Carta escrita pelo destino

1 "É a guerra meu querido..." -By: Thália


Parece até que ficando aqui dentro posso evitar a guerra lá fora. Como queria que isso fosse possível, não que eu tenha medo, longe disso, sou da Audácia, o medo é piada aqui, mas a guerra é horrível. Olho no relógio acima da escrivaninha. 14:30. Desde a hora em que chego da escola, tenho apenas uma hora e meia para descansar e comer, depois tenho que ir à sede, por causa da guerra, estamos todos em treinamento puxado. Podemos ser recrutados a qualquer momento. Pulo da cama, calço as botas, que na verdade eram tênis que parecem botas pequenas, puxo o casaco vermelho e preto, cores da Audácia, que ficava um tanto cumprido em meu corpo pequeno, jogo-o por cima da camiseta do colégio, e saio correndo. O trem passava perto de casa exatamente às 14:35.

Corro tanto, que perco o ar, subo meio correndo, meio pulando de um lado para o outro, por um beco estreito, até chegar a linha do trem, que estava quase chegando muito perto. Com as portas dos vagões abertas, por causa dos homens, e algumas mulheres, que vinham para a sede, por conta de serem do exército. Corro ao lado do trem, e em um salto, me agarro em uma barra que fica muito perto da porta. Adorava fazer isso, sentia a adrenalina correr em minhas veias em minhas mãos, que ficavam à mostra por conta de minha pele branca.

{...}

Depois de uma tarde de treino muito puxado, eu estava aguardando na enfermaria, com meus ferimentos, que pareciam sérios, mas não eram, já estava acostumada. Vejo vários voluntários, alguns da Amizade, mas a maioria da Abnegação, e um deles, com vestes cinza, a cor que indica a Abnegação, chama meu nome:

-Nathália!

Me dirijo a sala, e sento-me na maca. E ele começa a medicar e enfaixar meus ferimentos dos braços, e pernas.

— Eu te conheço? — Ele perguntou inocentemente.

— Acho que não. — Respondi em tom irônico.

— É sério, tenho a impressão que já te vi.

— Talvez no colégio. — O colégio era de fato, o único lugar em que nós, de diferentes facções convivemos juntos, mas não é toda essa união assim, não. E de repente, ouvimos um barulho muito alto, acho que estavámos sendo atacados, então, as tropas começaram a se armar, e sair para lutar. Corri, para ir para os abrigos com os outros. E ele puxou minha mão:

— O que é isso?

— É a guerra, querido! — Disse, enquanto o puxava para o abrigo.