Em seguida foi Abby. E ela é tão sortuda que não precisou nem ajustar o vestido. Foi ela experimentar e ficou perfeito.
— Isso que é sorte... – Ziva comentou.
Paramos para almoçar, tinha a impressão de que Sophie a qualquer momento poderia desmaiar de fome.
— Agora só falta o seu, mamãe! – Ela comentou, quando saímos de uma sorveteria.
— Qual é o endereço? – Quis saber Ziva.
— Acho que podemos ir a pé mesmo. Já andamos tanto hoje que mais alguns quarteirões por aqui não vai fazer mal. – Abby falou.
Kelly parecia que iria morrer de cansada se desse mais um passo, e Sophie ainda queria ir, pelo menos, no Central Park.
— Volta para o hotel, Kelly. Você ainda tem que descansar. – Aconselhei.
— Nem pensar. E perder o seu vestido? Eu me arrasto de volta, mas não perco isso de jeito nenhum.
Abby foi a primeira que viu a fachada da loja.
— Hora da verdade! – Kelly disse dando um sorriso e entrando. Sophie estava tão animada quanto a irmã.
Para o meu azar eles não tinham o modelo ali, só o faziam mediante pedido.
— Uhn... alguém vai deixar uma grama negra por aqui. – Ziva falou ao ouvir o que me disseram.
— Grana preta, Ziva! – Sibilaram as outras três.
Pensei no meu caso, contudo, nenhum outro vestido ali tinha me agradado.
— Tudo bem. Vocês podem enviar para que as provas sejam feitas na Capital?
— A senhora não é daqui? – Quis saber a assistente.
— Não. E não tenho a disponibilidade para ficar voltando a NY.
— Sem problemas. Vamos pegar suas medidas, suas preferências em alguns detalhes e depois entramos em contato quando o vestido estiver disponível para a primeira prova.
— Muito obrigada. A segui até a sala de provas, era a minha vez de ser medida.
Quarenta minutos de muita medição, estava de volta e as quatro não estavam em lugar nenhum à vista.
— Senhora, — veio uma outra assistente para perto de mim. – Suas filhas e amigas pediram para avisar que estão no Café do outro lado da rua.
— Muito obrigada. – Agradeci à presteza da moça e após terminar o cadastro e o pagamento, segui para o local que me fora indicado.
— Agradeço o apoio moral na loja. – Disse assim que me sentei ao lado de minha filha.
Abby abriu um sorriso.
— Toda essa provação de roupa realmente me esgotou. Por isso viemos para cá.
— E não é como se nada de ruim fosse acontecer com você, Jenny. O máximo que poderia acontecer era te falarem que seu manequim aumentou... – Kelly completou.
Estranhamente Sophie não me defendeu da brincadeira da irmã, quando fui conferir o motivo, ela estava concentrada em um chocolate quente cheio de marshmallows gigantes. Assim que notou meu olhar, deu um sorriso, sua boca suja de marshmallows.
— Desde quando a senhorita tem bigode? – Perguntei já pegando um guardanapo para limpar.
— Eu não tenho! É culpa do doce. – Ela garantiu olhando para dentro do copo.
— Você sabe que não pode exagerar no chocolate... – Avisei.
— Só hoje, mamãe, é uma ocasião especial!
— E só vai tomar esse. – Falei mais para as três que estavam na mesa comigo do que com minha filha.
— Sim senhora! – As quatro me responderam.
Pelo menos não falaram “madame”.
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Tudo passou mais rápido do que eu pensava, eu pisquei e era domingo e eu estava aguardando o meu voo.
Quatro portões abaixo, as quatro doidas que vieram comigo nessa viagem de compras já embarcavam.
Eu cheguei aqui crente que andar atrás do vestido perfeito não me cansaria. E estou saindo mais morta do que viva. Nunca andei tanto quanto nas últimas trinta e seis horas... tudo o que eu queria era dormir e colocar a minha pobre coluna no lugar.
Vi Sophie me acenando adeus antes de passar pelo portão de embarque, ela estava com o seu suvenir da cidade, uma miniatura da Estátua da Liberdade e um globo de neve, tudo para ser colocado na sua estante já cheia de miniaturas e lembranças dos mais diversos países. Do jeito que ela tinha a propensão para viajar, ela vai precisar de um cômodo enorme para poder acomodar tudo aquilo.
E por falar em cômodo... eu só tenho mais uma coisa para ajeitar.
Fechar a compra da casa.
Eu era uma só para fazer tanta coisa ao mesmo tempo!
E, não querendo pensar na mudança iminente que pairava no ar e muito menos em qualquer coisa que dissesse respeito ao casamento, comecei a pensar em outra coisa.
Uma muito mais urgente.
Em como me livrar da minha madrasta loira aguada.
Faltava quase noventa minutos para o meu voo decolar, nesse meio tempo comecei a pesar diversas possibilidades. E só uma me pareceu realmente interessante.
O que atrapalha mais um relacionamento do que a ex e os filhos de uma das partes? Eu sei que Jen era fora de cogitação no meu plano, mas Sophie não era...
E como armar uma bagunça fenomenal para introduzir a minha irmãzinha à minha madrasta, senão no ambiente de trabalho do meu pai, com a ajuda de cinco malucos e — olha a participação especial à caminho!!! — Mann descobrir que não só meu pai tem duas filhas como a mais nova delas é filha da, olha que coincidência, Diretora do NCIS e CHEFE do meu pai.
Aquele prédio vai vir abaixo. Vai ser o encontro do século. E tudo precisa ser organizado com antecedência e executado com precisão cirúrgica.
Se não servir para a Mann vazar de primeira, vai servir para dar uma pequena dor de cabeça a ela. Afinal, quem vai querer o namorado tendo que conviver com a ex todo santo dia e ainda dividindo as tarefas de criar e educar uma filha?
Uma hora seria demais para ela. Eu contava piamente com isso!
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