Carta para o meu primeiro amor
1 Capitulo Único
Notas iniciais
* oi leitores do meu coração, minha primeira vez postando aqui, espero que gostem, que possam se reconhecer em algumas dessas linhas positivamente, e relembrem com carinho da sua experiência.
Minha querida...
Escrevo essa carta para dizer humildemente que eu já te amei, e amei por muito tempo. Bom... no começo como qualquer bom clichê, no sexto ano eu te odiava, como eu te achava irritante!!!, sempre mandando em todos, sempre a primeira da classe, sempre com a resposta na ponta da língua, resumindo, uma chata. Estávamos sempre brigando, eu gostava de te irritar para te vê saindo do seu pedestalzinho que você mesma se colocou, mesmo que por poucos segundos, e te vê vermelha de raiva fazia valer a pena todas as horas de estudos que eu fazia só para te corrigir. Já no oitavo ano, as coisas começaram a mudar para mim, você começou a ler aqueles livros de adolescentes e ria, ficava triste, frustrada e as vezes com os olhos brilhando com carinha de apaixonada toda ruborizada de vergonha, uma gracinha, e eu finalmente comecei a te enxergar como um ser humano, um ser humano muito lindo, e que ficava ainda mais bonita quando ganhava aquele maldito certificado de melhor da escola, seu sorriso era o maior de todos, você brilhava, era uma cena maravilhosa. Nessa época, eu já tinha percebido que meus sentimentos relacionados estavam mudando, mas eu ficava dividido, uma parte de mim não queria aceitar simplesmente, que tinha desenvolvido aqueles sentimentos por alguém que eu odiei por mais de dois anos e a outra só queria te abraçar finalmente, e infelizmente, devido a minha imaturidade da época, a primeira parte ganhou. Continuei como sempre fui, sempre disputando com você nas aulas, pegando várias meninas, fazendo piadinhas sem graça com você e seu jeito de nerd, até que um dia você não aguentou mais e chorou, foi um dia terrível, um dos piores da minha vida, e eu enxerguei finalmente o que eu sempre fui, principalmente com você, um babaca, sem noção e muito imaturo e eu jamais poderia imaginar o que sua reação depois disso poderia provocar em mim.
Depois de tudo o que fiz, você parou de falar comigo, na verdade você ignorou tudo o que vinha de mim, nem quando te provocava , fazia algum comentário sobre alguma matéria aleatória, fazia algum gol ou cesta e olhava para você e sorria, te acertava de proposito com a bola, sim, aquilo tudo era para você, para ter alguma reação sua, mas nada surtia efeito, e eu já sem quase nenhuma esperança. Para diminuir a ansiedade que toda aquela situação estava me causando, comecei a te observava discretamente quando estava lendo algum livro , você precisa realmente controlar suas emoções enquanto está lendo, alguém mais poderia esta apreciando a cena, e fazer isso deixou meu coração mais calmo e ao mesmo tempo triste. Chegamos no tão esperado Ensino Médio, eu estava animado, novas possibilidades, muitas coisas a fazer, muitas decisões a tomar e principalmente, tinha você, talvez já tivesse esquecido o que eu fiz, ou me perdoado e voltasse a falar comigo, mas não, você se acostumou a ignorar a minha existência, e eu não a culpo. Até que um dia, talvez eu devesse agradecer ao acaso, fomos sorteados para ser uma dupla em um trabalho de literatura, e não tem ideia do quanto foi maravilhoso ouvir você falando o meu nome, e todas aquelas outras coisas direcionadas para mim, talvez era hora de eu tentar me desculpar de verdade por tudo, mas naquele momento, você limitou todo o nosso contato a fazer aquele trabalho, fiquei frustrado confesso, mas determinado a fazer você falar comigo, mesmo que demorasse muito e, com esse pensamento me permiti apreciar cada segundo daquelas conversas. Assim, durante todo aquele primeiro ano eu lia as coisas que você lia, escutei as músicas que costumava cantarolar enquanto desenhava (Você sabia que estava cantando quando fazia os trabalhos de artes? aposto que não, estava sempre tão distraída) e até virei fã de algumas dessas bandas, e nisso tudo, eu tentava falar com você sobre aqueles assuntos e deu certo, conversávamos por horas as vezes, ainda te provocava as vezes, mas quem mandou ficar tão linda com raiva? E sentava na carteira atrás da sua para ficar brincando com o seu cabelo que ficava caindo na minha carteira e você nunca percebeu, estava sempre lendo, sempre distraída. Esse ano foi melhor que o anterior e finalmente descobrir o que eu queria cursar e você foi a primeira a saber, Engenharia Elétrica, e você me contou o que queria também e o mundo ainda não sabia, mas eu sim, que você seria a melhor psicóloga do país. Já no segundo ano, as coisas saíram um pouco do meu controle, mesmo com todo o meu esforço para melhorar... bem... ta que eu estava sempre ocupado com a equipe de natação, os estudos, a minha família, e sempre tentando me livrar daquelas meninas que me perseguiam e as vezes você via cenas que eu não queria que assistisse, para o meu azar, e mesmo com tudo aquilo acontecendo eu queria participar da sua vida, conquistar sua confiança, seu coração e finalmente tê-la só para mim, mas me enrolei com tudo, sempre te deixava para depois e me arrependi amargamente. Resumindo, fui lento demais, presunçoso demais, fiquei tão imerso no meu próprio mundinho que não percebi que outro já estava no lugar que eu queria a tempos, ao seu lado, conversando com você, fazendo você rir abertamente, estudando ao seu lado e você olhava-o de uma forma única, cheia de carinho, afeto, preocupação e tinha aquele brilho, enfim, de uma forma que você nunca olhou para ninguém, muito menos para mim, e todo mundo via que era reciproco.
Foi como levar um soco no estômago, um balde de água fria, você esta apaixonada e esse alguém não era eu, tinha estragado minhas chances a muito tempo, quando ao invés de continuar tentando, eu a distanciei e não teria tempo de consertar isso, eu te perdi e nunca passaria de um amigo. Sim, eu via que vocês costumavam a fazer tudo juntos, dentro e fora da escola, eu via suas fotos juntos no cinema, praças e etc. Desse jeito ficamos, quanto mais tempo passando mais ficamos distantes, mas ainda existia uma parte de mim que não queria desistir de você, uma parte bem pequena que se quebrou em milhares de pedaços quando eu vi aquele cara te pedi em namoro na frente da turma toda, serio mesmo? Precisava de violão e flores? Precisava sim, você merecia o pedido na clichê do mundo, eu lembro da sua reação, ficou muito envergonhada e feliz e deu um beijo muito delicado e desajeitado nele, acho que era o seu primeiro, já que eu nunca te vi mais vermelha na vida, e eu, só pensava que poderia ter sido eu, aquilo terminou de me quebrar, eu tinha que superar de vez, sim, eu tinha desistido de você finalmente.
Você estava muito feliz, ele era um cara bem legal e te fazia bem, ao contrário que eu fiz por anos, então, para o meu próprio bem, limitei ainda mais nosso contato e nossas conversas eram os conteúdos das provas, afinal você ainda era a melhor da escola e eu precisava de ajuda para passar na faculdade e de novo, o mundo ainda não sabia, mas você é uma ótima professora e não estou falando isso por tudo o que sentia, mas você ajudou mais da metade da sala a entrar na faculdade dos sonhos, inclusive eu (depois falo disso). Continuando, na nossa formatura do terceiro ano, eu já sabia que tinha passado no vestibular e queria muito te agradecer, então reunir toda a minha coragem e fui te abraçar finalmente depois de anos, e fui retribuído com muito carinho, foi muito bom te ter ali, nos meus braços pelo menos uma vez, a primeira e a última, e para completar, com o restinho de coragem que tinha sobrado, disse no seu ouvido que não desistiria mais de nada e nem de ninguém, você seria a última, você me olhou sem entender nada e eu dei de ombros e fui para o meu lugar. Estava incrível naquela noite, não sei o porquê você estava tão nervosa para fazer o discurso, foi inspirador para todos naquele recinto, foi maravilhosa como sempre.
A vida seguiu, fomos para a faculdade e você continuou com aquele cara e eu conheci o amor da minha vida, por mais brega que seja de novo (por que clichês me perseguem?) eu me apaixonei por ela no mesmo instante que eu a vi, eu soube que ela seria a minha esposa e a mãe dos meus filhos, tivemos alguns problemas, momentos bem complicados, mas eu continuei seguindo a promessa que eu te fiz, eu não desistir dela, em nenhum momento, e além do mais, o meu coração nunca permitiria que eu desistisse dela. Já se passaram cinco anos desde que terminei a faculdade e estou trabalhando em uma das mais renomadas empresas de engenharia do país, a culpa disso é parcialmente sua, se não fosse por você eu não teria pego o gosto por estudar, faz três anos que casei com a mulher da minha vida e faz dois anos que eu sou pai, um papai muito babão pela minha pequena (como ela mesma me chama) e fiquei sabendo que você se casou e teve um menino com o mesmo cara que se apaixonou no Ensino Médio, montou seu próprio escritório de psicologia e uma livraria, bem sua cara mesmo ser dona de uma livraria.
Espero do fundo do meu coração que você esteja feliz e realizada, por que eu estou, e você teve uma grande influencia sobre isso, tudo o que eu tenho e sou, e o que me resta é somente agradecer a você, pois mesmo sem saber, mudou minha vida, de um jeito bom, maravilhoso na verdade e como eu nunca tive coragem de lhe dizer isso pessoalmente, resolvi escrever essa carta e coloquei em uma plataforma de leitura que eu sei que você lia, espero que tenha continuado lendo ao longo dos anos e que ela chegue ate você, talvez nem entenda, ou se reconheça nessas linhas, mas não custa nada tentar.
Com carinho, do seu primeiro admirador secreto.
PS: Muito Obrigado
PS¹: Seja muito feliz
Notas finais
Aqueles que passam por nós não vão sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós. Antoine de Saint-Exupery
Não é o tipico final romântico que estamos acostumados, mas devemos entender que algumas pessoas passam pela nossa vida só para nos preparar para o que estar por vir.
Espero que gostem, escrevi com muito carinho para vocês ♥
espero também que comentem...
Fale com o autor